Ultrassom de bexiga: cálculo do volume vesical

Ultrassom de bexiga: cálculo do volume vesical

Postado em 11/10/2026

Saber quanto de urina há na bexiga antes de passar uma sonda evita cateterismos desnecessários. Veja como medir, como calcular e como registrar.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO volume vesical pode ser estimado ao ultrassom medindo a bexiga em três dimensões: largura e altura no corte transversal e comprimento no corte longitudinal. O volume aproximado é o produto das três medidas multiplicado por um coeficiente de cerca de 0,52, derivado da fórmula do elipsoide. Muitos aparelhos e os bladder scanners fazem o cálculo automaticamente. A diretriz do CDC para prevenção de infecção urinária associada a cateter recomenda considerar o ultrassom portátil para avaliar o volume urinário em pacientes em cateterismo intermitente, reduzindo inserções desnecessárias.

Por que medir a bexiga antes de sondar

O cateterismo vesical é um procedimento invasivo e cada inserção aumenta o risco de infecção do trato urinário e de trauma uretral. Em situações como suspeita de retenção urinária, avaliação de resíduo pós-miccional ou programação de cateterismo intermitente, a pergunta clínica é objetiva: quanto de urina existe na bexiga agora? O ultrassom responde a essa pergunta de forma não invasiva, rápida e repetível.

A diretriz do CDC de 2009 para prevenção de infecção urinária associada a cateter traz a recomendação de considerar o uso de ultrassom portátil para avaliar o volume urinário em pacientes em cateterismo intermitente, com o objetivo de reduzir inserções desnecessárias.

Equipamento e preparo

  • Transdutor convexo de baixa frequência, com preset abdominal ou vesical.
  • Bladder scanner: aparelho dedicado que estima o volume automaticamente. É prático, mas também sofre interferências.
  • Paciente em decúbito dorsal, com a região suprapúbica exposta e privacidade garantida.
  • Gel em quantidade suficiente e transdutor limpo e desinfetado conforme protocolo.

Passo a passo da medida

  1. Corte transversal: posicione o transdutor logo acima da sínfise púbica, com o marcador voltado para a direita do paciente, angulando levemente para baixo, em direção à pelve. Procure a imagem anecoica da bexiga e ajuste a profundidade para vê-la inteira.
  2. Meça a largura (diâmetro lateral maior) e a altura (diâmetro anteroposterior maior) no ponto em que a bexiga aparece mais ampla.
  3. Corte longitudinal: gire o transdutor 90 graus, com o marcador voltado para a cabeça do paciente, e meça o comprimento (diâmetro craniocaudal maior).
  4. Calcule: volume aproximado (mL) = comprimento x largura x altura (em cm) x 0,52. Se o aparelho tiver o cálculo de volume vesical, ele aplica a fórmula automaticamente.
  5. Registre o volume, o horário, a posição do paciente e o contexto (antes ou depois da micção, por exemplo).
MedidaCorteOrientação do marcador
LarguraTransversalDireita do paciente
Altura (anteroposterior)Transversal ou longitudinalConforme o corte
ComprimentoLongitudinalCabeça do paciente

Fontes de erro mais comuns

A fórmula assume que a bexiga tem forma aproximadamente elipsoide, o que nem sempre é verdade. Bexigas muito vazias ou de formato irregular podem ter o volume subestimado ou superestimado. Outras situações que interferem na medida:

  • Ascite ou cistos pélvicos, que podem ser confundidos com a bexiga.
  • Gestação, em que o útero gravídico desloca e comprime a bexiga.
  • Obesidade, cicatrizes e curativos suprapúbicos, que prejudicam a janela.
  • Sonda vesical já inserida, com balão visível dentro da bexiga.
  • Medidas feitas fora do maior diâmetro, por falta de varredura completa.

Onde a medida se encaixa no cuidado

A avaliação do volume vesical apoia decisões que já são parte do trabalho da enfermagem: a necessidade de cateterismo de alívio, o acompanhamento de pacientes com bexiga neurogênica em cateterismo intermitente, a vigilância de retenção no pós-operatório e a avaliação de resíduo pós-miccional. A Resolução Cofen nº 450/2013 estabelece que a inserção de cateter vesical é privativa do Enfermeiro na equipe de enfermagem, e o ultrassom ajuda a indicar esse procedimento apenas quando necessário.

Perguntas frequentes

Bladder scanner e ultrassom convencional dão o mesmo resultado?

Ambos estimam o volume. O bladder scanner automatiza o cálculo, enquanto o ultrassom convencional permite ver a imagem e identificar interferências, como ascite.

Qual coeficiente usar na fórmula?

O mais usado é cerca de 0,52, da fórmula do elipsoide. Alguns aparelhos aplicam coeficientes próprios no cálculo automático.

Técnico de enfermagem pode fazer a medida?

A Resolução Cofen nº 679/2021 define a ultrassonografia como atividade privativa do Enfermeiro na equipe de enfermagem.

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Referências

  1. Gould CV, Umscheid CA, Agarwal RK, Kuntz G, Pegues DA; Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee. Guideline for prevention of catheter-associated urinary tract infections 2009. Atlanta: CDC; 2009.
  2. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 450, de 11 de dezembro de 2013. Normatiza a atuação da equipe de enfermagem no procedimento de sondagem vesical.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679, de 20 de agosto de 2021.
  4. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa; 2017.
  5. Dicuio M, et al. Measurements of urinary bladder volume: comparison of five ultrasound calculation methods in volunteers. Arch Ital Urol Androl. 2005;77(1):60-2.
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