PICC na oncologia: quimioterapia com segurança

PICC na oncologia: quimioterapia com segurança

Postado em 14/05/2026

O paciente oncológico precisa de um acesso que dure o tratamento e proteja as veias. Veja quando o PICC é a melhor escolha.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO PICC é uma boa opção para quimioterapia de semanas a poucos meses, principalmente com drogas vesicantes ou irritantes em infusão contínua e em tratamento ambulatorial ou domiciliar. Para terapias longas e intermitentes, o cateter totalmente implantado (port) costuma ser preferido. Pacientes com câncer têm risco maior de trombose, o que exige escolha cuidadosa do calibre e vigilância do braço. A administração de quimioterápicos é regulada pela Resolução Cofen nº 569/2018.

Por que a quimioterapia pede acesso central

Muitos antineoplásicos agridem o endotélio. Os vesicantes, como antraciclinas (doxorrubicina, epirrubicina), alcaloides da vinca (vincristina, vinorelbina) e mitomicina, causam necrose se extravasarem. Os irritantes provocam dor e flebite química. Infundidos na veia cava, esses fármacos são diluídos pelo fluxo alto e o risco de lesão local cai muito.

PICC, port ou tunelizado

SituaçãoDispositivo preferido
Quimioterapia de semanas a poucos meses, infusões contínuas, uso domiciliarPICC
Ciclos intermitentes por muitos meses, desejo de liberdade para banho e atividadesPort (cateter totalmente implantado)
Uso diário e intenso, transplante de medula óssea, coletas frequentesCateter tunelizado

Câncer e trombose

O câncer e alguns quimioterápicos aumentam a coagulabilidade do sangue. Por isso, a trombose venosa associada ao PICC é mais frequente em pacientes oncológicos. As medidas que mais reduzem esse risco são: usar o menor calibre e o menor número de lúmens possível, respeitar a relação cateter-veia de até 45%, posicionar a ponta na junção cavoatrial e vigiar diariamente dor, edema e circunferência do braço.

Cuidados na infusão de quimioterápicos pelo PICC

  1. Confirme a posição da ponta e o registro do cateter antes do primeiro ciclo.
  2. Teste o refluxo e faça flushing antes da infusão.
  3. Verifique a dupla checagem da quimioterapia conforme protocolo.
  4. Durante a infusão de vesicantes, avalie o sítio e pergunte sobre dor, ardor ou edema.
  5. Faça flushing entre drogas e ao final, com o volume do protocolo.
  6. Use EPI para manipulação de antineoplásicos e descarte adequado.

Perguntas frequentes

PICC ou port para quimioterapia?

PICC para tratamentos de semanas a poucos meses e infusões contínuas; port para ciclos intermitentes por muitos meses. A decisão é individual e envolve a equipe oncológica.

Pode fazer quimioterapia vesicante pelo PICC?

Sim, desde que a ponta esteja na posição central confirmada e o cateter esteja funcionando sem sinais de complicação.

Paciente com câncer tem mais trombose no PICC?

Sim. Por isso a escolha do calibre, a posição da ponta e a vigilância do braço são ainda mais importantes.

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Referências

  1. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 569/2018. Aprova o Regulamento Técnico da Atuação dos Profissionais de Enfermagem em Quimioterapia Antineoplásica. Brasília: Cofen; 2018.
  2. Pérez Fidalgo JA, García Fabregat L, Cervantes A, et al. Management of chemotherapy extravasation: ESMO-EONS Clinical Practice Guidelines. Ann Oncol. 2012;23(Suppl 7):vii167-vii173. doi:10.1093/annonc/mds294.
  3. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258, de 12 de julho de 2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros.
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