Teste do pezinho: quando coletar e papel da enfermagem

Teste do pezinho: quando coletar e papel da enfermagem

Postado em 11/10/2026

A coleta do teste do pezinho parece simples, mas uma amostra mal colhida ou enviada com atraso pode adiar o diagnóstico de doenças tratáveis. Veja o que a enfermagem precisa dominar.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO teste do pezinho é a triagem neonatal biológica do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) e deve ser colhido, de preferência, entre o 3º e o 5º dia de vida. A coleta é feita por punção com lanceta na região lateral plantar do calcanhar, após antissepsia com álcool 70%, desprezando a primeira gota e preenchendo totalmente os círculos do papel-filtro. A equipe de enfermagem é responsável pela coleta, pela qualidade da amostra, pelo registro, pelo envio ao laboratório e pela busca ativa dos casos alterados.

O que é o teste do pezinho e o que ele investiga

O teste do pezinho detecta precocemente doenças congênitas que, em geral, não dão sinais nos primeiros dias, mas podem causar deficiência intelectual, crises graves ou morte se não forem tratadas a tempo. O Programa Nacional de Triagem Neonatal foi instituído no SUS pela Portaria GM/MS nº 822/2001. Na versão básica, o painel inclui fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.

A Lei nº 14.154/2021 ampliou o programa e prevê a inclusão de novos grupos de doenças de forma escalonada, em etapas. Como a implantação depende de cada estado e do serviço de referência em triagem neonatal, o Enfermeiro deve conhecer o painel efetivamente oferecido na sua região para orientar corretamente as famílias. A obrigação de realizar exames para diagnóstico de anormalidades do metabolismo do recém-nascido também está no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990, art. 10).

Quando coletar: a janela ideal

A recomendação é coletar entre o 3º e o 5º dia de vida. Antes disso, alguns marcadores ainda não se estabilizaram e o risco de falso resultado aumenta. Depois, perde-se tempo precioso para iniciar o tratamento de doenças em que cada dia conta. Por isso, a orientação à família começa ainda na maternidade e é reforçada na primeira consulta da criança na Atenção Primária.

Situações especiais exigem atenção: recém-nascidos prematuros, internados em UTI neonatal, transfundidos, em uso de nutrição parenteral ou que receberam alta muito precoce podem precisar de coletas em momentos específicos ou de nova coleta. Nesses casos, siga o protocolo do serviço de referência em triagem neonatal do seu estado e registre no cartão as informações clínicas solicitadas (transfusão, prematuridade, uso de medicamentos), pois elas mudam a interpretação do resultado.

Técnica de coleta passo a passo

  1. Prepare o material e o cartão. Confira os dados de identificação do recém-nascido e da mãe antes de colher. Não toque nos círculos do papel-filtro.
  2. Posicione o bebê. O acompanhante segura o recém-nascido em posição vertical, junto ao corpo, o que favorece a circulação no pé e acalma o bebê. Oferecer o seio durante a coleta é uma medida de conforto.
  3. Aqueça, se necessário. Em ambiente frio, uma compressa morna sobre tecido fino por alguns minutos melhora o fluxo sanguíneo.
  4. Faça a antissepsia. Use álcool 70% e aguarde secar completamente. Álcool residual dilui a amostra e provoca hemólise.
  5. Puncione a região lateral plantar do calcanhar com lanceta. Nunca use agulha nem a região central do calcanhar, pelo risco de atingir o osso.
  6. Despreze a primeira gota com gaze ou algodão seco.
  7. Preencha cada círculo de uma só vez, encostando o verso do papel na gota até o sangue preencher todo o círculo e atravessar o papel. Não sobreponha camadas nem colha dos dois lados.
  8. Seque em posição horizontal, em temperatura ambiente, longe do sol e de fontes de calor, sem empilhar os cartões. Só embale depois de seco.

Erros que invalidam a amostra

ErroConsequênciaComo evitar
Círculo incompleto ou com várias gotas sobrepostasQuantidade inadequada ou concentração irregularUma gota grande por círculo, aplicada de um só lado
Álcool ainda úmido na peleDiluição e hemóliseAguardar a secagem completa
Espremer o calcanhar com forçaMistura com líquido tissularAguardar a formação espontânea da gota, massagear suavemente
Secagem vertical, ao sol ou com cartões empilhadosDistribuição irregular e degradaçãoSuperfície horizontal, temperatura ambiente
Dados incompletos ou ilegíveisAtraso na liberação e na busca ativaPreencher o cartão antes da coleta e conferir

O papel da enfermagem além da coleta

A triagem neonatal é um processo, não um exame isolado. O Enfermeiro organiza o fluxo na unidade, capacita e supervisiona a equipe técnica, monitora indicadores como idade média na coleta, proporção de amostras inadequadas e tempo até o envio, e participa da busca ativa de crianças com resultado alterado ou que precisam de recoleta. Também orienta a família: resultado alterado pede exame confirmatório e não é diagnóstico fechado.

Na Atenção Primária, a primeira consulta do recém-nascido, que deve ocorrer na primeira semana de vida, é o momento ideal para verificar se o teste foi feito. Esse cuidado se integra à puericultura, tema do post sobre a consulta de enfermagem à criança.

Perguntas frequentes

O teste do pezinho pode ser colhido no primeiro dia de vida?

A janela recomendada é do 3º ao 5º dia. Em situações especiais, como alta precoce ou necessidade de transfusão, o serviço segue o protocolo do laboratório de referência, que pode indicar coleta em outro momento e repetição posterior.

Quem pode colher o teste do pezinho?

A coleta é realizada pela equipe de enfermagem treinada, sob supervisão do Enfermeiro, que responde pela organização do processo, pela qualidade das amostras e pelo acompanhamento dos resultados.

O que fazer quando o laboratório pede recoleta?

Contate a família com urgência, explique que o pedido não significa diagnóstico e agende a nova coleta o quanto antes. Registre todas as tentativas de contato.

Atenção Primária à criança

Triagem neonatal, puericultura e vacinação fazem parte da pós-graduação em Saúde Pública com ênfase em Saúde da Família.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 822, de 6 de junho de 2001. Institui o Programa Nacional de Triagem Neonatal.
  2. Brasil. Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021. Altera a Lei nº 8.069/1990 para aperfeiçoar o Programa Nacional de Triagem Neonatal.
  3. Brasil. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Triagem neonatal biológica: manual técnico. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Cadernos de Atenção Básica nº 33. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
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