Infecção de corrente sanguínea no PICC: como prevenir

Infecção de corrente sanguínea no PICC: como prevenir

Postado em 28/05/2026

A infecção relacionada ao cateter é evitável na maior parte dos casos. Conheça as medidas com maior evidência, da inserção à retirada.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA prevenção da infecção primária de corrente sanguínea associada ao PICC se apoia em um pacote de medidas (bundle): higiene das mãos, barreira máxima estéril e clorexidina alcoólica acima de 0,5% na inserção, punção guiada por ultrassom, curativo íntegro trocado no prazo certo, desinfecção do conector sem agulha a cada acesso e revisão diária da necessidade do cateter. O efeito vem do conjunto aplicado sempre, e não de medidas isoladas.

Por que o PICC também infecta

O PICC reduz complicações mecânicas da inserção, como pneumotórax, mas continua sendo um cateter central. Ele pode ser colonizado por duas vias: a extraluminal, quando micro-organismos da pele migram pelo trajeto do cateter, mais comum nas primeiras semanas; e a intraluminal, quando a contaminação entra pelo conector e pelas linhas, que predomina nos cateteres de longa permanência. Cada medida do bundle atua em uma dessas vias.

Medidas na inserção

  • Higiene das mãos antes de qualquer contato com o cateter, nos cinco momentos da OMS.
  • Barreira máxima estéril: gorro, máscara, avental e luvas estéreis, e campo estéril amplo cobrindo o paciente.
  • Antissepsia da pele com clorexidina alcoólica em concentração acima de 0,5%, respeitando o tempo de secagem.
  • Punção guiada por ultrassom no terço médio do braço, que reduz o número de tentativas e favorece um sítio mais limpo e confortável para o curativo.
  • Checklist de inserção com observador autorizado a interromper o procedimento se houver quebra de técnica.

Medidas na manutenção

MedidaComo fazer
CurativoFilme transparente trocado a cada 7 dias ou gaze a cada 48 horas, e sempre que estiver úmido, sujo ou descolado
Curativo com clorexidinaConsiderar curativo ou esponja impregnada com clorexidina em pacientes de alto risco, conforme protocolo
Conector sem agulhaFricção com álcool 70% por 5 a 15 segundos antes de cada acesso, ou protetor com álcool (cap)
Sistema de infusãoTroca de equipos no intervalo do protocolo e em até 24 horas quando há lipídios ou nutrição parenteral
InspeçãoSítio avaliado diariamente, mesmo sem trocar o curativo
NecessidadeRevisão diária: cateter sem indicação deve ser retirado

Indicadores e cultura de segurança

A taxa de infecção primária de corrente sanguínea associada a cateter central é um indicador de notificação obrigatória à Anvisa pelas UTIs. Medir a taxa por mil cateteres-dia, auditar a adesão ao bundle e devolver o resultado à equipe transforma o protocolo em comportamento. Serviços com time de terapia infusional estruturado costumam ter melhor adesão e menos infecções.

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo trocar o curativo do PICC?

Filme transparente a cada 7 dias e gaze a cada 48 horas, ou antes, se estiver úmido, sujo ou descolado.

Qual antisséptico usar na pele?

Clorexidina alcoólica em concentração acima de 0,5%, aguardando a secagem completa antes da punção ou do curativo.

Quanto tempo friccionar o conector?

De 5 a 15 segundos com álcool 70%, aguardando secar, antes de cada acesso. Protetores de conector com álcool são uma alternativa.

Trocar o PICC periodicamente previne infecção?

Não. A troca de rotina sem indicação não é recomendada. O cateter deve ser retirado quando não for mais necessário ou diante de complicação.

Inserção segura começa na técnica

Barreira máxima, ultrassom e manutenção baseada em evidências na Habilitação em PICC e Acesso Venoso com USG.

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Referências

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
  2. O'Grady NP, Alexander M, Burns LA, et al. Guidelines for the prevention of intravascular catheter-related infections. Clin Infect Dis. 2011;52(9):e162-e193. doi:10.1093/cid/cir257.
  3. Buetti N, Marschall J, Drees M, et al. Strategies to prevent central line-associated bloodstream infections in acute-care hospitals: 2022 Update. Infect Control Hosp Epidemiol. 2022;43(5):553-569. doi:10.1017/ice.2022.87.
  4. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258, de 12 de julho de 2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros.
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