Mulheres na liderança em saúde: o paradoxo da enfermagem
Postado em 21/04/2026
Elas são maioria no cuidado e minoria nas decisões. Entenda o paradoxo e o que muda quando a enfermagem chega à liderança.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaSegundo a Organização Mundial da Saúde, as mulheres representam cerca de 70% da força de trabalho em saúde e assistência social no mundo, mas ocupam cerca de 25% dos cargos de liderança. Na enfermagem brasileira, em que cerca de 85% são mulheres, o paradoxo é ainda maior. Estereótipos, dupla jornada, falta de mentoria e de formação em gestão explicam parte da distância. Qualificação, redes de apoio e políticas institucionais ajudam a reduzi-la.
O tamanho do paradoxo
O relatório "Delivered by women, led by men", da OMS, analisou a força de trabalho em saúde de 104 países e resumiu a desigualdade no título: o cuidado é entregue por mulheres e liderado por homens. A diferença aparece em cargos executivos, conselhos, direção de hospitais e formulação de políticas, e também em salário.
Por que a distância persiste
- Estereótipos de gênero que associam liderança a características vistas como masculinas e cuidado a características vistas como femininas.
- Dupla jornada: o trabalho doméstico e de cuidado com a família ainda recai mais sobre as mulheres, o que reduz tempo para formação, rede de contatos e cargos de maior exigência.
- Teto de vidro: barreiras pouco visíveis em processos de promoção e sucessão.
- Falta de modelos e mentoria: poucas mulheres no topo significam menos referências e padrinhos para as próximas.
- Formação técnica sem gestão: muitas Enfermeiras assumem coordenação sem preparo formal em finanças, pessoas e indicadores.
Por que isso importa para os pacientes
Equipes de liderança diversas tendem a tomar decisões mais completas, e Enfermeiros em posições de direção trazem a perspectiva de quem conhece o cuidado de perto: dimensionamento, segurança, fluxo assistencial. Quando a enfermagem não está na mesa de decisão, decisões sobre a enfermagem são tomadas sem ela.
O que as instituições podem fazer
- Metas de diversidade em cargos de liderança e sucessão.
- Programas de desenvolvimento de lideranças com mentoria.
- Transparência salarial, como exige a Lei nº 14.611/2023.
- Escalas e benefícios que considerem a parentalidade para todos os gêneros.
- Canais efetivos de denúncia e combate ao assédio.
Perguntas frequentes
Quantas mulheres trabalham na saúde?
Segundo a OMS, cerca de 70% da força de trabalho em saúde e assistência social no mundo. Na enfermagem brasileira, cerca de 85%.
Por que há poucas mulheres em cargos de liderança na saúde?
Por uma combinação de estereótipos, dupla jornada, barreiras de promoção, falta de mentoria e de formação em gestão.
Que formação ajuda a Enfermeira a chegar à liderança?
Pós-graduação ou MBA em gestão, com foco em indicadores, custos, qualidade e gestão de pessoas, além de experiência em projetos e comissões.
Gestão de pessoas, indicadores e qualidade no MBA em Gerenciamento em Enfermagem do Grupo Nobre.
Referências
- World Health Organization. Delivered by women, led by men: a gender and equity analysis of the global health and social workforce. Geneva: WHO; 2019. (Human Resources for Health Observer Series, 24).
- Brasil. Lei nº 14.611, de 3 de julho de 2023. Dispõe sobre a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens.
- Revista Pesquisa Fapesp. Enfermagem 360 graus. São Paulo: Fapesp; fev. 2026.
