PICC para vesicantes e soluções hiperosmolares

PICC para vesicantes e soluções hiperosmolares

Postado em 04/05/2026

pH, osmolaridade e potencial vesicante decidem se uma solução pode correr na veia periférica. Entenda os critérios.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaSoluções com osmolaridade acima de 900 mOsm/L, pH muito ácido ou alcalino e fármacos vesicantes em infusão contínua lesam o endotélio periférico e causam flebite química, trombose e necrose por extravasamento. Para elas, as diretrizes indicam acesso venoso central, em que o fluxo alto da veia cava dilui a solução. O PICC é uma das opções centrais mais seguras para essas terapias.

As três propriedades que importam

PropriedadeReferênciaRisco na veia periférica
OsmolaridadePlasma em torno de 290 mOsm/L; acima de 900 mOsm/L, a INS indica acesso centralFlebite química e trombose
pHValores muito distantes do pH do sangue (cerca de 7,4) são mais agressivosIrritação endotelial
VesicânciaCapacidade de causar bolhas e necrose quando extravasaLesão grave de tecidos em extravasamento

Exemplos frequentes

  • Hiperosmolares: nutrição parenteral completa, glicose 50%, bicarbonato de sódio 8,4%, cálcio e potássio em altas concentrações.
  • Vesicantes não quimioterápicos: noradrenalina e outros vasopressores, gluconato de cálcio, alguns contrastes, fenitoína, prometazina.
  • Quimioterápicos vesicantes: antraciclinas, alcaloides da vinca, mitomicina.
  • pH extremo: vancomicina (ácida) e aciclovir e fenitoína (alcalinos), entre outros.

Listas de vesicantes e irritantes devem ser padronizadas pela farmácia de cada serviço, porque a agressividade depende também da concentração e do tempo de infusão.

Por que o PICC resolve

Com a ponta no terço inferior da veia cava superior ou na junção cavoatrial, a solução é diluída por um fluxo de vários litros por minuto. Isso reduz drasticamente o contato agressivo com o endotélio. O cateter de linha média, ao contrário, termina em veia periférica e não deve receber vesicantes em infusão contínua nem soluções acima de 900 mOsm/L.

Perguntas frequentes

Qual osmolaridade exige acesso central?

Acima de 900 mOsm/L, segundo as diretrizes da INS.

Noradrenalina pode correr em acesso periférico?

Em emergências, por curto período, em veia calibrosa e com vigilância intensa, conforme protocolo. Para infusão prolongada, prefere-se acesso central.

Cateter de linha média aceita vesicantes?

Não em infusão contínua. A ponta fica em veia periférica.

Acesso certo para cada solução

Indicação, inserção ecoguiada e manutenção do PICC na Habilitação em PICC e Acesso Venoso com USG.

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Referências

  1. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
  2. Chopra V, Flanders SA, Saint S, et al. The Michigan Appropriateness Guide for Intravenous Catheters (MAGIC). Ann Intern Med. 2015;163(6 Suppl):S1-S40. doi:10.7326/M15-0744.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258, de 12 de julho de 2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem.
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