Boas práticas em terapia infusional: guia para Enfermeiros
Postado em 12/05/2026
A maioria dos pacientes internados recebe terapia intravenosa. Estas são as práticas que mais protegem o paciente.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaBoas práticas em terapia infusional começam pela escolha do dispositivo certo para a duração e o tipo de solução, seguem com inserção asséptica (de preferência guiada por ultrassom em rede difícil), manutenção com flushing e desinfecção de conectores, avaliação do sítio a cada turno e troca do cateter periférico por indicação clínica, e não por prazo fixo. Preparo seguro dos medicamentos e registro completo fecham o ciclo.
O ciclo de vida do acesso vascular
- Avaliação: duração prevista, tipo de solução (pH, osmolaridade, vesicância), rede venosa e preferências do paciente.
- Escolha: o dispositivo menos invasivo e de menor calibre que atenda à terapia.
- Inserção: técnica asséptica, antissepsia com clorexidina alcoólica e ultrassom quando a rede é difícil.
- Manutenção: flushing, desinfecção de conectores, curativo íntegro, troca de equipos no prazo.
- Remoção: assim que não houver indicação ou diante de complicação.
Cateter venoso periférico
- Prefira o antebraço; evite áreas de flexão e o membro com fístula, linfedema ou lesão.
- Use o menor calibre que atenda à terapia.
- Limite tentativas: após duas falhas, chame profissional mais experiente ou use ultrassom.
- Avalie o sítio pelo menos a cada turno e antes de cada infusão.
- Troque por indicação clínica (flebite, infiltração, obstrução, deslocamento), e não por prazo fixo. Uma revisão Cochrane mostrou que a troca de rotina não reduz complicações e aumenta punções.
Flebite: reconhecer e graduar
| Grau | Sinais | Conduta |
|---|---|---|
| 0 | Sítio sem alterações | Observar |
| 1 | Dor ou eritema leve próximo ao sítio | Observar com atenção |
| 2 | Dor, eritema e edema | Retirar o cateter |
| 3 ou mais | Cordão palpável, endurecimento, secreção | Retirar, tratar e notificar |
Escalas como a Visual Infusion Phlebitis (VIP) padronizam essa avaliação e devem ser registradas a cada turno.
Preparo e administração seguros
- Aplique os certos da administração de medicamentos: paciente, medicamento, dose, via, hora, registro, orientação, forma e resposta.
- Confira compatibilidade antes de infundir medicamentos pela mesma via.
- Prepare em local exclusivo, com técnica asséptica, e identifique seringas e bolsas.
- Use bomba de infusão para vasoativos, eletrólitos concentrados e medicamentos de alta vigilância, com dupla checagem.
- Organize e identifique as linhas para evitar erros de conexão.
Perguntas frequentes
De quanto em quanto tempo trocar o acesso periférico?
Por indicação clínica, e não por prazo fixo, desde que o sítio seja avaliado regularmente e o protocolo da instituição permita.
O que fazer na flebite grau 2?
Retirar o cateter, avaliar o membro, registrar e escolher outro sítio, preferencialmente no membro contralateral.
Quando usar ultrassom no acesso periférico?
Quando a rede venosa é difícil ou após falhas de punção. O ultrassom aumenta o sucesso e reduz tentativas.
Dispositivos, ultrassom e prevenção de complicações na Habilitação em Terapia Infusional e Acessos Vasculares.
Referências
- Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
- Webster J, Osborne S, Rickard CM, Marsh N. Clinically-indicated replacement versus routine replacement of peripheral venous catheters. Cochrane Database Syst Rev. 2019;1:CD007798. doi:10.1002/14651858.CD007798.pub5.
- Chopra V, Flanders SA, Saint S, et al. The Michigan Appropriateness Guide for Intravenous Catheters (MAGIC). Ann Intern Med. 2015;163(6 Suppl):S1-S40. doi:10.7326/M15-0744.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem.
