Trombose venosa profunda: ultrassom de compressão em dois pontos

Trombose venosa profunda: ultrassom de compressão em dois pontos

Postado em 11/10/2026

A compressão venosa da femoral comum e da poplítea é uma das técnicas mais estudadas do ultrassom no ponto de cuidado. Veja como funciona, o que ela não enxerga e como o Enfermeiro usa o achado com responsabilidade.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO ultrassom de compressão em dois pontos avalia a veia femoral comum, na região inguinal, e a veia poplítea, atrás do joelho. Uma veia normal colaba por completo sob a pressão do transdutor; uma veia que não colaba levanta suspeita de trombo. A técnica é rápida, mas não avalia todo o sistema venoso, por isso costuma ser usada junto com a probabilidade clínica, o D-dímero e a repetição do exame ou o exame completo. Para o Enfermeiro, é uma avaliação focada: o achado é registrado e comunicado, e o diagnóstico e o tratamento cabem à equipe médica.

O princípio: veia saudável colaba

Veias têm parede fina e baixa pressão. Quando o transdutor, em corte transversal, comprime a veia contra os planos profundos, a luz desaparece. A artéria ao lado, de parede espessa e com pulso, mantém a forma. Se a veia não colaba por completo mesmo com pressão suficiente para deformar levemente a artéria, o achado é chamado de veia não compressível e sugere a presença de trombo. O trombo recente pode ser pouco ecogênico, por isso o critério principal é a compressibilidade, e não a visualização do coágulo.

Os dois pontos e a técnica

PontoPosição do pacienteOnde comprimir
Veia femoral comumDecúbito dorsal, coxa levemente rodada para fora e joelho um pouco fletido; cabeceira elevada ajuda a distender as veiasLogo abaixo do ligamento inguinal, da junção safenofemoral até a bifurcação em veia femoral e femoral profunda
Veia poplíteaJoelho fletido, decúbito lateral ou ventralNa fossa poplítea, acompanhando a veia até a trifurcação das veias da perna

Use transdutor linear de alta frequência, em corte transversal, e comprima em intervalos curtos ao longo de cada segmento, não em um único ponto. Ajuste profundidade e ganho para que veia e artéria fiquem no centro da tela. Compare com o membro contralateral quando houver dúvida.

O que o exame em dois pontos não enxerga

  • Veias da panturrilha: tromboses isoladas abaixo da trifurcação poplítea não são avaliadas.
  • Segmento médio da coxa: trombos restritos à veia femoral, entre os dois pontos, podem passar despercebidos.
  • Veias ilíacas e pélvicas: não são avaliadas pela compressão.

Por isso, o estudo de Bernardi e colaboradores, publicado no JAMA em 2008, comparou a estratégia de dois pontos seriada (com D-dímero e repetição do exame em uma semana quando indicado) ao ultrassom completo da perna e encontrou desempenho semelhante. Consensos de radiologia vascular, como o da Society of Radiologists in Ultrasound, dão preferência ao exame completo do membro. Na prática, o exame negativo em dois pontos não encerra a investigação quando a suspeita clínica é alta.

Armadilhas comuns

  1. Pressão insuficiente, especialmente em pacientes com obesidade ou edema.
  2. Confundir a artéria com a veia, ou um linfonodo inguinal com veia trombosada.
  3. Avaliar só um ponto da veia e não percorrer o segmento.
  4. Interpretar cisto de Baker ou hematoma como trombo.
  5. Duplicação da veia femoral ou poplítea, que pode esconder um dos ramos trombosado.

Onde entra o Enfermeiro

O Enfermeiro com capacitação específica usa a compressão venosa como avaliação focada do Processo de Enfermagem. Exemplos: o paciente acamado com edema e dor assimétrica em membro inferior, o paciente em pós-operatório sob protocolo de prevenção de tromboembolismo, ou o acompanhamento de membro superior com cateter central de inserção periférica, quando a equipe de terapia infusional avalia a veia antes da inserção e durante a permanência do dispositivo. O resultado esperado é uma resposta objetiva, como "veia femoral comum compressível bilateralmente" ou "veia poplítea direita não compressível", registrada e comunicada de imediato ao médico. Não cabe ao Enfermeiro afirmar o diagnóstico de trombose, emitir laudo ou decidir anticoagulação.

Perguntas frequentes

Ultrassom de dois pontos normal descarta trombose?

Não por si só. Ele não avalia veias da panturrilha, pélvicas nem todo o segmento da coxa. A conduta depende da probabilidade clínica, do D-dímero e, muitas vezes, de repetição ou exame completo.

O Enfermeiro pode dar o diagnóstico de TVP?

Não. O Enfermeiro registra e comunica o achado da avaliação focada. O diagnóstico nosológico e a decisão terapêutica são da equipe médica.

Comprimir a veia com trombo é perigoso?

A técnica usa pressão suave e progressiva, apenas até colabar a veia normal. Ao identificar veia não compressível, não há motivo para insistir na compressão daquele segmento.

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Referências

  1. Bernardi E, Camporese G, Büller HR, et al. Serial 2-point ultrasonography plus D-dimer vs whole-leg color-coded Doppler ultrasonography for diagnosing suspected symptomatic deep vein thrombosis: a randomized controlled trial. JAMA. 2008;300(14):1653-1659.
  2. Needleman L, Cronan JJ, Lilly MP, et al. Ultrasound for lower extremity deep venous thrombosis: multidisciplinary recommendations from the Society of Radiologists in Ultrasound Consensus Conference. Circulation. 2018;137(14):1505-1515.
  3. Wells PS, Anderson DR, Rodger M, et al. Evaluation of D-dimer in the diagnosis of suspected deep-vein thrombosis. N Engl J Med. 2003;349(13):1227-1235.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679/2021. Ultrassonografia realizada por Enfermeiro. Brasília: Cofen; 2021.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736/2024. Implementação do Processo de Enfermagem. Brasília: Cofen; 2024.
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