Ozonioterapia em feridas: o que diz a norma e a evidência

Ozonioterapia em feridas: o que diz a norma e a evidência

Postado em 11/10/2026

A ozonioterapia ganhou respaldo em lei e em norma do Cofen, mas a base de evidências em feridas ainda é limitada. Veja o que é permitido, o que é exigido e como usar a terapia com responsabilidade.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA Lei nº 14.648/2023 autoriza a ozonioterapia no Brasil como procedimento de caráter complementar, realizada por profissional de saúde de nível superior inscrito em seu conselho, com equipamento de produção de ozônio medicinal regularizado pela Anvisa e com o paciente informado de que se trata de terapia complementar. No âmbito da enfermagem, o Parecer Normativo Cofen nº 001/2020 reconhece a prática pelo Enfermeiro capacitado, com recomendação de curso de no mínimo 120 horas, e a Resolução Cofen nº 787/2025 lista a ozonioterapia entre as terapias adjuvantes no cuidado de lesões cutâneas. A evidência clínica em feridas ainda vem de estudos pequenos e de baixa qualidade, o que exige indicação criteriosa e expectativas realistas.

O que é a ozonioterapia

O ozônio medicinal é uma mistura de oxigênio e ozônio produzida por geradores específicos a partir de oxigênio puro. No cuidado de feridas, as formas tópicas mais descritas são a aplicação do gás em sistema fechado (bolsa ou campânula que envolve a área, sem escape para o ar ambiente), a água ozonizada para limpeza e o óleo ozonizado aplicado sobre a lesão. Os mecanismos propostos incluem ação antimicrobiana, modulação do estresse oxidativo e efeitos sobre a microcirculação, mas boa parte deles foi demonstrada em laboratório e em modelos animais.

O que diz a legislação

NormaO que estabelece
Lei nº 14.648/2023Autoriza a ozonioterapia como procedimento de caráter complementar, por profissional de saúde de nível superior inscrito em conselho, com equipamento regularizado pela Anvisa e informação ao paciente sobre o caráter complementar
Parecer Normativo Cofen nº 001/2020Reconhece a ozonioterapia como terapia complementar que o Enfermeiro capacitado pode prescrever e aplicar, recomenda capacitação mínima de 120 horas e exige equipamento certificado pela Anvisa
Resolução Cofen nº 787/2025Inclui a ozonioterapia entre as terapias adjuvantes que o Enfermeiro habilitado pode indicar e prescrever no cuidado de pessoas com lesões cutâneas

Na prática, o Enfermeiro que deseja usar ozônio em feridas precisa reunir três condições: capacitação específica comprovada, equipamento regularizado e registro completo no prontuário, com o Processo de Enfermagem e o consentimento informado do paciente.

O que mostra a evidência

A revisão sistemática Cochrane de Liu e colaboradores, publicada em 2015, avaliou o ozônio no tratamento de úlceras de pé diabético. Foram incluídos três ensaios clínicos randomizados, com 212 participantes no total. Os autores não conseguiram concluir se a ozonioterapia melhora a cicatrização, por causa da informação limitada e de baixa qualidade. Um dos estudos, que comparou ozônio com antibiótico, mostrou maior redução de área e menor tempo de internação com ozônio, sem diferença clara na cicatrização completa; os outros dois, que somaram ozônio ao cuidado usual, não mostraram diferenças claras.

Depois dessa revisão, surgiram novos estudos e relatos de casos, sobretudo em pé diabético e feridas crônicas infectadas, mas em geral com amostras pequenas, protocolos heterogêneos e risco de viés. A leitura honesta é que a ozonioterapia pode ser considerada como recurso complementar dentro de um plano de cuidado completo, e não como substituta de limpeza, desbridamento, controle de infecção, manejo da causa de base e coberturas adequadas.

Perguntas frequentes

Enfermeiro pode fazer ozonioterapia em feridas?

Sim, desde que capacitado, com equipamento regularizado pela Anvisa e respeitando o caráter complementar da terapia, conforme a Lei nº 14.648/2023, o Parecer Normativo Cofen nº 001/2020 e a Resolução Cofen nº 787/2025.

Ozonioterapia substitui antibiótico?

Não. Infecção com repercussão clínica exige avaliação médica e, quando indicado, antibiótico sistêmico. O ozônio pode compor o cuidado local, sem substituir o tratamento da infecção.

Posso usar ozônio em consultório próprio?

A Resolução Cofen nº 787/2025 assegura ao Enfermeiro a abertura de consultório e clínica para o cuidado de lesões cutâneas. O serviço deve cumprir as exigências sanitárias locais e manter protocolo, prontuário e consentimento informado.

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Referências

  1. Brasil. Lei nº 14.648, de 4 de agosto de 2023. Autoriza a ozonioterapia como procedimento de caráter complementar.
  2. Conselho Federal de Enfermagem. Parecer Normativo nº 001/2020. Ozonioterapia como terapia complementar pelo Enfermeiro. Brasília: Cofen; 2020.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787/2025. Atuação da equipe de enfermagem em lesões cutâneas.
  4. Liu J, Zhang P, Tian J, Li L, Li J, Tian JH, et al. Ozone therapy for treating foot ulcers in people with diabetes. Cochrane Database Syst Rev. 2015;(10):CD008474.
  5. International Scientific Committee of Ozone Therapy. Declaração de Madri sobre a ozonioterapia. Madri: ISCO3; 2010.
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