Botões do ultrassom: ganho, profundidade e modos
Postado em 11/10/2026
Boa parte das imagens ruins no ultrassom não vem do paciente, e sim de ajustes errados. Conheça os botões que mais importam e como usá-los em cada aplicação.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaKnobology é o nome dado ao domínio dos controles do aparelho de ultrassom. Os ajustes essenciais são o preset (configuração por tipo de exame), a profundidade, que deve deixar o alvo no centro ou no terço inferior da tela, o ganho, que controla o brilho geral, e o foco, quando disponível. Os modos mais usados no POCUS são o modo B (imagem em tons de cinza), o modo M (movimento ao longo do tempo) e o Doppler colorido (presença e direção do fluxo). Ajustar esses controles antes de interpretar a imagem evita erros grosseiros, como confundir uma veia com uma artéria.
Por que os ajustes importam
O mesmo vaso pode parecer cheio de ecos ou totalmente preto apenas mudando o ganho. Uma bexiga pode parecer menor do que é se a profundidade cortar parte dela. No POCUS, em que o Enfermeiro precisa responder perguntas objetivas e registrar achados descritivos, a qualidade da imagem é condição para a segurança da decisão. A literatura sobre equipamentos de ultrassom no ponto de cuidado, como a revisão de Enriquez e Wu, de 2014, trata o domínio dos controles como etapa básica da formação.
Antes de ligar: transdutor, preset e orientação
- Escolha o transdutor pela profundidade do alvo: linear para estruturas superficiais, convexo ou setorial para estruturas profundas.
- Selecione o preset correspondente (vascular, abdominal, pulmonar, cardíaco, partes moles). Ele ajusta de uma vez frequência, filtros e processamento de imagem.
- Confira a orientação: toque um lado do transdutor com o dedo enluvado e veja de que lado a imagem se mexe na tela. O marcador do transdutor deve corresponder ao indicador na tela.
Os controles essenciais
| Controle | O que faz | Erro comum | Como acertar |
|---|---|---|---|
| Profundidade | Define até onde a tela mostra os tecidos | Profundidade excessiva deixa o alvo pequeno no topo | Deixe o alvo ocupando o centro da tela, com um pouco de tecido abaixo dele |
| Ganho geral | Amplifica todos os ecos recebidos | Ganho alto preenche vasos e líquidos com ecos falsos; ganho baixo apaga estruturas | Líquidos e sangue devem aparecer pretos; tecidos, em cinza com detalhe |
| TGC (compensação de ganho por profundidade) | Ajusta o ganho em faixas de profundidade | Faixas desalinhadas criam listras claras ou escuras | Mantenha as chaves alinhadas e corrija só a faixa necessária |
| Foco | Melhora a resolução lateral em uma profundidade | Foco longe do alvo | Posicione o marcador de foco na altura do alvo ou logo abaixo |
| Frequência | Troca entre resolução e penetração | Alta frequência em alvo profundo | Use frequência mais baixa quando a imagem perder brilho no fundo |
| Congelar e medir | Para a imagem e permite medir com cursores | Medir em imagem oblíqua | Congele no maior diâmetro e use a revisão de quadros (cine) |
Os modos de imagem no POCUS
- Modo B (brilho): é a imagem bidimensional em tons de cinza, usada na maioria das aplicações, como punção, bexiga e FAST.
- Modo M (movimento): mostra o movimento das estruturas ao longo de uma linha no tempo. É útil para documentar deslizamento pleural e a variação respiratória da veia cava inferior.
- Doppler colorido: mostra a presença e a direção do fluxo em cores. Por convenção, o fluxo em direção ao transdutor aparece em vermelho e o que se afasta, em azul, o que não tem relação com ser artéria ou veia.
- Doppler de amplitude (power): mais sensível para fluxos lentos, mas não informa direção.
- Doppler pulsado: registra o espectro de velocidades em um ponto, permitindo diferenciar fluxo pulsátil arterial de fluxo venoso.
Ergonomia e organização do exame
Posicione o aparelho na linha do olhar, do lado oposto ao do operador, ajuste a altura da cama e apoie a mão que segura o transdutor no paciente. Esses detalhes reduzem movimentos involuntários, especialmente na punção guiada, e diminuem a fadiga em exames seriados.
Perguntas frequentes
O preset resolve todos os ajustes?
Não. Ele é um ponto de partida. Profundidade, ganho e foco quase sempre precisam de ajuste para cada paciente.
Vermelho no Doppler é sempre artéria?
Não. A cor indica se o fluxo se aproxima ou se afasta do transdutor.
Qual a diferença entre ganho geral e TGC?
O ganho geral muda o brilho da imagem inteira. O TGC ajusta o brilho por faixas de profundidade.
Treino prático de ajustes, modos e protocolos focados na habilitação em ultrassonografia do Grupo Nobre.
Referências
- Enriquez JL, Wu TS. An introduction to ultrasound equipment and knobology. Crit Care Clin. 2014;30(1):25-45.
- Moore CL, Copel JA. Point-of-care ultrasonography. N Engl J Med. 2011;364(8):749-57.
- American College of Emergency Physicians. Ultrasound guidelines: emergency, point-of-care and clinical ultrasound guidelines in medicine. Ann Emerg Med. 2017;69(5):e27-e54.
- Volpicelli G, Elbarbary M, Blaivas M, et al. International evidence-based recommendations for point-of-care lung ultrasound. Intensive Care Med. 2012;38(4):577-91.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679, de 20 de agosto de 2021.
