Acesso vascular para hemodiálise: cateter, permcath e FAV

Acesso vascular para hemodiálise: cateter, permcath e FAV

Postado em 29/05/2026

O acesso vascular é a linha da vida do paciente em hemodiálise. Veja como escolher, proteger e avaliar cada tipo.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaHá três tipos principais de acesso para hemodiálise: o cateter não tunelizado, para uso de curto prazo e urgência; o cateter tunelizado com cuff (permcath), para uso prolongado enquanto não há fístula; e a fístula arteriovenosa (FAV), acesso de escolha para a maioria dos pacientes crônicos, por durar mais e infectar menos. A enfermagem avalia o acesso a cada sessão, protege o membro da fístula e manipula o cateter com técnica asséptica rigorosa.

Por que o acesso define o tratamento

A hemodiálise depende de um acesso capaz de oferecer fluxo de sangue elevado, de forma repetida, três vezes por semana ou mais. Fluxo insuficiente significa diálise inadequada. Infecção ou trombose do acesso significam internação, novos procedimentos e risco de morte. Por isso, a diretriz KDOQI de 2019 propõe que a escolha do acesso faça parte de um plano de vida do paciente renal, e não seja decidida apenas na urgência.

Os três tipos de acesso

AcessoQuando usarVantagensLimites
Cateter não tunelizado (duplo lúmen)Lesão renal aguda, urgência dialítica, ponte de curto prazoInserção imediata, sem necessidade de maturaçãoMaior risco de infecção e disfunção; indicado por poucos dias a semanas
Cateter tunelizado com cuff (permcath)Necessidade prolongada sem fístula pronta, pacientes sem rede venosa adequadaTúnel subcutâneo e cuff reduzem a migração de bactérias; uso por mesesAinda infecta e trombosa mais que a fístula
Fístula arteriovenosa (FAV)Paciente crônico com vasos adequadosMaior durabilidade e menor taxa de infecçãoPrecisa de semanas a meses de maturação

Quando a fístula não é possível, uma alternativa é a prótese arteriovenosa (enxerto), indicada em casos selecionados.

Cuidados com o cateter de hemodiálise

  • Uso exclusivo para hemodiálise. Não infundir medicamentos nem coletar exames por ele, salvo protocolo específico.
  • Manipulação apenas por profissional treinado, com técnica asséptica, máscara para profissional e paciente e desinfecção dos hubs.
  • Curativo do óstio conforme protocolo, com inspeção a cada sessão para hiperemia, secreção e dor.
  • Selo (lock) das vias ao final da sessão com a solução prescrita, no volume exato de preenchimento de cada lúmen indicado no cateter.
  • Vigilância de febre e calafrios durante a sessão, sinais clássicos de infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter.

Cuidados com a fístula arteriovenosa

  • Avaliar a cada sessão o frêmito (vibração palpável) e o sopro (ausculta). A ausência sugere trombose e exige comunicação imediata.
  • Não aferir pressão arterial, não puncionar para exames ou medicação e não garrotear o membro da fístula.
  • Alternar os locais de punção (técnica em escada) para evitar aneurismas e estenoses.
  • Comprimir o local da punção ao final com pressão suficiente para hemostasia, sem ocluir o fluxo da fístula.
  • Orientar o paciente a não dormir sobre o braço, não usar relógio ou roupas apertadas e observar o frêmito diariamente.

Perguntas frequentes

Qual o melhor acesso para hemodiálise?

Para a maioria dos pacientes crônicos com vasos adequados, a fístula arteriovenosa, por durar mais e infectar menos. A escolha é individual e deve considerar o plano de tratamento do paciente.

Pode medir a pressão no braço da fístula?

Não. A compressão pode trombosar a fístula. Use o outro membro.

Quanto tempo a fístula leva para maturar?

Em geral de 4 a 6 semanas, podendo levar meses. A decisão de puncionar depende do exame físico e, muitas vezes, do ultrassom.

Permcath pode ser usado para medicação?

Como regra, não. O cateter de hemodiálise é de uso exclusivo para a diálise, salvo protocolo institucional específico.

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Referências

  1. Lok CE, Huber TS, Lee T, et al. KDOQI Clinical Practice Guideline for Vascular Access: 2019 Update. Am J Kidney Dis. 2020;75(4 Suppl 2):S1-S164. doi:10.1053/j.ajkd.2019.12.001.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 11, de 13 de março de 2014. Requisitos de boas práticas de funcionamento para os serviços de diálise.
  3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem.
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