Segurança do paciente na terapia intravenosa
Postado em 02/06/2026
A via intravenosa é a mais rápida e também a que menos perdoa erros. Veja as barreiras que mais protegem o paciente.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA segurança na terapia intravenosa depende de barreiras em cada etapa: prescrição completa com diluição e tempo de infusão, preparo em local exclusivo, dupla checagem de medicamentos de alta vigilância, bomba de infusão com biblioteca de fármacos, conferência de compatibilidade, linhas identificadas e monitoramento do paciente. No Brasil, essas medidas seguem o Programa Nacional de Segurança do Paciente e o protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos.
Por que a via intravenosa é de alto risco
O medicamento intravenoso atinge a circulação de imediato, sem tempo para corrigir uma dose errada. Além disso, envolve cálculos, diluições, bombas e várias linhas no mesmo paciente. A Organização Mundial da Saúde incluiu a segurança no uso de medicamentos entre seus desafios globais, com a meta de reduzir danos graves evitáveis.
Barreiras por etapa
| Etapa | Barreiras recomendadas |
|---|---|
| Prescrição | Prescrição legível ou eletrônica, com dose, diluente, volume, velocidade e tempo de infusão; sem abreviaturas perigosas |
| Dispensação | Separação e identificação de medicamentos com nomes ou embalagens parecidos |
| Preparo | Local exclusivo, técnica asséptica, rótulo com paciente, fármaco, dose, diluição, hora e responsável |
| Administração | Certos da administração, dupla checagem para alta vigilância, bomba de infusão com limites |
| Monitoramento | Sinais vitais, sítio de punção, efeitos esperados e adversos, registro |
Medicamentos de alta vigilância
São os que, em caso de erro, têm maior risco de causar dano grave. Exemplos: cloreto de potássio concentrado, insulina, heparina e anticoagulantes, opioides, sedativos, agentes bloqueadores neuromusculares, drogas vasoativas e quimioterápicos. Eles exigem armazenamento diferenciado, protocolos de diluição padronizados e dupla checagem independente.
Organização das linhas
- Identifique cada linha junto à bomba e próximo ao paciente.
- Rastreie a linha da bolsa até o paciente antes de conectar ou programar.
- Reserve um lúmen para nutrição parenteral e, quando possível, para drogas vasoativas.
- Use conectores e equipos que impeçam conexões erradas entre vias diferentes.
Perguntas frequentes
O que são medicamentos de alta vigilância?
São os que causam dano grave quando há erro, como potássio concentrado, insulina, heparina, opioides e drogas vasoativas. Exigem barreiras extras, como dupla checagem.
Dupla checagem precisa ser independente?
Sim. O segundo profissional deve conferir prescrição, medicamento, dose e programação de forma independente, sem apenas confirmar o que o primeiro disse.
Todo incidente deve ser notificado?
Sim, inclusive os que não causaram dano. A notificação alimenta a melhoria dos processos no núcleo de segurança do paciente.
Dispositivos, administração segura e prevenção de complicações na Habilitação em Terapia Infusional e Acessos Vasculares.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP).
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde.
- Brasil. Ministério da Saúde; Anvisa; Fiocruz. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
- World Health Organization. Medication Without Harm: WHO Global Patient Safety Challenge. Geneva: WHO; 2017.
- Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
