Nutrição parenteral pelo PICC: indicações e cuidados

Nutrição parenteral pelo PICC: indicações e cuidados

Postado em 27/05/2026

A nutrição parenteral salva vidas, mas é uma das infusões que mais exigem do acesso vascular. Veja como o PICC entra nessa terapia.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA nutrição parenteral (NP) com osmolaridade acima de 900 mOsm/L precisa de acesso venoso central, e o PICC é uma das opções mais seguras para isso, inclusive no domicílio. Os cuidados essenciais são: lúmen exclusivo para a NP, equipo trocado a cada 24 horas quando há lipídios, filtro adequado, técnica asséptica rigorosa e vigilância de infecção, trombose e alterações metabólicas.

O que é nutrição parenteral

A nutrição parenteral é uma solução estéril com carboidratos, aminoácidos, lipídios, eletrólitos, vitaminas e oligoelementos, infundida diretamente na circulação quando o trato gastrointestinal não pode ser usado ou não é suficiente. No Brasil, a terapia é regulada pela Portaria SVS/MS nº 272/1998, que exige equipe multiprofissional de terapia nutricional, e a atuação da enfermagem é normatizada pela Resolução Cofen nº 453/2014.

Principais indicações

  • Falência intestinal e síndrome do intestino curto.
  • Obstrução, fístulas de alto débito ou íleo prolongado.
  • Pancreatite grave sem tolerância à via enteral.
  • Pacientes críticos que não atingem a meta pela via enteral após o período recomendado.
  • Prematuros de muito baixo peso, nos primeiros dias de vida.
  • Pacientes oncológicos com toxicidade gastrointestinal grave.

Por que a NP exige acesso central

A osmolaridade da NP completa costuma ficar muito acima da tolerada pelas veias periféricas. Infundida em veia de pequeno calibre, ela lesa o endotélio e causa flebite química, trombose e, em caso de extravasamento, necrose. As diretrizes da INS limitam a nutrição parenteral periférica a soluções de até 900 mOsm/L. Acima disso, a ponta do cateter deve estar na veia cava, onde o fluxo alto dilui a solução.

Por que o PICC é uma boa escolha

  • Inserção pelo Enfermeiro qualificado, no próprio leito do paciente, guiada por ultrassom.
  • Menos complicações mecânicas na inserção do que a punção de jugular ou subclávia.
  • Permanência de semanas a meses, o que acompanha tratamentos longos.
  • Permite alta hospitalar com NP domiciliar, com treinamento do paciente e da família.

Cuidados de enfermagem na NP pelo PICC

CuidadoRecomendação
ViaLúmen exclusivo para a NP, identificado. Não coletar sangue nem administrar outros medicamentos por ele
EquipoTroca a cada 24 horas para soluções com lipídios, junto com a bolsa nova
FiltroUsar filtro adequado ao tipo de solução, conforme protocolo (em geral 1,2 micra para soluções com lipídios)
InfusãoSempre em bomba de infusão, sem acelerar para "recuperar" atraso
ConservaçãoConferir rótulo, integridade e validade; proteger da luz quando indicado
MonitorizaçãoGlicemia capilar, balanço hídrico, peso e exames conforme protocolo da equipe de terapia nutricional

Perguntas frequentes

Pode fazer nutrição parenteral em acesso periférico?

Apenas soluções de osmolaridade até 900 mOsm/L, em situações específicas e por curto prazo. A NP completa exige acesso central.

A NP precisa de via exclusiva no PICC?

Sim. Reserve e identifique um lúmen só para a NP. Isso reduz o risco de infecção e de incompatibilidade.

Qual a frequência de troca do equipo da NP?

A cada 24 horas para soluções com lipídios, junto com a troca da bolsa.

O PICC pode ser usado para NP em casa?

Sim. É um dos acessos mais usados na NP domiciliar, desde que paciente e cuidadores sejam treinados e acompanhados.

Acesso central seguro para terapias complexas

Inserção guiada por ultrassom e manutenção do PICC na Habilitação em PICC e Acesso Venoso com USG.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Portaria nº 272, de 8 de abril de 1998. Brasília: Ministério da Saúde; 1998. Regulamento técnico para a terapia de nutrição parenteral.
  2. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 453/2014. Aprova a norma técnica que dispõe sobre a atuação da equipe de enfermagem em terapia nutricional.
  3. Pittiruti M, Hamilton H, Biffi R, MacFie J, Pertkiewicz M. ESPEN Guidelines on Parenteral Nutrition: central venous catheters (access, care, diagnosis and therapy of complications). Clin Nutr. 2009;28(4):365-377. doi:10.1016/j.clnu.2009.03.015.
  4. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258, de 12 de julho de 2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros.
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