Escala de Braden: como aplicar passo a passo
Postado em 11/10/2026
A Escala de Braden está em quase todo prontuário, mas nem sempre é aplicada do jeito certo. Um guia prático, subescala por subescala, com exemplo de pontuação e os erros que distorcem o resultado.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA Escala de Braden avalia o risco de lesão por pressão em adultos por seis subescalas: percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição e fricção e cisalhamento. As cinco primeiras valem de 1 a 4 pontos e a última de 1 a 3, com total de 6 a 23; quanto menor o escore, maior o risco. Na versão adaptada ao Brasil, as faixas mais usadas são: risco baixo de 15 a 18, moderado de 13 a 14, alto de 10 a 12 e muito alto igual ou menor que 9. A Anvisa recomenda avaliar na admissão e reavaliar diariamente e sempre que o quadro clínico mudar.
Por que aplicar bem faz diferença
A escala foi criada por Barbara Braden e Nancy Bergstrom nos Estados Unidos e adaptada para o português por Paranhos e Santos em 1999. Ela não diagnostica lesão: ela orienta o Enfermeiro a identificar quais fatores colocam aquele paciente em risco e a planejar medidas proporcionais. Um escore subestimado deixa o paciente sem prevenção; um escore superestimado gasta recursos e banaliza o alerta. Os fundamentos de classificação e prevenção da lesão por pressão estão em outro texto do blog, linkado ao final; aqui o foco é a aplicação.
As seis subescalas, uma a uma
| Subescala | O que observar | Pontuação |
|---|---|---|
| Percepção sensorial | Capacidade de perceber e comunicar desconforto ligado à pressão. Considere nível de consciência, sedação e déficits sensoriais. | 1 totalmente limitada a 4 sem limitação |
| Umidade | Quanto tempo a pele fica exposta a suor, urina, fezes ou exsudato. Use a frequência de troca de roupa de cama como referência. | 1 completamente molhada a 4 raramente molhada |
| Atividade | Grau de atividade física: acamado, restrito à cadeira, anda ocasionalmente ou anda com frequência. | 1 acamado a 4 anda frequentemente |
| Mobilidade | Capacidade de mudar e controlar a posição do corpo sozinho, mesmo no leito. | 1 totalmente imóvel a 4 sem limitação |
| Nutrição | Padrão habitual de ingestão: fração das refeições aceitas, porções de proteína, jejum, dieta por sonda ou parenteral. | 1 muito pobre a 4 excelente |
| Fricção e cisalhamento | Quanto o paciente escorrega no leito ou na cadeira e precisa ser arrastado nas mudanças de posição. | 1 problema a 3 sem problema |
Atividade e mobilidade parecem iguais, mas medem coisas diferentes: atividade é o quanto a pessoa sai do leito; mobilidade é o quanto ela muda de posição. Um paciente acamado (atividade 1) pode mover-se bem no leito (mobilidade 3 ou 4).
Como interpretar o escore
| Escore total | Classificação de risco |
|---|---|
| 19 a 23 | Sem risco |
| 15 a 18 | Risco baixo |
| 13 a 14 | Risco moderado |
| 10 a 12 | Risco alto |
| 9 ou menos | Risco muito alto |
Mais importante que o total é olhar as subescalas com nota baixa, porque cada uma aponta uma intervenção: umidade baixa pede manejo de incontinência e barreira cutânea; nutrição baixa pede avaliação nutricional; fricção pede técnica de movimentação com lençol móvel e cabeceira o mais baixa possível dentro da indicação clínica.
Exemplo comentado
Paciente de 78 anos, pós-operatório de fratura de fêmur, sonolento mas responde a comandos e às vezes não consegue pedir ajuda; usa fralda e precisa, em média, de uma troca extra de roupa de cama por dia; restrito ao leito; faz pequenos movimentos sozinho, mas não consegue se virar; aceita cerca de metade das refeições; escorrega na cama e precisa de ajuda moderada para ser reposicionado.
- Percepção sensorial: 3
- Umidade: 3
- Atividade: 1
- Mobilidade: 2
- Nutrição: 2
- Fricção e cisalhamento: 1
Total: 12, risco alto. O plano deve priorizar reposicionamento programado, superfície de redistribuição de pressão, proteção de calcâneos, manejo da umidade, avaliação nutricional e técnica de movimentação que evite arrasto.
Perguntas frequentes
Com que frequência aplicar a Escala de Braden?
Na admissão e diariamente durante a internação, além de toda vez que houver mudança no quadro clínico, como cirurgia, sedação, instabilidade ou piora nutricional. Protocolos institucionais podem definir intervalos menores em unidades críticas.
Escore acima de 18 dispensa prevenção?
Não. O escore não substitui o julgamento clínico. Um paciente com dispositivo médico, por exemplo, pode ter Braden alto e ainda assim risco relevante de lesão sob o dispositivo.
O técnico de enfermagem pode aplicar a escala?
A avaliação de risco integra a etapa de avaliação do Processo de Enfermagem, conduzida pelo Enfermeiro. O técnico contribui com observações e registros da pele, conforme a organização do serviço.
A escala serve para home care?
Sim. A Braden pode ser aplicada no domicílio, com atenção às condições do ambiente, ao colchão disponível e à capacidade do cuidador de executar o plano.
Avaliação de pele, escalas de risco e tratamento de lesões no MBA em Dermatologia e Tratamento de Feridas do Grupo Nobre.
Referências
- Bergstrom N, Braden BJ, Laguzza A, Holman V. The Braden Scale for predicting pressure sore risk. Nurs Res. 1987;36(4):205-10.
- Paranhos WY, Santos VLCG. Avaliação de risco para úlceras de pressão por meio da Escala de Braden, na língua portuguesa. Rev Esc Enferm USP. 1999;33(n.esp):191-206.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 05/2023. Práticas de segurança do paciente em serviços de saúde: prevenção de lesão por pressão. Brasília: Anvisa; 2023.
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo para prevenção de úlcera por pressão. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787/2025. Atuação da equipe de enfermagem em lesões cutâneas.
