Queimaduras: classificação e cuidados de enfermagem
Postado em 11/10/2026
Da primeira avaliação ao curativo: como classificar a queimadura, estimar a superfície corporal atingida, reconhecer quem precisa de centro especializado e organizar o cuidado de enfermagem.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaAs queimaduras são classificadas pela profundidade em primeiro grau (epiderme), segundo grau superficial ou profundo (epiderme e parte da derme) e terceiro grau (toda a espessura da pele). A extensão é estimada em percentual da superfície corporal queimada, pela regra dos nove ou, em áreas pequenas, pela palma da mão da própria pessoa, que corresponde a cerca de 1%. O Ministério da Saúde lista critérios de gravidade e de transferência para centro de queimados, como queimaduras de terceiro grau, lesão inalatória e acometimento de face, mãos, pés, períneo e grandes articulações. A equipe de enfermagem atua no primeiro atendimento, na reposição volêmica prescrita, no controle da dor, nos curativos e na prevenção de infecção.
Classificação por profundidade
| Profundidade | Camadas atingidas | Aspecto | Evolução |
|---|---|---|---|
| Primeiro grau | Epiderme | Vermelhidão, dor e edema, sem bolhas | Descamação em poucos dias |
| Segundo grau superficial | Epiderme e derme superficial | Bolhas, base rósea, úmida e muito dolorosa | Reepitelização em até cerca de três semanas |
| Segundo grau profundo | Epiderme e derme profunda | Base esbranquiçada, mais seca e menos dolorosa | Cicatrização lenta, com maior risco de cicatriz |
| Terceiro grau | Toda a espessura da pele, podendo atingir estruturas profundas | Placa esbranquiçada ou enegrecida, coriácea e indolor | Não reepiteliza espontaneamente; exige enxertia |
A profundidade pode progredir nas primeiras horas e dias, por isso a reavaliação é parte do cuidado.
Como estimar a extensão
A regra dos nove divide o corpo do adulto em áreas que correspondem a 9% ou múltiplos de 9% da superfície corporal. Em crianças, as proporções são diferentes (a cabeça corresponde a uma parcela maior), e serviços especializados utilizam tabelas próprias, como a de Lund e Browder. Para queimaduras pequenas ou dispersas, a palma da mão da pessoa, incluindo os dedos, equivale a aproximadamente 1% da superfície corporal. Queimaduras de primeiro grau não entram no cálculo usado para reposição volêmica.
Critérios de gravidade e de encaminhamento
A cartilha do Ministério da Saúde para tratamento de emergência das queimaduras aponta, entre outros, os seguintes critérios de gravidade:
- Extensão acima de 20% da superfície corporal em adultos ou acima de 10% em crianças.
- Idade abaixo de 3 anos ou acima de 65 anos.
- Queimaduras de terceiro grau em qualquer extensão.
- Lesão inalatória, politrauma e doenças prévias associadas.
- Queimaduras químicas ou elétricas.
- Acometimento de face, olhos, mãos, pés, períneo e grandes articulações, ou lesões circunferenciais.
- Suspeita de violência ou de tentativa de suicídio.
Nesses casos, a pessoa deve ser estabilizada e transferida para unidade de tratamento de queimados conforme a regulação local, com relatório completo.
Primeiro atendimento: o papel da enfermagem
- Interromper a queimadura. Afaste a fonte de calor, retire roupas não aderidas, joias e adornos antes que o edema se instale.
- Resfriar com água corrente. Diretrizes de primeiros socorros, como a da British Burn Association, recomendam água corrente fria, não gelada, por 20 minutos, idealmente nas primeiras três horas. Não use gelo. Em queimaduras extensas, crianças e idosos, cuidado com a hipotermia.
- Avaliar via aérea e respiração. Queimaduras de face, rouquidão, fuligem nas narinas ou na boca e ambiente fechado sugerem lesão inalatória e exigem avaliação imediata.
- Acesso venoso e reposição. Em queimaduras extensas, a reposição volêmica é calculada por fórmula de protocolo e prescrita pela equipe médica. Cabe à enfermagem garantir o acesso, controlar a infusão e monitorar a diurese, que orienta o ajuste.
- Controlar a dor. Analgesia conforme prescrição, com reavaliação frequente por escala.
- Cobrir a lesão. Use cobertura limpa e não aderente até o curativo definitivo. Evite pomadas caseiras, pasta de dente, manteiga ou qualquer produto sem indicação.
- Verificar a vacinação antitetânica. Confira a situação vacinal e siga o protocolo do serviço.
Curativos e cuidados contínuos
A limpeza da área queimada é feita com técnica asséptica, e o curativo é escolhido conforme a profundidade, a extensão e o protocolo da instituição. A cartilha do Ministério da Saúde cita a sulfadiazina de prata a 1% como antimicrobiano tópico e o curativo oclusivo em camadas, com face e períneo em curativo exposto. Serviços especializados também utilizam coberturas modernas, substitutos temporários de pele e enxertos.
Perguntas frequentes
Devo estourar as bolhas?
A conduta com bolhas varia conforme tamanho, localização e protocolo do serviço. Não rompa bolhas fora de ambiente de cuidado e sem técnica asséptica.
Gelo ajuda a aliviar a dor?
Não. O gelo pode aprofundar a lesão por vasoconstrição e causar hipotermia. O recomendado é água corrente fria por cerca de 20 minutos.
Queimadura de primeiro grau entra no cálculo da superfície queimada?
Não para fins de reposição volêmica. O cálculo considera as queimaduras de segundo e terceiro graus.
Queimaduras, coberturas e terapias adjuvantes fazem parte da pós-graduação em Dermatologia e Tratamento de Feridas do Grupo Nobre.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Cartilha para tratamento de emergência das queimaduras. Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2012.
- ISBI Practice Guidelines Committee. ISBI Practice Guidelines for Burn Care. Burns. 2016;42(5):953-1021.
- British Burn Association. First Aid Clinical Practice Guidelines. Pre-Hospital Special Interest Group; 2018.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787, de 21 de agosto de 2025. Regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas.
