Pé diabético: avaliação e cuidados de enfermagem

Pé diabético: avaliação e cuidados de enfermagem

Postado em 11/10/2026

Boa parte das amputações em pessoas com diabetes começa com uma úlcera evitável. O Enfermeiro está na linha de frente da prevenção.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO cuidado do pé diabético começa pelo rastreamento anual, ou mais frequente conforme o risco: inspeção da pele, unhas e calçados, teste de sensibilidade protetora com monofilamento de 10 g, avaliação de pulsos e sinais de doença arterial. A classificação de risco define a frequência de acompanhamento e as medidas de proteção. Diante de úlcera, avaliar infecção e isquemia e encaminhar com rapidez é decisivo para evitar amputação.

Por que o pé diabético é tão grave

A neuropatia reduz a sensibilidade e o paciente não percebe pequenos traumas. A doença arterial reduz o fluxo e dificulta a cicatrização. Somadas a deformidades e infecção, essas condições levam a úlceras que podem evoluir para amputação. Diretrizes internacionais, como as do IWGDF, mostram que rastreamento e educação reduzem esse risco.

Exame do pé em consulta de enfermagem

  1. História: úlcera ou amputação prévia, dor ao caminhar, controle glicêmico, tabagismo.
  2. Inspeção: pele seca, fissuras, calos, micoses, unhas, deformidades, calçados e meias.
  3. Sensibilidade: monofilamento de 10 g em pontos plantares e, se disponível, diapasão de 128 Hz.
  4. Vascular: palpação de pulsos pedioso e tibial posterior, temperatura e enchimento capilar; índice tornozelo-braço quando indicado.

Classificação de risco e seguimento

RiscoAchadoReavaliação sugerida
Muito baixoSem perda de sensibilidade nem doença arterialAnual
BaixoPerda de sensibilidade ou doença arterialA cada 6 a 12 meses
ModeradoPerda de sensibilidade com doença arterial ou deformidadeA cada 3 a 6 meses
AltoÚlcera ou amputação prévia, ou doença renal terminalA cada 1 a 3 meses

Perguntas frequentes

Como fazer o teste do monofilamento?

Aplica-se o monofilamento de 10 g perpendicularmente em pontos da planta do pé até ele curvar, com o paciente de olhos fechados. A não percepção indica perda da sensibilidade protetora.

Com que frequência examinar o pé da pessoa com diabetes?

Pelo menos uma vez por ano, e com mais frequência conforme a classificação de risco.

Pode hidratar entre os dedos?

Não. Entre os dedos a pele deve ficar seca, para evitar micoses e maceração.

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Referências

  1. Schaper NC, van Netten JJ, Apelqvist J, et al. Practical guidelines on the prevention and management of diabetes-related foot disease (IWGDF 2023 update). Diabetes Metab Res Rev. 2024;40(3):e3657. doi:10.1002/dmrr.3657.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Manual do pé diabético: estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. SBD; 2023.
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