Terapias adjuvantes em feridas: laser, LED, TPN e ozônio
Postado em 11/10/2026
Cobertura trata o leito da ferida no dia a dia. Terapia adjuvante entra quando o cuidado padrão bem feito não basta. Entenda o lugar de cada tecnologia no plano de cuidado e o que a norma exige do Enfermeiro.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaTerapias adjuvantes são recursos somados ao tratamento padrão da ferida (limpeza, desbridamento, controle de infecção, manejo do exsudato e tratamento da causa) para estimular a cicatrização quando ela estagna. A Resolução Cofen nº 787/2025 permite ao Enfermeiro indicar e prescrever coberturas e terapias adjuvantes desde que habilitado e cita como exemplos a terapia por pressão negativa, o laser de baixa potência, o LED, a eletroterapia, a ozonioterapia e os concentrados sanguíneos autólogos. Nenhuma delas substitui o tratamento da causa, e a força da evidência varia muito entre elas.
Cobertura, tecnologia e terapia adjuvante: qual a diferença
No vocabulário do cuidado com feridas, os três termos aparecem juntos, mas não são sinônimos. Cobertura é o material aplicado sobre a lesão para manter o meio adequado, controlar exsudato, proteger e, em alguns casos, agir sobre a carga microbiana ou o tecido inviável. Tecnologia é um termo mais amplo, que inclui equipamentos e dispositivos usados na avaliação e no tratamento. Terapia adjuvante é a intervenção somada ao tratamento de base, com objetivo de estimular processos biológicos da cicatrização.
A escolha da cobertura por tipo de tecido e de exsudato já foi detalhada no nosso guia de coberturas para feridas. Aqui o foco é o passo seguinte: quando e como somar uma terapia adjuvante.
Quando considerar uma terapia adjuvante
A pergunta inicial não é "qual terapia usar", e sim "por que esta ferida não está cicatrizando". Antes de acrescentar tecnologia, confirme que o básico está resolvido:
- etiologia definida e tratada (compressão na úlcera venosa, revascularização avaliada na arterial, alívio de pressão no pé diabético e na lesão por pressão);
- leito preparado, com tecido inviável e biofilme manejados, como propõem os acrônimos TIME e TIMERS;
- infecção reconhecida e tratada;
- fatores sistêmicos avaliados: glicemia, estado nutricional, perfusão, tabagismo, medicamentos;
- registro de medidas seriadas mostrando que a área não reduz como esperado.
Quando esses pontos estão resolvidos e a ferida continua estagnada, a terapia adjuvante entra como parte do plano, com meta definida, número previsto de sessões e data para reavaliar.
As principais terapias adjuvantes
| Terapia | Como age (resumo) | Pontos de atenção |
|---|---|---|
| Terapia por pressão negativa (TPN) | Pressão subatmosférica controlada sobre o leito, remove exsudato, reduz edema e estimula granulação | Contraindicada sobre malignidade, osteomielite não tratada, fístulas não exploradas, escara e estruturas expostas |
| Laser de baixa potência (fotobiomodulação) | Luz absorvida por cromóforos celulares modula inflamação, proliferação e reparo | Proteção ocular, não irradiar tumor, dosimetria correta |
| LED | Fotobiomodulação com luz não coerente, área maior de irradiação | Mesma lógica de segurança do laser; parâmetros variam por equipamento |
| Eletroterapia | Estímulo elétrico aplicado à ferida ou à pele ao redor | Exige equipamento regularizado e protocolo; evidência heterogênea |
| Ozonioterapia | Gás, água ou óleo ozonizados com ação antimicrobiana proposta | Lei nº 14.648/2023, equipamento regularizado pela Anvisa, evidência limitada |
| Concentrados sanguíneos autólogos | Derivados do sangue do próprio paciente, ricos em plaquetas e fatores de crescimento | Requer coleta, processamento e protocolo institucional |
| Oxigenoterapia hiperbárica | Oxigênio a pressão acima da atmosférica, em câmara | Indicação médica; a enfermagem executa e supervisiona as atividades relacionadas |
Cada uma tem post próprio no blog. Para a TPN, veja indicações e cuidados da terapia por pressão negativa. Para o ozônio, o que diz a norma e a evidência sobre ozonioterapia. Para o laser, os fundamentos da fotobiomodulação.
