Física do ultrassom e tipos de transdutor

Física do ultrassom e tipos de transdutor

Postado em 11/10/2026

Antes de puncionar uma veia ou procurar líquido livre, é preciso entender como a imagem se forma. Os conceitos básicos de física explicam por que cada transdutor serve para uma tarefa.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO ultrassom forma imagens a partir de ondas sonoras de alta frequência que são emitidas pelo transdutor, refletidas pelos tecidos e captadas de volta. Quanto maior a frequência, melhor a resolução e menor a penetração. Por isso, o transdutor linear, de alta frequência, é usado em estruturas superficiais como veias e pleura, enquanto o convexo e o setorial, de baixa frequência, alcançam órgãos profundos, como bexiga, fígado e coração. Entender essa troca entre resolução e profundidade é o primeiro passo para usar o POCUS com segurança.

Como a imagem é formada

O transdutor contém cristais piezoelétricos que vibram quando recebem corrente elétrica e geram pulsos de som. Esses pulsos atravessam os tecidos e, a cada interface entre estruturas diferentes, parte da energia volta ao transdutor como eco. O aparelho calcula a profundidade de cada eco pelo tempo que ele leva para retornar, assumindo uma velocidade média do som nos tecidos moles de cerca de 1.540 metros por segundo, e transforma a intensidade do eco em tons de cinza.

O ultrassom diagnóstico usa frequências muito acima da audição humana, na casa dos megahertz (MHz). Não há radiação ionizante, o que permite repetir o exame quantas vezes forem necessárias.

Frequência, resolução e penetração

Essa é a regra mais importante para quem começa: alta frequência dá imagem mais nítida, mas penetra pouco; baixa frequência penetra mais, mas com menos detalhe. Isso acontece porque as ondas de alta frequência são atenuadas mais rapidamente ao atravessar os tecidos.

Ecogenicidade: o vocabulário da imagem

TermoAparência na telaExemplos
AnecoicoPreto, sem ecosSangue dentro do vaso, urina na bexiga, líquido livre
HipoecoicoCinza escuroMúsculo, alguns linfonodos
IsoecoicoMesma tonalidade da estrutura de referênciaComparação entre órgãos
HiperecoicoBranco ou cinza claroOsso, pleura, agulha, gordura em interfaces, diafragma

Descrever com esses termos ajuda o Enfermeiro a registrar o que vê de forma objetiva, sem transformar a descrição em diagnóstico.

Tipos de transdutor e quando usar

TransdutorFrequênciaFormato da imagemAplicações focadas
LinearAltaRetangularPunção venosa periférica e PICC, punção arterial, deslizamento pleural, partes moles
Convexo (curvilíneo)BaixaEm leque, base largaVolume vesical, janelas abdominais do FAST, avaliação gástrica, pulmão
Setorial (phased array)BaixaEm leque, base estreitaJanelas cardíacas entre as costelas, veia cava inferior, FAST

Os valores exatos de frequência variam conforme o fabricante e o modelo. Alguns aparelhos portáteis usam um único transdutor que simula diferentes tipos por meio de presets. Nesses casos, vale conhecer as limitações do equipamento antes de usá-lo em procedimentos.

Artefatos: quando a imagem engana e quando ajuda

Artefatos são imagens que não correspondem exatamente à anatomia. Alguns atrapalham, outros são a base de aplicações inteiras, como o ultrassom pulmonar.

  • Sombra acústica: faixa escura atrás de estruturas que bloqueiam o som, como osso e cálculos.
  • Reforço acústico posterior: área mais clara atrás de estruturas com líquido, como a bexiga, porque o som atravessa o líquido com pouca atenuação.
  • Reverberação: linhas repetidas e equidistantes entre duas superfícies muito refletoras. As linhas A do pulmão são um exemplo.
  • Cauda de cometa e artefatos verticais: aparecem em pequenas interfaces muito refletoras. As linhas B do pulmão pertencem a esse grupo.
  • Imagem em espelho: duplicação de uma estrutura do outro lado de uma interface forte, como o diafragma.
  • Anisotropia: estruturas como tendões e a própria agulha mudam de brilho conforme o ângulo do feixe.

Perguntas frequentes

O ultrassom faz mal ao paciente?

O ultrassom diagnóstico não usa radiação ionizante. Ainda assim, recomenda-se usar o tempo e a potência necessários para responder a pergunta clínica.

Preciso de três transdutores para começar?

Depende das aplicações. Para punções, o linear é essencial. Para bexiga, FAST e veia cava, é necessário um transdutor de baixa frequência.

Por que a agulha às vezes some da tela?

Ela pode ter saído do plano do feixe ou estar em ângulo muito íngreme, o que reduz o eco que retorna ao transdutor.

Do básico ao avançado

Física, transdutores, ajustes e protocolos focados na habilitação em ultrassonografia do Grupo Nobre.

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Referências

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  2. Enriquez JL, Wu TS. An introduction to ultrasound equipment and knobology. Crit Care Clin. 2014;30(1):25-45.
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  4. American College of Emergency Physicians. Ultrasound guidelines: emergency, point-of-care and clinical ultrasound guidelines in medicine. Ann Emerg Med. 2017;69(5):e27-e54.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679, de 20 de agosto de 2021.
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