Cuidados com o PICC: guia de manutenção para Enfermeiros

Cuidados com o PICC: guia de manutenção para Enfermeiros

Postado em 23/05/2026

Inserir bem é metade do trabalho. A outra metade é manter o PICC funcionando, sem infecção e sem trombose, por todo o tratamento.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA manutenção do PICC se resume a sete cuidados diários: higiene das mãos, inspeção do sítio, curativo íntegro no prazo certo, fixação sem sutura, desinfecção do conector a cada acesso, flushing pulsátil com seringa de 10 mL e medida da circunferência do braço. Somados ao registro correto e à revisão diária da necessidade do cateter, eles previnem as principais complicações: infecção, obstrução, trombose e deslocamento.

Checklist diário do PICC

ItemO que avaliarConduta
Sítio de inserçãoHiperemia, edema, dor, secreção, sangramentoInspecionar diariamente pelo curativo transparente; comunicar alterações
CurativoAderência, umidade, sujidade, dataFilme transparente a cada 7 dias ou gaze a cada 48 horas, e sempre que comprometido
FixaçãoDispositivo de estabilização íntegroUsar fixação sem sutura e trocar junto com o curativo
Comprimento externoCentímetros expostos em relação à inserçãoDiferença sugere migração: não reintroduza o cateter
Circunferência do braçoMedida 10 cm acima do sítio, comparada à basalAumento de 2 a 3 cm ou mais com dor e edema sugere trombose
FunçãoRefluxo e infusão sem resistênciaFlushing pulsátil antes e depois de cada uso
NecessidadeIndicação ainda presenteRetirar o cateter sem indicação

Troca de curativo passo a passo

  1. Higienize as mãos, use máscara e luvas de procedimento para retirar o curativo, puxando o filme do sentido distal para o proximal, para não tracionar o cateter.
  2. Avalie o sítio, meça o comprimento externo e higienize as mãos novamente.
  3. Com luvas estéreis, faça a antissepsia com clorexidina alcoólica acima de 0,5% e deixe secar completamente.
  4. Troque o dispositivo de fixação sem sutura, se for o caso.
  5. Aplique o filme transparente estéril sem tensionar a pele e identifique com data, hora e responsável.

Seringa, flushing e conectores

Use seringa de 10 mL de diâmetro para flushing e para testar a permeabilidade. Seringas menores geram pressão maior e podem romper o cateter. O flushing com soro fisiológico 0,9% em técnica pulsátil vem antes e depois de cada medicamento, entre fármacos incompatíveis e após coleta de sangue. O conector sem agulha deve ser desinfetado com álcool 70% por 5 a 15 segundos a cada acesso e trocado no intervalo do fabricante ou sempre que houver sangue ou resíduo.

Orientação ao paciente

  • Proteger o curativo com plástico no banho e não molhar o sítio.
  • Evitar carregar peso e movimentos repetitivos intensos com o braço do cateter.
  • Não aferir pressão arterial nem garrotear o braço do PICC.
  • Avisar a equipe se houver febre, dor, inchaço no braço ou se o curativo descolar.

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo trocar o curativo do PICC?

Filme transparente a cada 7 dias e gaze a cada 48 horas, ou antes, se estiver úmido, sujo ou descolado.

Pode medir pressão no braço do PICC?

Não. Use o outro braço para aferir pressão e evitar garrote no membro do cateter.

O que fazer se o PICC saiu alguns centímetros?

Não reintroduza. Fixe, registre o comprimento externo e avalie com a equipe a posição da ponta antes de usar o cateter.

Como medir a circunferência do braço?

Sempre no mesmo ponto, 10 cm acima do sítio de inserção, comparando com a medida feita no dia da inserção.

Do primeiro curativo à retirada

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Referências

  1. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
  3. O'Grady NP, Alexander M, Burns LA, et al. Guidelines for the prevention of intravascular catheter-related infections. Clin Infect Dis. 2011;52(9):e162-e193. doi:10.1093/cid/cir257.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258, de 12 de julho de 2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem.
  6. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 754/2024. Dispõe sobre o registro das ações de enfermagem no prontuário do paciente, inclusive em meio eletrônico. Brasília: Cofen; 2024.
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