O que a evidência mostra
As terapias adjuvantes não estão no mesmo patamar de comprovação. A diretriz de 2023 do International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF) sobre intervenções para cicatrização de úlceras do pé diabético fez recomendações condicionais favoráveis a algumas opções, como TPN em feridas pós-operatórias, oxigenoterapia tópica, oxigenoterapia hiperbárica e um curativo autólogo de leucócitos, plaquetas e fibrina, sempre para feridas que não cicatrizam com o cuidado padrão e quando há recursos. Os próprios autores destacam que a qualidade da evidência ainda é baixa.
Para o ozônio em feridas, a revisão Cochrane disponível não conseguiu concluir se há benefício na cicatrização. Para a fotobiomodulação, há boa base laboratorial e resultados clínicos promissores, mas com protocolos muito variados. Por isso, escolha com critério, alinhe expectativas com o paciente e avalie com medidas objetivas.
Comparar tecnologias, entender mecanismos e montar protocolos é justamente o conteúdo do curso Coberturas, Tecnologias e Terapias Adjuvante no Tratamento de Feridas, oferecido pelo Grupo Nobre para Enfermeiros que atuam com lesões cutâneas.
Como montar o plano com terapia adjuvante
- Avalie e documente a linha de base. Área, profundidade, tecido, exsudato, dor e fotografia padronizada, com consentimento.
- Defina a meta. Reduzir área, preparar para enxerto, controlar exsudato ou dor. A meta orienta a escolha da terapia.
- Escolha a terapia compatível. Considere contraindicações, recursos do serviço, adesão do paciente e custo.
- Registre parâmetros. Pressão e modo na TPN, comprimento de onda, energia e pontos no laser, concentração e forma de aplicação no ozônio.
- Reavalie em prazo definido. Sem resposta mensurável no período previsto, revise o diagnóstico e o plano em vez de manter a terapia indefinidamente.
Perguntas frequentes
Terapia adjuvante substitui a cobertura?
Não. Na maioria dos casos ela é usada junto com a cobertura adequada ao leito, que continua sendo escolhida pelo tipo de tecido e de exsudato.
O técnico de enfermagem pode aplicar laser ou instalar TPN?
A Resolução nº 787/2025 reserva ao Enfermeiro habilitado a indicação e a prescrição. Técnicos e auxiliares executam cuidados conforme prescrição e supervisão do Enfermeiro, nos limites do protocolo institucional.
Quanto tempo esperar para saber se a terapia funcionou?
Defina o prazo no início do plano, com base no protocolo do serviço e na literatura da terapia escolhida. O importante é reavaliar com medidas objetivas e mudar a conduta se não houver resposta.
Entenda coberturas, equipamentos e terapias adjuvantes para montar planos de cuidado com critério.
Referências
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787, de 21 de agosto de 2025. Regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas.
- International Working Group on the Diabetic Foot. Guidelines on interventions to enhance healing of foot ulcers in people with diabetes (IWGDF 2023 update). Diabetes Metab Res Rev. 2024;40(3):e3644.
- Atkin L, Bućko Z, Conde Montero E, Cutting K, Moffatt C, Probst A, et al. Implementing TIMERS: the race against hard-to-heal wounds. J Wound Care. 2019;28(Sup3a):S1-S50.
- Apelqvist J, Willy C, Fagerdahl AM, Fraccalvieri M, Malmsjö M, Piaggesi A, et al. EWMA Document: Negative Pressure Wound Therapy. J Wound Care. 2017;26(Sup3):S1-S154.
- Liu J, Zhang P, Tian J, Li L, Li J, Tian JH, et al. Ozone therapy for treating foot ulcers in people with diabetes. Cochrane Database Syst Rev. 2015;(10):CD008474.
- Brasil. Lei nº 14.648, de 4 de agosto de 2023. Autoriza a ozonioterapia como procedimento de caráter complementar.
