Flushing do PICC: técnica, volume e frequência segura

Flushing do PICC: técnica, volume e frequência segura

Postado em 01/06/2026

Como lavar o cateter central de inserção periférica do jeito certo, com base nas diretrizes mais recentes e no que diz o Cofen.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO flushing do PICC é a lavagem do lúmen com soro fisiológico 0,9% sem conservantes, feita antes e depois de cada medicamento, entre fármacos incompatíveis e após coleta de sangue. Use volume de pelo menos o dobro do volume interno do sistema (na prática, 10 mL em adultos), seringa com diâmetro de 10 mL e técnica pulsátil (empurra e pausa). Nunca force contra resistência.

O que é o flushing e por que ele importa

Flushing é a infusão de solução salina no lúmen do cateter para retirar sangue, fibrina e resíduos de medicamentos da parede interna. Quando bem feito, ele mantém o PICC pérvio, evita a precipitação entre drogas incompatíveis e reduz o depósito de fibrina, que serve de base para a formação de biofilme e, por consequência, para a infecção de corrente sanguínea associada ao cateter.

A obstrução é uma das complicações mais frequentes do PICC e uma das principais causas de retirada precoce do dispositivo. Por isso, as diretrizes tratam o flushing como cuidado de rotina, e não como medida apenas para quando o cateter "não está correndo bem".

Flushing e lock: qual é a diferença

Os dois termos aparecem juntos nos protocolos, mas têm funções diferentes:

  • Flushing (lavagem): limpa o lúmen. É feito com soro fisiológico 0,9% antes e depois de cada uso.
  • Lock (selo ou salinização): preenche o lúmen quando o cateter fica sem uso, para manter a permeabilidade até o próximo acesso. Pode ser feito com soro fisiológico 0,9% ou com heparina, conforme o fabricante e o protocolo da instituição.

Uma revisão Cochrane comparou o lock com heparina e com soro fisiológico em cateteres venosos centrais de adultos e não encontrou diferença clara na oclusão. Por isso, muitos serviços adotam o soro fisiológico como padrão e reservam a heparina para indicações específicas.

Solução, volume e seringa

ItemRecomendaçãoPor quê
SoluçãoSoro fisiológico 0,9% sem conservantes, de preferência em seringa preenchida de fábricaReduz manipulação, risco de contaminação e erro de medicação
Volume mínimoO dobro do volume interno do cateter e dos acessórios (extensores, conectores)Garante a limpeza de todo o trajeto. Na prática, 10 mL em adultos
Após sangue ou nutrição parenteralVolumes maiores, conforme protocolo (por exemplo, 10 a 20 mL)Hemoderivados e lipídios aderem mais à parede do lúmen
SeringaDiâmetro de 10 mL ou seringa específica para flushing de baixa pressãoSeringas de menor diâmetro geram mais pressão e podem romper o cateter
LockSoro fisiológico 0,9% ou heparina, conforme fabricante e protocoloA escolha depende do tipo de cateter e da válvula

Em neonatologia e pediatria, os volumes são menores e definidos pelo volume interno do cateter e pelo controle hídrico da criança. Siga o protocolo da unidade.

Técnica pulsátil passo a passo

  1. Higienize as mãos e reúna o material: seringa preenchida de soro fisiológico 0,9%, swab ou gaze com álcool 70% e luvas de procedimento.
  2. Faça a desinfecção do conector sem agulha com fricção mecânica e álcool 70%, por 5 a 15 segundos, e aguarde secar.
  3. Conecte a seringa e aspire suavemente para confirmar o retorno sanguíneo. A ausência de refluxo pede investigação antes de infundir.
  4. Infunda em pequenos bolus, empurrando e pausando (por exemplo, 1 mL de cada vez). O fluxo turbilhonado remove melhor os resíduos do que a infusão contínua.
  5. Se houver resistência, pare. Não force e não troque por seringa menor para "vencer" a obstrução.
  6. Faça o fechamento conforme o tipo de conector: a ordem entre retirar a seringa e clampear muda se o conector for de pressão positiva, negativa ou neutra. Siga o fabricante.
  7. Registre no prontuário o volume, a solução, a presença de refluxo e qualquer intercorrência.

Quando fazer o flushing

As diretrizes da Infusion Nurses Society (INS) orientam o flushing antes de cada infusão, para avaliar a função do cateter, e depois de cada infusão, para retirar o medicamento do lúmen. Ele também é indicado entre medicamentos, após coleta de amostras de sangue e antes do lock. O intervalo de manutenção quando o PICC não está em uso depende do tipo de cateter (valvulado ou não) e da orientação do fabricante.

Erros que mais causam obstrução e ruptura

  • Usar bolsa de soro ou frasco como fonte de pressão para lavar o cateter.
  • Usar seringa de 1, 3 ou 5 mL para flushing ou para desobstruir.
  • Pular a aspiração e infundir sem confirmar o refluxo.
  • Infundir de forma contínua, sem a técnica pulsátil.
  • Diluir medicamentos na seringa preenchida de soro destinada ao flushing.
  • Esquecer o flushing entre drogas incompatíveis, o que causa precipitação dentro do cateter.

Perguntas frequentes

Qual o volume de soro para o flushing do PICC?

No mínimo o dobro do volume interno do cateter e dos acessórios. Em adultos, a prática usual é 10 mL. Após sangue ou nutrição parenteral, usam-se volumes maiores, conforme o protocolo.

Posso usar seringa de 5 mL no PICC?

Para flushing, não. Seringas de menor diâmetro geram mais pressão e podem romper o cateter. Use seringa com diâmetro de 10 mL ou seringa própria para flushing de baixa pressão.

O lock do PICC deve ser feito com heparina ou com soro fisiológico?

Depende do fabricante e do protocolo. Em adultos, a revisão Cochrane não mostrou diferença clara entre heparina e soro fisiológico para prevenir oclusão de cateteres centrais.

O que fazer se o PICC não tem refluxo?

Não force a infusão. Verifique clampes, dobras e o curativo, reposicione o braço e siga o protocolo de avaliação de obstrução da instituição, que pode incluir a confirmação da posição da ponta.

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Referências

  1. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
  3. López-Briz E, Ruiz Garcia V, Cabello JB, Bort-Martí S, Carbonell Sanchis R, Burls A. Heparin versus 0.9% sodium chloride locking for prevention of occlusion in central venous catheters in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2018;7:CD008462. doi:10.1002/14651858.CD008462.pub3.
  4. Goossens GA. Flushing and locking of venous catheters: available evidence and evidence deficit. Nurs Res Pract. 2015;2015:985686. doi:10.1155/2015/985686.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258, de 12 de julho de 2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros.
  6. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem.
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