Transfusão de sangue: cuidados de enfermagem passo a passo
Postado em 08/05/2026
Do recebimento da bolsa ao registro final: o roteiro seguro da transfusão e como reconhecer cada reação transfusional.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA transfusão segura exige identificação do paciente e da bolsa à beira do paciente com dupla checagem, sinais vitais antes, nos primeiros 15 minutos e ao final, início lento com o profissional presente, equipo com filtro próprio, nenhum medicamento na mesma via (apenas soro fisiológico 0,9%) e tempo máximo de 4 horas por bolsa. Diante de qualquer sinal de reação, a transfusão deve ser interrompida imediatamente, mantendo o acesso com soro fisiológico.
Antes de instalar
- Confirme a prescrição, o consentimento quando exigido e o motivo da transfusão.
- Verifique o acesso venoso: calibre adequado e permeável. Em adultos, cateteres de 20 a 18 G costumam ser suficientes.
- Afira e registre sinais vitais basais: temperatura, pressão, frequência cardíaca e respiratória, saturação.
- Ao receber a bolsa, confira aspecto, integridade, validade, tipo de hemocomponente e etiqueta de compatibilidade.
Dupla checagem junto ao paciente
A conferência é feita junto ao paciente por dois profissionais: nome completo e segundo identificador da pulseira, número da bolsa, tipo ABO e Rh do paciente e da bolsa, e a etiqueta de compatibilidade. Erros de identificação são a principal causa de reação hemolítica aguda por incompatibilidade ABO, que pode ser fatal.
Durante a transfusão
| Momento | Cuidado |
|---|---|
| Primeiros 15 minutos | Infusão lenta, profissional presente, sinais vitais ao final desse período |
| Durante | Velocidade conforme prescrição e condição clínica; observação de queixas e sinais |
| Tempo máximo | Até 4 horas por bolsa a partir da retirada da conservação |
| Via | Equipo com filtro para hemocomponentes; não infundir medicamentos nem soluções com glicose ou cálcio na mesma via |
| Ao final | Sinais vitais, registro de volume, horário, número da bolsa e intercorrências |
Reações transfusionais
| Reação | Sinais |
|---|---|
| Febril não hemolítica | Febre e calafrios, sem outros sinais |
| Alérgica | Urticária, prurido; nos casos graves, broncoespasmo e anafilaxia |
| Hemolítica aguda | Febre, dor lombar ou no local da infusão, hipotensão, urina escura, ansiedade |
| Sobrecarga circulatória (TACO) | Dispneia, hipertensão, estase jugular, edema pulmonar |
| Lesão pulmonar aguda (TRALI) | Dispneia e hipoxemia nas primeiras 6 horas, com hipotensão |
| Contaminação bacteriana | Febre alta, calafrios intensos, hipotensão |
Perguntas frequentes
Qual o tempo máximo de uma transfusão?
Até 4 horas por bolsa, contadas a partir da retirada da conservação. Se não terminar nesse tempo, a bolsa deve ser descartada conforme protocolo.
Pode infundir soro glicosado junto com sangue?
Não. Apenas soro fisiológico 0,9% é compatível. Glicose causa hemólise e soluções com cálcio podem coagular o hemocomponente.
Quando aferir sinais vitais na transfusão?
Antes de iniciar, ao final dos primeiros 15 minutos, ao término e sempre que houver queixa ou sinal de reação.
O que fazer na febre durante a transfusão?
Interromper, manter o acesso com soro fisiológico, conferir a identificação, comunicar a equipe e o serviço de hemoterapia e seguir o protocolo de investigação.
Acessos, hemoterapia e prevenção de complicações na Habilitação em Terapia Infusional e Acessos Vasculares.
Referências
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 709/2022. Atualiza a Norma Técnica que dispõe sobre a atuação de Enfermeiro e de Técnico de Enfermagem em Hemoterapia. Brasília: Cofen; 2022.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 5, de 28 de setembro de 2017. Anexo IV: Do sangue, componentes e hemoderivados.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 34, de 11 de junho de 2014. Boas práticas no ciclo do sangue.
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia para uso de hemocomponentes. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2015.
