PICC antitrombogênico: o que a tecnologia Endexo promete
Postado em 21/05/2026
Materiais que reduzem a aderência de plaquetas chegaram ao PICC. Veja como funcionam e como o Enfermeiro deve ler os números de cada fabricante.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaOs PICCs antitrombogênicos incorporam ao poliuretano aditivos que reduzem a aderência de plaquetas e proteínas à superfície do cateter. O exemplo mais conhecido é a tecnologia Endexo, usada no PICC BioFlo, que também tem válvula proximal PASV. Segundo o fabricante, ensaios laboratoriais mostram menos acúmulo de trombo na superfície. A evidência clínica de menor trombose e obstrução ainda é limitada, e a escolha deve considerar custo, perfil do paciente e protocolo.
O problema que essa tecnologia tenta resolver
Minutos após a inserção, a superfície de qualquer cateter é recoberta por proteínas plasmáticas e plaquetas, formando a bainha de fibrina. Ela favorece a obstrução, a trombose venosa e a aderência de bactérias que formam biofilme. Reduzir essa deposição é um dos caminhos para aumentar a vida útil do PICC.
Como funciona a tecnologia Endexo
Na tecnologia Endexo, um aditivo polimérico fluorado é incorporado ao poliuretano durante a fabricação. Ele migra para a superfície do material e reduz a adesão de componentes do sangue. Por ser parte do material, e não um revestimento ou medicamento liberado ao longo do tempo, o efeito é descrito como permanente e não eluente: nada é liberado na corrente sanguínea do paciente.
A válvula PASV
O BioFlo também usa a válvula PASV (Pressure Activated Safety Valve), localizada no hub. Ela permanece fechada em repouso e abre apenas com a pressão de infusão ou de aspiração, reduzindo o refluxo de sangue para o lúmen em situações como tosse e vômito. Por isso, o cateter dispensa clampes e, segundo o fabricante, o lock pode ser feito apenas com soro fisiológico.
Outras características
- Modelos compatíveis com injeção de contraste sob pressão, dentro dos limites indicados no cateter.
- Corpo radiopaco, que permite confirmar a posição por imagem.
- Possibilidade de ajuste do comprimento, porque a válvula fica no hub.
Como decidir no seu serviço
- Defina os pacientes de maior risco de trombose e obstrução, como oncológicos e em nutrição parenteral.
- Compare custo do dispositivo com custo de complicações (desobstrução, troca de cateter, tratamento de trombose).
- Implante com protocolo, monitore indicadores antes e depois e decida com dados locais.
Perguntas frequentes
O PICC com Endexo libera algum medicamento?
Não. O aditivo faz parte do material do cateter e não é liberado na corrente sanguínea, segundo o fabricante.
PICC antitrombogênico elimina o risco de trombose?
Não. Ele pode reduzir a deposição na superfície do cateter, mas a trombose depende também da relação cateter-veia, da posição da ponta e do perfil do paciente.
Precisa de heparina no BioFlo?
O fabricante indica lock com soro fisiológico, graças à válvula PASV. Siga sempre o manual e o protocolo institucional.
Materiais, válvulas e técnica de inserção guiada por ultrassom na Habilitação em PICC e Acesso Venoso com USG.
Referências
- Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285. doi:10.1097/NAN.0000000000000532.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 258, de 12 de julho de 2001. Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 554/2017. Estabelece critérios norteadores das práticas de uso e de comportamento dos profissionais de enfermagem em meios de comunicação de massa. Brasília: Cofen; 2017.
