Sinais vitais em pediatria: valores de referência por idade

Sinais vitais em pediatria: valores de referência por idade

Postado em 11/10/2026

A frequência cardíaca normal de um recém-nascido seria taquicardia em um adolescente. Conheça as faixas de referência por idade e as técnicas que tornam a aferição confiável.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaEm pediatria, os sinais vitais mudam com a idade: a frequência cardíaca e a respiratória são mais altas no recém-nascido e caem ao longo da infância, enquanto a pressão arterial sobe. Por isso, cada valor deve ser interpretado pela faixa etária, pelo estado da criança (dormindo, chorando, com febre) e pela tendência ao longo do tempo. As faixas de referência variam entre as fontes, e o serviço deve adotar uma tabela padronizada, de preferência ligada a um escore de alerta precoce pediátrico.

Por que a idade muda tudo

A criança mantém o débito cardíaco principalmente pela frequência cardíaca, porque o volume sistólico é pequeno nos primeiros anos. A taxa metabólica também é maior, o que eleva a frequência respiratória. Com o crescimento, essas frequências caem e a pressão arterial sobe. Um mesmo número pode, portanto, ser normal em uma idade e sinal de alarme em outra. Além disso, a criança compensa por muito tempo: taquicardia e taquipneia persistentes costumam aparecer antes da queda da pressão arterial, que é um sinal tardio de choque.

Faixas de referência por idade

As tabelas abaixo reproduzem faixas aproximadas publicadas na referência clínica Medscape (Pediatric Vital Signs Normal Ranges). Outras fontes, como o PALS da American Heart Association e a revisão sistemática de Fleming e colaboradores, trazem valores um pouco diferentes. Use a tabela adotada pelo seu serviço.

Frequência cardíaca (bpm)

IdadeFaixa aproximada
Recém-nascido100 a 160
0 a 5 meses90 a 150
6 a 12 meses80 a 140
1 a 3 anos80 a 130
3 a 5 anos80 a 120
6 a 10 anos70 a 110
11 a 14 anos60 a 105
15 anos ou mais60 a 100

Frequência respiratória (irpm)

IdadeFaixa aproximada
Recém-nascido30 a 50
0 a 5 meses25 a 40
6 meses a 5 anos20 a 30
6 a 10 anos15 a 30
11 a 14 anos12 a 20

Pressão arterial (mmHg)

IdadeSistólicaDiastólica
1 a 12 meses75 a 10050 a 70
1 a 5 anos80 a 11050 a 80
6 a 13 anos85 a 12055 a 80
13 a 18 anos95 a 14060 a 90

Para diagnosticar hipertensão em crianças e adolescentes, não basta uma faixa por idade: as diretrizes usam percentis por sexo, idade e estatura, como as tabelas da Academia Americana de Pediatria de 2017 adotadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Como aferir cada sinal na criança

  • Frequência respiratória: conte por 1 minuto inteiro, com a criança calma, de preferência antes de tocá-la. Em lactentes, observe o abdome, já que a respiração é predominantemente abdominal. Registre também esforço respiratório: tiragens, batimento de asa de nariz, gemência.
  • Frequência cardíaca: em lactentes, prefira a ausculta apical por 1 minuto. Em crianças maiores, o pulso radial é adequado. O oxímetro ajuda, mas confira se a curva de pulso é confiável.
  • Pressão arterial: use manguito com largura adequada ao braço da criança. Manguito pequeno superestima e manguito grande subestima a pressão. Registre o membro e a posição.
  • Temperatura: siga o local e o método padronizados no serviço (axilar é o mais usado no Brasil) e registre o método. A definição numérica de febre varia entre protocolos.
  • Saturação de oxigênio: use sensor pediátrico ou neonatal adequado, com a criança aquecida e quieta, e aguarde leitura estável.

Escores de alerta precoce pediátricos

Escores como o PEWS (Pediatric Early Warning Score) combinam sinais vitais, comportamento, perfusão e esforço respiratório para identificar precocemente a criança que está piorando e acionar a equipe médica ou o time de resposta rápida. A implantação exige tabela de referência padronizada, treinamento e um fluxo claro de acionamento. A enfermagem, que afere e registra os sinais vitais, é quem mais frequentemente reconhece a deterioração.

Perguntas frequentes

Por que os valores mudam de uma tabela para outra?

Cada fonte usa populações e métodos diferentes. O importante é o serviço adotar uma referência única e treinar a equipe para usá-la junto com a avaliação clínica.

Qual é o melhor local para contar a frequência cardíaca do bebê?

Em lactentes, a ausculta apical por um minuto é a forma mais confiável. Pulsos periféricos são mais difíceis de palpar nessa idade.

Preciso medir a pressão arterial em toda criança?

A frequência depende do contexto clínico e do protocolo do serviço. Em internação e emergência, a pressão arterial faz parte da avaliação, com manguito adequado ao tamanho do braço.

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Referências

  1. Medscape. Pediatric vital signs normal ranges. Disponível em: https://emedicine.medscape.com/article/2172054-overview.
  2. Fleming S, Thompson M, Stevens R, et al. Normal ranges of heart rate and respiratory rate in children from birth to 18 years of age: a systematic review of observational studies. Lancet. 2011;377(9770):1011-8.
  3. American Heart Association. Pediatric Advanced Life Support Provider Manual. Dallas: AHA; 2020.
  4. Flynn JT, Kaelber DC, Baker-Smith CM, et al. Clinical practice guideline for screening and management of high blood pressure in children and adolescents. Pediatrics. 2017;140(3):e20171904.
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