Cateter tunelizado de longa permanência: guia de cuidados

Cateter tunelizado de longa permanência: guia de cuidados

Postado em 22/05/2026

Hickman, Broviac, Proline e outros: o que todo cateter tunelizado tem em comum e como cuidar dele no hospital e em casa.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO cateter venoso central tunelizado é implantado com um trajeto sob a pele entre a entrada na veia e a saída no tórax, onde um cuff de poliéster estimula fibrose e ancora o dispositivo. Esse desenho reduz a migração de bactérias e permite uso por meses. É indicado para quimioterapia, nutrição parenteral, antibioticoterapia longa e hemodiálise. Os cuidados centrais são o curativo do óstio, o flushing e lock conforme fabricante e a vigilância de infecção e de deslocamento do cuff.

Como o cateter tunelizado é construído

A ponta do cateter fica na veia cava, como em qualquer cateter central. A diferença está no trajeto: entre a veia (em geral jugular interna ou subclávia) e a pele, o cateter percorre um túnel subcutâneo de alguns centímetros. No meio desse túnel fica o cuff, um anel de poliéster que, em cerca de duas a três semanas, é envolvido por tecido fibroso. Esse tecido fixa o cateter e cria uma barreira contra bactérias que migram da pele.

Exemplos conhecidos são os cateteres do tipo Hickman e Broviac, os de hemodiálise de longa permanência (permcath) e modelos de poliuretano compatíveis com injeção sob pressão, como o Proline, conforme especificação do fabricante.

Tunelizado, PICC ou port: como escolher

DispositivoPermanênciaMelhor paraLimites
PICCSemanas a mesesTerapias de média duração, inserção pelo Enfermeiro qualificadoOcupa o braço; risco de trombose do membro superior
Tunelizado com cuffMesesUso frequente e prolongado, coleta de sangue frequente, hemodiáliseImplantação por médico em ambiente apropriado; parte externa exige curativo
Port (cateter totalmente implantado)Meses a anosUso intermitente, como ciclos de quimioterapiaExige punção com agulha não cortante a cada uso

Indicações mais comuns

  • Quimioterapia, especialmente com agentes vesicantes.
  • Nutrição parenteral prolongada, inclusive domiciliar.
  • Antibioticoterapia de longa duração.
  • Hemodiálise sem fístula disponível.
  • Transplante de medula óssea e necessidade de coletas frequentes.

Cuidados de enfermagem

  • Óstio: inspeção diária; curativo transparente a cada 7 dias ou gaze a cada 48 horas nas primeiras semanas. Após a cicatrização completa do túnel, alguns protocolos permitem óstio sem curativo em pacientes selecionados.
  • Fixação: antes da fibrose do cuff, o cateter pode sair com tração. Mantenha estabilização e oriente o paciente.
  • Flushing: soro fisiológico 0,9% com técnica pulsátil e seringa de 10 mL antes e depois de cada uso.
  • Lock: soro fisiológico ou heparina, conforme fabricante e protocolo. Nos cateteres de hemodiálise, respeite o volume de preenchimento impresso em cada via.
  • Clampes: clampeie nos pontos reforçados, alternando o local para não enfraquecer a parede.

Perguntas frequentes

Para que serve o cuff do cateter tunelizado?

Ele é envolvido por tecido fibroso após algumas semanas, o que ancora o cateter e dificulta a migração de bactérias da pele pelo trajeto.

Cateter tunelizado pode ser retirado pelo Enfermeiro?

A retirada exige dissecção do cuff e costuma ser feita por médico. Siga o protocolo institucional.

Quanto tempo dura um cateter tunelizado?

Meses, enquanto houver indicação e o cateter estiver funcionando sem complicações.

Qual a diferença entre tunelizado e port?

O tunelizado tem uma parte externa no tórax; o port fica totalmente sob a pele e é acessado por punção com agulha própria.

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Referências

  1. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
  3. Pittiruti M, Hamilton H, Biffi R, MacFie J, Pertkiewicz M. ESPEN Guidelines on Parenteral Nutrition: central venous catheters (access, care, diagnosis and therapy of complications). Clin Nutr. 2009;28(4):365-377. doi:10.1016/j.clnu.2009.03.015.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem.
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