Lesão por fricção (skin tear): prevenção e tratamento
Postado em 11/10/2026
Uma retirada de adesivo, um esbarrão na grade da cama, uma transferência apressada: na pele frágil do idoso, pouco basta para uma lesão por fricção. Prevenir é mais simples do que tratar.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaLesão por fricção, ou skin tear, é uma ferida traumática causada por forças mecânicas, incluindo a remoção de adesivos, que separa camadas da pele sem atingir o subcutâneo. O International Skin Tear Advisory Panel (ISTAP) a classifica em tipo 1 (sem perda de pele, retalho reposicionável), tipo 2 (perda parcial do retalho) e tipo 3 (perda total do retalho). O tratamento envolve controlar o sangramento, limpar, reposicionar o retalho viável e usar coberturas não aderentes, evitando fitas adesivas de fechamento. A prevenção se baseia em hidratação da pele, manuseio seguro e ambiente protegido.
Quem está em risco
A pele envelhecida tem epiderme mais fina, junção dermoepidérmica achatada e menos colágeno, o que facilita a separação das camadas diante de fricção, cisalhamento ou trauma contuso. O guia de boas práticas do ISTAP, publicado em 2018, agrupa os fatores de risco em três blocos:
- Saúde geral: doença crônica ou crítica, mobilidade reduzida, dependência para atividades de vida diária, comportamento agitado e histórico de quedas.
- Pele: lesão por fricção prévia, que é o preditor mais forte, além de equimoses, púrpura senil, hematomas e dano solar.
- Mecânicos: fricção, cisalhamento, trauma contuso e remoção de adesivos.
Uso prolongado de corticoides, polifarmácia e desnutrição também tornam a pele mais vulnerável. Em unidades de longa permanência, terapia intensiva e cuidados paliativos, a lesão por fricção é comum e muitas vezes subnotificada.
Classificação ISTAP
| Tipo | Descrição | Implicação prática |
|---|---|---|
| Tipo 1 | Sem perda de pele: laceração linear ou retalho que pode ser reposicionado sobre o leito | Reposicionar o retalho, que funciona como cobertura biológica |
| Tipo 2 | Perda parcial do retalho, que não cobre todo o leito | Reposicionar a parte viável; o restante cicatriza por segunda intenção |
| Tipo 3 | Perda total do retalho, com todo o leito exposto | Cicatrização por segunda intenção, com cobertura adequada ao exsudato |
Registrar o tipo, a localização, as dimensões e a porcentagem de retalho viável permite acompanhar a evolução e alimenta os indicadores de segurança do paciente. A lesão por fricção não deve ser registrada como lesão por pressão.
Tratamento passo a passo
- Controle o sangramento com compressão suave e elevação do membro, quando possível.
- Limpe com solução conforme protocolo, removendo detritos e coágulos, e seque a pele ao redor com toques leves, sem esfregar.
- Avalie o retalho. Se viável, reposicione-o com delicadeza usando dedo enluvado, haste de algodão umedecida ou pinça, sem esticar. Retire apenas o tecido do retalho claramente inviável.
- Classifique e registre pelo sistema ISTAP.
- Escolha a cobertura conforme o tipo e o exsudato: malhas não aderentes, espumas de silicone com borda não adesiva, hidrogéis ou, para exsudato moderado a intenso, alginatos ou fibras gelificantes.
- Marque na cobertura uma seta indicando a direção de retirada, no sentido do retalho, para não descolá-lo na próxima troca.
- Reavalie fatores que atrasam a cicatrização, como edema, diabetes e estado nutricional, e verifique a situação vacinal antitetânica.
O guia do ISTAP desaconselha fitas adesivas de aproximação, filmes, hidrocoloides e gaze aderida, porque traumatizam a pele frágil na remoção. Em lesões nos membros inferiores, avalie a perfusão antes de qualquer compressão.
Perguntas frequentes
Posso usar fita de aproximação para fechar a lesão?
Não é a recomendação atual. A pele ao redor é muito frágil e a remoção da fita pode ampliar a lesão. Reposicione o retalho e use cobertura não aderente.
Lesão por fricção precisa de sutura?
Em geral, não. Suturas e grampos são desaconselhados pela fragilidade da pele. Lesões extensas ou com sangramento difícil de controlar devem ser avaliadas pela equipe médica.
Quanto tempo leva para cicatrizar?
Depende do tipo, do retalho preservado e das condições do paciente. Lesões tipo 1 bem manejadas tendem a fechar mais rápido. A ausência de evolução nas reavaliações indica revisar fatores sistêmicos e a conduta.
Avaliação, classificação e tratamento de lesões com segurança na Habilitação em Tratamento de Feridas do Grupo Nobre.
Referências
- LeBlanc K, et al. Best practice recommendations for the prevention and management of skin tears in aged skin. London: Wounds International; 2018.
- LeBlanc K, Baranoski S, Holloway S, Langemo D. Validation of a new classification system for skin tears. Adv Skin Wound Care. 2013.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 05/2023. Prevenção de lesão por pressão. Brasília: Anvisa; 2023.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787/2025. Atuação da equipe de enfermagem em lesões cutâneas.
