Cuidados de Enfermagem na Transfusão de Sangue

Cuidados de Enfermagem na Transfusão de Sangue

Postado em 08/05/2026

ão de hemocomponentes e hemoderivados constitui uma terapêutica que, quando utilizada de forma adequada, pode salvar vidas.

O enfermeiro deve estar atento e ter um olhar clínico e conhecimento dos cuidados prestados durante todo o ato transfusional, além de ser capaz de prestar socorros diante de eventuais reações transfusionais.

Os hospitais devem manter, nos prontuários dos pacientes submetidos a este procedimento, os registros relacionados à transfusão, como data, hora de início e término da transfusão de sangue, sinais vitais no início e no término, origem e identificação das bolsas dos hemocomponentes, identificação do profissional responsável e registro de reação transfusional.

Competências do Enfermeiro Antes, Durante e Após a Transfusão

É de competência do enfermeiro antes, durante e após a transfusão:

  • Conferir os resultados de exames com o rótulo que vem na bolsa de hemoderivado;
  • Iniciar a transfusão em até 30 minutos após o recebimento do hemocomponente;
  • Antes de instalar o equipo, certificar-se de que o paciente pode receber a transfusão;
  • Atentar para o tempo de infusão de cada hemocomponente: Concentrado de Hemácias (1h30 a 2h, não excedendo 4h), Concentrado de Plaquetas (até 1h, dose em cerca de 30 minutos), Plasma Fresco Congelado (até 1h) e Crioprecipitado (infusão aberta, até 30 minutos, transfundido em no máximo 6h após o descongelamento);
  • Orientar e aplicar a assinatura do Termo de Consentimento Informado pelo paciente ou familiar/responsável;
  • Conhecer, garantir e cumprir todas as etapas do processo;
  • Assegurar que o hemocomponente contenha todas as informações necessárias para a segurança da transfusão, incluindo identificação da doação, resultados sorológicos, validade, integridade, identificação do receptor e exames pré-transfusionais;
  • Certificar que o paciente ou responsável legal está ciente e autorizado a transfusão, registrando eventual recusa em prontuário;
  • Verificar a permeabilidade da punção, o calibre do cateter e sinais de infiltração ou infecção;
  • Confirmar a identificação do receptor, do rótulo da bolsa, validade e integridade do produto por meio de dupla checagem (Enfermeiro e Técnico de Enfermagem);
  • Manter a etiqueta de transfusão afixada à bolsa durante todo o procedimento e, depois, ao prontuário do paciente;
  • Certificar que os sinais vitais sejam aferidos e registrados antes, durante e após a transfusão;
  • Garantir acesso venoso adequado, exclusivo, com equipo com filtro para macrogotas;
  • Verificar duas vezes o rótulo do hemocomponente para assegurar a compatibilidade do grupo e tipo Rh;
  • Confirmar em voz alta o nome completo do paciente antes de instalar o hemocomponente;
  • Assegurar que a transfusão seja iniciada em até 30 minutos após a remoção da bolsa da conservadora de hemácias;
  • Iniciar a transfusão com gotejamento lento, mantendo a etiqueta afixada à bolsa durante a infusão;
  • Monitorar o paciente e informar ao Serviço Transfusional qualquer efeito adverso imediato ou tardio;
  • Acompanhar a transfusão à beira do leito durante os 10 primeiros minutos;
  • Garantir o monitoramento e registro dos sinais vitais a intervalos regulares;
  • Interromper a transfusão imediatamente, manter o acesso venoso e comunicar ao médico diante de sinais de reação adversa, como inquietação, urticária, náuseas, vômitos, dor nas costas ou no tronco, falta de ar, hematúria, febre ou calafrios;
  • Encaminhar a bolsa para análise no Serviço Transfusional em caso de intercorrências;
  • Notificar qualquer suspeita de reação relacionada à transfusão;
  • Descartar adequadamente o material utilizado, em conformidade com os procedimentos operacionais padrão (POP);
  • Documentar todas as atividades relacionadas à doação e transfusão, incluindo data, horário de início e término, sinais vitais, identificação das bolsas, identificação do profissional e registro de reações adversas.

A transfusão de sangue deve ser apropriada às necessidades de saúde do paciente, proporcionada a tempo e administrada corretamente. Mesmo realizada dentro das normas preconizadas, indicada e administrada corretamente, a transfusão de sangue envolve risco sanitário.

Dentre as complicações, incluem-se aquelas devido à contaminação bacteriana, reações hemolíticas agudas ocasionadas por incompatibilidade do sistema ABO, reações anafiláticas, sobrecarga volêmica, dentre outras.

O registro das informações relacionadas à transfusão de sangue é de extrema importância, pois serve para verificar se a transfusão ocorreu de acordo com as normas vigentes. O monitoramento de todo o processo transfusional objetiva detectar queixas, sinais e sintomas que possam evidenciar reações transfusionais. O registro e o acompanhamento dos eventos adversos associados à transfusão contribuem para a garantia da segurança e o controle da qualidade durante todo o processo.

Ter uma equipe sempre bem treinada e qualificada contribui para diminuir o risco de eventos adversos no tratamento de transfusão sanguínea.

Referência bibliográfica: Resolução COFEN nº 629/2020

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