Calendário vacinal da criança: guia para a enfermagem

Calendário vacinal da criança: guia para a enfermagem

Postado em 11/10/2026

Um guia de consulta rápida do Calendário Nacional de Vacinação da criança, com os pontos que mais geram dúvida na sala de vacina e o que a enfermagem precisa conferir em cada atendimento.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaNo Calendário Nacional de Vacinação de 2026, a criança recebe BCG e hepatite B ao nascer; pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus aos 2 e 4 meses; meningocócica C aos 3 e 5 meses; terceira dose de pentavalente e VIP aos 6 meses; febre amarela aos 9 meses; tríplice viral, meningocócica ACWY e reforço da pneumocócica aos 12 meses; e reforços aos 15 meses e aos 4 anos. O calendário muda com frequência, por isso a enfermagem deve sempre conferir a instrução normativa vigente do Ministério da Saúde antes de aplicar e aprazar doses.

Por que conferir sempre o calendário vigente

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) revisa o calendário a cada ano por meio de instrução normativa do Ministério da Saúde. Nos últimos anos houve trocas de vacinas, mudanças de idade e novas indicações. Por isso, este guia reflete o calendário da criança de 2026 publicado pelo Ministério da Saúde e deve ser usado como apoio, nunca como substituto do documento oficial e das notas técnicas do seu estado.

Calendário da criança por idade (2026)

IdadeVacinas
Ao nascerBCG (dose única) e hepatite B (dose ao nascer)
2 mesesPentavalente (DTP+Hib+HB) 1ª dose, VIP 1ª dose, pneumocócica 10-valente 1ª dose, rotavírus 1ª dose
3 mesesMeningocócica C 1ª dose
4 mesesPentavalente 2ª dose, VIP 2ª dose, pneumocócica 10-valente 2ª dose, rotavírus 2ª dose
5 mesesMeningocócica C 2ª dose
6 mesesPentavalente 3ª dose, VIP 3ª dose, influenza 1ª dose, covid-19 1ª dose
7 mesesCovid-19 2ª dose
9 mesesFebre amarela (1 dose) e covid-19 3ª dose (conforme o imunizante)
12 mesesTríplice viral 1ª dose, pneumocócica 10-valente reforço, meningocócica ACWY
15 mesesDTP 1º reforço, VIP reforço, tríplice viral 2ª dose, varicela 1ª dose, hepatite A (dose única)
4 anosDTP 2º reforço, febre amarela reforço, varicela 2ª dose
9 anosHPV quadrivalente (dose única, de 9 a 14 anos)

Fonte: Calendário Nacional de Vacinação da criança, Ministério da Saúde, 2026. Há ainda indicações para grupos específicos, como a pneumocócica 23-valente para crianças indígenas a partir de 5 anos sem vacinação prévia com pneumocócica conjugada, e a dT a partir de 7 anos para completar esquemas atrasados.

Pontos que mais geram erro na sala de vacina

  • Rotavírus tem idade máxima. A 1ª dose pode ser aplicada de 1 mês e 15 dias até 11 meses e 29 dias; a 2ª, de 3 meses e 15 dias até 23 meses e 29 dias, com intervalo mínimo de 30 dias. Se a 1ª dose não for feita dentro do prazo, a criança perde a oportunidade de vacinar.
  • Influenza na primeira vez são duas doses. Crianças de 6 meses a menores de 6 anos devem ser vacinadas todo ano. Quem recebe a vacina pela primeira vez precisa de 2 doses com intervalo de 30 dias; nos anos seguintes, 1 dose.
  • Febre amarela antes dos 9 meses só em situação excepcional. Entre 6 e 8 meses, a vacina pode ser feita quando o risco é alto e a vacinação não pode ser adiada, como em áreas com transmissão ativa, após avaliação do serviço de saúde. Para viagem, aplique pelo menos 10 dias antes.
  • Varicela e tetraviral. Na falta da varicela monovalente, a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) pode ser usada, conforme orientação do calendário.
  • Covid-19 depende do imunizante. O esquema pode ter 2 doses (6 e 7 meses) ou 3 doses (6, 7 e 9 meses), conforme a vacina disponível, com regras próprias para esquemas incompletos e para imunocomprometidos.

Atraso vacinal: como resgatar

Criança com esquema atrasado não reinicia o esquema: as doses já aplicadas valem, e o profissional completa o que falta respeitando idades máximas e intervalos mínimos entre doses. A exceção mais importante é o rotavírus, que não é aplicado fora da faixa etária. A busca ativa de faltosos, feita com a equipe de Saúde da Família e os agentes comunitários, é uma ação central da enfermagem na Atenção Primária.

Eventos supostamente atribuíveis à vacinação

A família deve sair da sala de vacina sabendo quais reações locais e sistêmicas são esperadas, como febre baixa e dor no local, e quais sinais exigem retorno. Eventos adversos devem ser notificados conforme o manual de vigilância epidemiológica de eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização (ESAVI) do Ministério da Saúde. Crianças com condições especiais podem ter indicação de imunobiológicos nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Perguntas frequentes

Pode aplicar várias vacinas no mesmo dia?

Sim. A aplicação simultânea das vacinas previstas para a mesma idade é a regra do calendário, respeitando os locais de aplicação recomendados e as exceções previstas nas normas do PNI.

Criança com febre pode vacinar?

Doença aguda moderada ou grave com febre é motivo para adiar a vacinação até a melhora. Quadros leves, como resfriado sem febre alta, em geral não contraindicam. Na dúvida, siga o manual de normas e procedimentos do PNI.

Onde conferir o calendário oficial?

No site do Ministério da Saúde, na instrução normativa do Calendário Nacional de Vacinação do ano vigente, e nas notas técnicas da secretaria estadual de saúde.

Imunização na Atenção Primária

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação 2026: criança. Brasília: Ministério da Saúde; 2026.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Instrução normativa que instrui o Calendário Nacional de Vacinação 2026. Brasília: Ministério da Saúde; 2026.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de normas e procedimentos para vacinação. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 109/2025-CGICI/DPNI/SVSA/MS. Nirsevimabe para prevenção de doença pelo vírus sincicial respiratório. Brasília; 2025.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de vigilância epidemiológica de eventos adversos pós-vacinação. Brasília: Ministério da Saúde.
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