Reanimação neonatal na sala de parto: passos iniciais
Postado em 11/10/2026
Os primeiros 60 segundos de vida definem boa parte do prognóstico do recém-nascido que não respira. Veja o que mudou nas diretrizes de 2026 da Sociedade Brasileira de Pediatria e onde a enfermagem atua.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaSegundo as Diretrizes 2026 da Sociedade Brasileira de Pediatria para o recém-nascido com 34 semanas ou mais, o bebê com boa vitalidade deve ter o cordão clampeado no mínimo 60 segundos após o nascimento e ficar em contato pele a pele com a mãe. Se não houver boa vitalidade, a equipe faz os passos iniciais (manter normotermia e vias aéreas pérvias) em no máximo 30 segundos e avalia respiração e frequência cardíaca. Havendo apneia, respiração irregular ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, a ventilação com pressão positiva deve começar nos primeiros 60 segundos de vida: é o Minuto de Ouro.
Preparo: a reanimação começa antes do nascimento
Todo nascimento deve ser assistido por profissional capacitado em reanimação neonatal, e o preparo é tão importante quanto as manobras. A Portaria SAS/MS nº 371/2014, que estabelece diretrizes para a atenção integral e humanizada ao recém-nascido no SUS, reforça essa organização. Antes de cada parto, a equipe deve:
- conhecer a história materna e os fatores de risco (idade gestacional, líquido amniótico, condições fetais, medicações);
- definir funções: quem ventila, quem avalia a frequência cardíaca, quem registra o tempo;
- testar o material: fonte de calor radiante ligada, campos aquecidos, aspirador, balão autoinflável ou ventilador mecânico manual em T, máscaras de tamanhos adequados, oxímetro, blender de oxigênio, material de intubação e máscara laríngea;
- manter a sala aquecida e sem correntes de ar.
Ao nascer: avaliação da vitalidade e clampeamento
Logo após o nascimento, a equipe avalia se o recém-nascido respira ou chora e se tem tônus muscular em flexão. Com boa vitalidade, a diretriz de 2026 recomenda aguardar ao menos 60 segundos para clampear o cordão, com o bebê em contato pele a pele, seco e coberto, favorecendo a amamentação precoce.
Sem boa vitalidade, a diretriz orienta um breve estímulo tátil no dorso. Se o bebê não começar a respirar, o cordão é clampeado e o recém-nascido é levado à mesa de reanimação sob calor radiante. A ordenha do cordão aparece como alternativa em situações definidas no documento, que deve ser consultado na íntegra para os detalhes técnicos.
Passos iniciais e o Minuto de Ouro
Na mesa de reanimação, os passos iniciais têm dois objetivos: manter a normotermia e garantir vias aéreas pérvias. Incluem posicionar a cabeça em leve extensão, secar corpo e cabeça, remover campos úmidos e colocar touca, além de aspirar boca e narinas somente quando houver obstrução. Tudo isso deve ser feito em no máximo 30 segundos.
Em seguida, avaliam-se a respiração e a frequência cardíaca. Se o bebê estiver em apneia, com respiração irregular ou frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, a ventilação com pressão positiva (VPP) deve começar dentro dos primeiros 60 segundos de vida. A ventilação eficaz é o procedimento mais importante da reanimação neonatal: a maioria dos recém-nascidos que precisa de ajuda responde a ela.
Ventilação e oxigênio
- Oxigênio inicial: no recém-nascido com 34 semanas ou mais, a VPP começa com ar ambiente (oxigênio a 21%).
- Equipamento: balão autoinflável ou ventilador mecânico manual em T, este preferido quando disponível. A interface inicial é a máscara facial; a máscara laríngea é opção quando a ventilação com máscara falha e a intubação não é possível.
- Ajuste pelo oxímetro: o sensor é colocado no membro superior direito (pré-ductal). Se a saturação estiver fora do alvo, a diretriz orienta ajustar a fração de oxigênio em incrementos de 20% a cada 30 segundos, com uso de blender, sempre conferindo antes a técnica de ventilação.
| Minutos de vida | SpO2 pré-ductal alvo |
|---|---|
| 2 | 65% a 70% |
| 3 | 70% a 75% |
| 4 | 75% a 80% |
| 5 | 80% a 85% |
| 10 | 85% a 95% |
Quando a frequência cardíaca não melhora apesar da ventilação adequada, a equipe segue o fluxograma da diretriz, que inclui via aérea avançada, massagem cardíaca e medicações, conduzidos por profissionais habilitados e conforme a competência de cada membro da equipe.
O papel da enfermagem
A enfermagem participa de todas as fases: prepara a sala e o material, auxilia nos passos iniciais, posiciona o oxímetro, controla a temperatura, ventila quando capacitada, auxilia em procedimentos avançados, registra os eventos e cuida dos pais, que precisam de informação clara e acolhimento. Depois da sala de parto, o cuidado pós-reanimação na unidade neonatal, como acesso venoso e, em alguns casos, cateterismo umbilical, também envolve diretamente o Enfermeiro.
Perguntas frequentes
O que é o Minuto de Ouro?
É o período dos primeiros 60 segundos de vida, dentro do qual a ventilação com pressão positiva deve ser iniciada no recém-nascido que não respira adequadamente ou tem frequência cardíaca abaixo de 100 bpm.
Por que começar a ventilação com ar ambiente?
No recém-nascido com 34 semanas ou mais, a diretriz recomenda iniciar com oxigênio a 21% e ajustar pela oximetria, evitando a exposição desnecessária a altas concentrações de oxigênio.
O Enfermeiro pode participar da reanimação neonatal?
Sim. O Enfermeiro capacitado integra a equipe de reanimação e realiza as ações compatíveis com sua competência legal e com os protocolos institucionais. A capacitação periódica é essencial.
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Referências
- Almeida MFB, Guinsburg R; Coordenadores Estaduais e Grupo Executivo do PRN-SBP; Departamento de Neonatologia da SBP. Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2026 da Sociedade Brasileira de Pediatria. Rio de Janeiro: SBP; 2026.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Reanimação do prematuro <34 semanas em sala de parto: Diretrizes 2026 da Sociedade Brasileira de Pediatria. Rio de Janeiro: SBP; 2026.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria SAS/MS nº 371, de 7 de maio de 2014. Diretrizes para a organização da atenção integral e humanizada ao recém-nascido no SUS.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de cuidados pós-reanimação neonatal. Rio de Janeiro: SBP; 2025.
