Quanto tempo o PICC pode ficar? O que diz a evidência
Postado em 01/05/2026
Uma das dúvidas mais comuns sobre o PICC tem resposta simples: ele fica enquanto for necessário e estiver funcionando bem.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaNão há prazo máximo fixo para o PICC. As diretrizes não recomendam troca de rotina: o cateter permanece enquanto houver indicação clínica e estiver funcionante e sem complicações, o que pode significar semanas ou meses. Ele deve ser retirado quando a terapia termina, quando não é mais necessário ou diante de complicação que não se resolva, como infecção relacionada ao cateter, trombose com disfunção, ruptura ou mau posicionamento.
Por que não há prazo
A troca programada de cateteres centrais não reduz infecção e expõe o paciente a novas punções, com seus riscos. Por isso, diretrizes como as da INS e do CDC recomendam não trocar cateteres centrais por tempo de uso. O que define a permanência é a avaliação diária da necessidade e da função.
Quando retirar
- Fim da terapia ou ausência de indicação clínica.
- Infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter, conforme avaliação médica e protocolo.
- Infecção do sítio de inserção que não responde ao tratamento.
- Obstrução sem resposta às medidas de desobstrução.
- Ruptura ou dano do cateter sem possibilidade de reparo.
- Ponta mal posicionada que não pode ser corrigida.
- Trombose associada ao cateter com cateter disfuncionante ou desnecessário.
O que prolonga a vida útil do PICC
- Indicação correta e calibre que respeite a relação cateter-veia de até 45%.
- Ponta na junção cavoatrial, confirmada por ECG intracavitário ou imagem.
- Inserção no terço médio do braço, com fixação sem sutura.
- Flushing pulsátil e lock adequados.
- Curativo íntegro e desinfecção de conectores.
- Orientação do paciente e cuidadores.
Perguntas frequentes
O PICC precisa ser trocado depois de 30 dias?
Não. Não há troca programada. Ele permanece enquanto houver indicação e o cateter estiver funcionando sem complicações.
Febre obriga a retirar o PICC?
Não necessariamente. A febre deve ser investigada com hemoculturas e avaliação clínica. A retirada depende da confirmação de infecção relacionada ao cateter e da conduta médica.
Trombose no braço obriga a retirar o PICC?
Nem sempre. Se o cateter é necessário e funciona, pode ser mantido com anticoagulação, conforme decisão médica.
Técnica e manutenção baseadas em evidência na Habilitação em PICC e Acesso Venoso com USG.
Referências
- Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
- O'Grady NP, Alexander M, Burns LA, et al. Guidelines for the prevention of intravascular catheter-related infections. Clin Infect Dis. 2011;52(9):e162-e193. doi:10.1093/cid/cir257.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem.
