Cateterismo umbilical: a importância do Enfermeiro habilitado

Cateterismo umbilical: a importância do Enfermeiro habilitado

Postado em 11/10/2026

O cateter venoso umbilical costuma ser o primeiro acesso central do recém-nascido grave. Ele salva vidas, mas um erro de posição ou de manutenção pode causar danos sérios. Por isso a capacitação do Enfermeiro é parte da segurança do paciente.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA Resolução Cofen nº 388/2011 define o acesso venoso por cateterismo umbilical como procedimento privativo do Enfermeiro dentro da equipe de enfermagem e exige conhecimento, competência e habilidade que garantam rigor técnico-científico, além de capacitação contínua. As complicações mais temidas são o mau posicionamento da ponta, a infecção de corrente sanguínea, a trombose, o sangramento por desconexão e as lesões causadas por infusão em local inadequado. Um Enfermeiro habilitado reduz esses riscos porque domina a indicação, a técnica, a confirmação de posição e a manutenção do cateter.

Por que o tema exige preparo específico

Nas primeiras horas de vida, os vasos umbilicais oferecem acesso rápido à circulação central do recém-nascido. O cateter venoso umbilical permite infundir soluções hipertônicas, nutrição parenteral, drogas vasoativas e hemoderivados, além de ser usado na reanimação em sala de parto. Ao mesmo tempo, o neonato tem margem mínima para erro: poucos centímetros separam uma posição adequada de uma posição que pode levar a lesão hepática, arritmia ou derrame pericárdico.

A técnica passo a passo e as indicações gerais já foram apresentadas no texto sobre cateterismo umbilical pelo Enfermeiro. Este conteúdo trata do outro lado: o que a capacitação muda na segurança do recém-nascido.

Complicações que a capacitação ajuda a evitar

ComplicaçãoComo acontecePrevenção
Mau posicionamento da pontaCateter fica no sistema porta ou no fígado, ou avança demais para dentro do coraçãoEstimativa prévia do comprimento por método padronizado, confirmação por imagem antes do uso pleno e correção conforme protocolo
Lesão hepáticaInfusão de soluções hipertônicas ou irritantes com a ponta em posição hepáticaNão infundir esse tipo de solução até a confirmação da posição
Arritmia e derrame pericárdicoPonta posicionada profundamente no coraçãoConfirmar a posição e reavaliar periodicamente, principalmente se o quadro clínico mudar
Infecção de corrente sanguíneaQuebra de técnica asséptica na inserção ou na manipulaçãoBarreira máxima na inserção, desinfecção de conectores e manipulação mínima
TrombosePresença do cateter e estado de hipercoagulabilidadeRevisão diária da necessidade e retirada assim que possível
SangramentoDesconexão do sistema ou fixação inadequadaConexões travadas, fixação segura e sistema sempre visível

Confirmação da posição: um ponto crítico

A posição desejada para o cateter venoso umbilical é com a ponta na veia cava inferior, próxima à sua junção com o átrio direito. Essa posição deve ser confirmada por exame de imagem, como a radiografia, conforme protocolo da unidade. O ultrassom tem sido cada vez mais usado para essa finalidade em muitos serviços, e sua aplicação pelo Enfermeiro depende da capacitação exigida pela Resolução Cofen nº 679/2021, sem emissão de laudo.

O Enfermeiro precisa saber reconhecer uma posição inadequada e agir: tracionar até a posição correta quando o protocolo permitir, restringir o uso do cateter até nova avaliação ou comunicar a equipe médica. Nunca se reintroduz um cateter já exposto ao meio externo.

Manutenção: onde muitos eventos acontecem

  • Inspecionar o coto e a região periumbilical a cada turno quanto a sangramento, secreção, hiperemia e odor.
  • Conferir a marca externa do cateter e registrar qualquer deslocamento.
  • Observar perfusão de membros inferiores e região glútea, sinais de distensão abdominal e alterações de ritmo cardíaco.
  • Manter o sistema fechado, com desinfecção dos conectores antes de cada acesso.
  • Seguir o protocolo de permanência máxima e planejar a transição para outro acesso, como o PICC, quando indicado.

Essas competências, da indicação à retirada, compõem a Habilitação em Cateterismo Umbilical do Grupo Nobre, voltada a Enfermeiros que atuam ou querem atuar em UTI neonatal e sala de parto.

Perguntas frequentes

O técnico de enfermagem pode passar o cateter umbilical?

Não. Na equipe de enfermagem, o acesso venoso por cateterismo umbilical é privativo do Enfermeiro. O técnico participa dos cuidados de manutenção sob supervisão.

A resolução exige um curso com carga horária mínima?

A norma não fixa carga horária. Ela exige competência técnico-científica e capacitação contínua, que devem ser comprovadas, por exemplo, com certificado e prática supervisionada.

O cateter umbilical pode ser usado na reanimação neonatal?

Sim, é uma via de acesso usada na reanimação em sala de parto, conforme as diretrizes e o protocolo da instituição.

Quando trocar o cateter umbilical por PICC?

Quando o recém-nascido precisa de acesso central por mais tempo do que o protocolo permite para o cateter umbilical. A decisão é da equipe e segue o protocolo da unidade.

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Referências

  1. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 388, de 18 de outubro de 2011. Normatiza a execução, pelo enfermeiro, do acesso venoso, via cateterismo umbilical. Brasília: Cofen; 2011.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.
  3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. 2ª ed. Brasília: Anvisa; 2017. (Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde).
  4. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th Edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679, de 2021. Normatiza a realização de ultrassonografia pelo Enfermeiro. Brasília: Cofen; 2021.
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