Bronquiolite viral aguda: cuidados de enfermagem
Postado em 11/10/2026
A bronquiolite lota as emergências pediátricas todos os anos. O tratamento é de suporte, e é justamente aí que o cuidado de enfermagem faz a diferença entre uma internação curta e uma piora não percebida.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA bronquiolite viral aguda é uma infecção das vias aéreas inferiores que atinge principalmente lactentes, e o vírus sincicial respiratório (VSR) é o agente mais frequente. O diagnóstico é clínico e o tratamento é de suporte: desobstrução nasal, oxigênio quando a saturação está abaixo do alvo, hidratação e alimentação adequadas e monitorização dos sinais de gravidade. Diretrizes internacionais não recomendam o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou fisioterapia respiratória. A enfermagem avalia o esforço respiratório, aspira as narinas, controla a hidratação, previne a transmissão e orienta a família.
O que é a bronquiolite e quem tem mais risco
A bronquiolite começa como um resfriado, com coriza e tosse, e evolui em alguns dias para sibilância, taquipneia e esforço respiratório, por inflamação, edema e acúmulo de muco nos bronquíolos. A maioria das crianças tem quadro leve e se recupera em casa, mas lactentes pequenos podem precisar de internação. Têm maior risco de evolução grave:
- prematuros e lactentes nos primeiros meses de vida;
- crianças com cardiopatia congênita ou doença pulmonar crônica, como a broncodisplasia;
- imunocomprometidos;
- crianças com doenças neuromusculares, síndrome de Down ou anomalias das vias aéreas.
Sinais de gravidade que a enfermagem deve reconhecer
| Sinal | O que observar |
|---|---|
| Esforço respiratório | Tiragens subcostais, intercostais ou de fúrcula, batimento de asa de nariz, gemência, balanço toracoabdominal |
| Frequência respiratória | Taquipneia persistente para a idade, contada por 1 minuto |
| Apneia | Pausas respiratórias, especialmente em prematuros e menores de 2 meses |
| Oxigenação | Saturação abaixo do alvo do protocolo, cianose |
| Hidratação e alimentação | Recusa das mamadas, ingestão reduzida, poucas fraldas molhadas |
| Estado geral | Letargia, irritabilidade intensa, cansaço ao mamar |
Os sinais oscilam muito ao longo do dia, porque a obstrução por muco muda rapidamente. Avaliações seriadas, de preferência com escore padronizado, são mais úteis que uma avaliação isolada.
Tratamento: o que funciona e o que não é recomendado
A diretriz da Academia Americana de Pediatria e a do NICE, do Reino Unido, convergem em pontos centrais:
- Recomendado: desobstrução nasal, oxigênio suplementar quando a saturação está abaixo do limite definido, suporte nutricional e hidratação (por sonda ou intravenosa quando a via oral não é suficiente) e, nos casos mais graves, suporte respiratório não invasivo como cateter nasal de alto fluxo ou CPAP, conforme avaliação médica.
- Não recomendado de rotina: broncodilatadores, adrenalina, corticoides sistêmicos, antibióticos sem infecção bacteriana confirmada e fisioterapia respiratória convencional.
Os limites de saturação para iniciar oxigênio variam entre diretrizes e protocolos locais, e a prescrição é médica. Cabe à enfermagem manter a monitorização, ajustar a oferta conforme a prescrição e comunicar alterações.
Cuidados de enfermagem na internação
- Desobstrução nasal: lavagem com soro fisiológico e aspiração superficial das narinas antes das mamadas e quando houver obstrução. Aspiração profunda de rotina não é recomendada.
- Posicionamento: cabeceira levemente elevada, sempre respeitando as regras de sono seguro e a monitorização.
- Alimentação: mamadas em menor volume e mais frequentes, observando cansaço e engasgo. Registrar aceitação, diurese e peso.
- Oxigenoterapia: umidificação e aquecimento conforme o dispositivo, cuidado com a pele do rosto e com o posicionamento do cateter.
- Manipulação mínima: agrupar cuidados para preservar o descanso e reduzir o gasto de energia.
- Controle de infecção: higiene das mãos, precauções de contato e gotículas conforme a CCIH, coorte de pacientes com o mesmo agente quando possível.
Prevenção do VSR
A prevenção passou por mudanças importantes. O Ministério da Saúde incorporou ao SUS o anticorpo monoclonal nirsevimabe. A Nota Técnica nº 109/2025 do Ministério da Saúde indica o medicamento para prematuros nascidos com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias e para crianças de até 24 meses com condições como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas. Em 2025, a Conitec também aprovou a incorporação de vacina contra o VSR para gestantes, que protege o bebê nos primeiros meses por meio de anticorpos maternos. Confira o calendário e as notas técnicas vigentes para idades e semanas gestacionais.
Medidas gerais continuam essenciais: higiene das mãos, evitar contato do bebê com pessoas resfriadas, evitar exposição ao tabaco e manter o aleitamento materno.
Perguntas frequentes
Nebulização com broncodilatador ajuda na bronquiolite?
As diretrizes da AAP e do NICE não recomendam o uso rotineiro de broncodilatadores na bronquiolite. A decisão é médica e deve seguir o protocolo do serviço.
Fisioterapia respiratória é indicada?
A fisioterapia respiratória convencional não é recomendada de rotina pelas diretrizes internacionais. Casos específicos, como crianças com comorbidades, são avaliados individualmente pela equipe.
Quem tem direito ao nirsevimabe no SUS?
Segundo a Nota Técnica nº 109/2025 do Ministério da Saúde, prematuros com até 36 semanas e 6 dias e crianças de até 24 meses com comorbidades específicas. Confira os critérios atualizados com a vigilância do seu município.
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Referências
- Ralston SL, Lieberthal AS, Meissner HC, et al. Clinical practice guideline: the diagnosis, management, and prevention of bronchiolitis. Pediatrics. 2014;134(5):e1474-502.
- National Institute for Health and Care Excellence. Bronchiolitis in children: diagnosis and management. NICE guideline NG9. London: NICE; 2015 (atualizada em 2021).
- Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 109/2025-CGICI/DPNI/SVSA/MS. Nirsevimabe para prevenção de doença pelo vírus sincicial respiratório. Brasília; 2025.
- Brasil. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Protocolo de uso do nirsevimabe. Brasília; 2026.
