PICC: o que é, indicações e vantagens (guia completo)
Postado em 20/05/2026
Tudo o que o Enfermeiro precisa saber sobre o cateter central de inserção periférica, da origem à indicação baseada em evidências.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaO PICC (cateter central de inserção periférica) é um cateter longo inserido em uma veia do braço, de preferência no terço médio e guiado por ultrassom, cuja ponta fica no terço inferior da veia cava superior ou na junção cavoatrial. É indicado para terapias intravenosas de média e longa duração, medicamentos vesicantes, irritantes ou hiperosmolares, nutrição parenteral e tratamento domiciliar. No Brasil, sua inserção é lícita ao Enfermeiro qualificado desde a Resolução Cofen nº 258/2001.
O que é o PICC
PICC é a sigla em inglês de Peripherally Inserted Central Catheter. Em português, cateter central de inserção periférica (CCIP). É inserido por punção de uma veia periférica do braço (basílica, braquial ou cefálica) e progride até a veia cava superior. Como a ponta fica em um vaso de alto fluxo, soluções agressivas são rapidamente diluídas, o que protege o endotélio.
Uma breve história
A ideia de alcançar o coração por uma veia do braço remonta a 1929, quando o médico alemão Werner Forssmann introduziu um cateter na própria veia antecubital até o átrio direito e documentou o feito por radiografia. O trabalho rendeu a ele, junto de André Cournand e Dickinson Richards, o Prêmio Nobel de Medicina de 1956. Décadas depois, cateteres flexíveis de silicone e poliuretano, a punção guiada por ultrassom e a confirmação da ponta por ECG transformaram o PICC no dispositivo que conhecemos hoje.
Materiais e configurações
| Característica | Opções | Observação |
|---|---|---|
| Material | Silicone ou poliuretano | O poliuretano permite paredes mais finas, mais fluxo e versões para injeção sob pressão |
| Lúmens | Mono, duplo ou triplo | Use o menor número de lúmens necessário: cada lúmen a mais aumenta calibre, trombose e infecção |
| Calibre | De 1 a 6 Fr, aproximadamente | Escolhido pela relação cateter-veia de até 45% |
| Ponta | Aberta ou valvulada | Define o protocolo de clampeamento e lock |
Indicações
- Terapia intravenosa prevista para mais de 14 dias, ou entre 6 e 14 dias quando a solução não é compatível com veia periférica.
- Medicamentos vesicantes ou irritantes de infusão contínua, como alguns quimioterápicos e drogas vasoativas.
- Soluções hiperosmolares, como nutrição parenteral acima de 900 mOsm/L.
- Antibioticoterapia prolongada, como em osteomielite e endocardite.
- Terapia intravenosa domiciliar ou ambulatorial.
- Neonatos e crianças com necessidade de acesso prolongado.
Esses critérios seguem o painel MAGIC (Michigan Appropriateness Guide for Intravenous Catheters), que também considera inadequado inserir PICC para terapias de até 5 dias e recomenda evitá-lo em pacientes com doença renal crônica avançada, para preservar veias para futura fístula.
Vantagens em relação ao cateter venoso central de punção direta
- Sem risco de pneumotórax ou hemotórax na inserção.
- Inserção pelo Enfermeiro qualificado, no próprio leito do paciente.
- Maior conforto e permanência de semanas a meses.
- Possibilidade de alta com o cateter para tratamento domiciliar.
Como é a inserção hoje
- Avaliação da indicação e escolha do dispositivo.
- Ultrassom para mapear veias e escolher o sítio pelo método ZIM.
- Medida externa do comprimento até a junção cavoatrial.
- Punção ecoguiada com técnica de Seldinger modificada e barreira máxima estéril.
- Confirmação da ponta por ECG intracavitário ou radiografia.
- Fixação sem sutura, curativo e registro completo.
Perguntas frequentes
Quem pode passar PICC no Brasil?
O Enfermeiro qualificado e capacitado, conforme a Resolução Cofen nº 258/2001, além de médicos. Na equipe de enfermagem, é atividade privativa do Enfermeiro.
Quanto tempo o PICC pode ficar?
Enquanto houver indicação e o cateter funcionar sem complicações, o que pode significar semanas ou meses. Não há troca programada.
PICC é acesso central ou periférico?
É acesso central. A inserção é periférica, mas a ponta fica na veia cava superior.
Por que não usar a fossa antecubital?
Porque a flexão do cotovelo aumenta flebite, trombose e perda do curativo. Com ultrassom, prefere-se o terço médio do braço.
Teoria, prática com ultrassom e confirmação da ponta na Habilitação em PICC e Acesso Venoso com USG.
Referências
- Chopra V, Flanders SA, Saint S, et al. The Michigan Appropriateness Guide for Intravenous Catheters (MAGIC): results from a multispecialty panel using the RAND/UCLA Appropriateness Method. Ann Intern Med. 2015;163(6 Suppl):S1-S40. doi:10.7326/M15-0744.
- Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
- Forssmann W. Die Sondierung des rechten Herzens. Klin Wochenschr. 1929;8:2085-2087.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258, de 12 de julho de 2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679/2021. Aprova a normatização da realização de ultrassonografia à beira do leito e no ambiente pré-hospitalar por Enfermeiro. Brasília: Cofen; 2021.
