Dor no recém-nascido: escalas e medidas não farmacológicas

Dor no recém-nascido: escalas e medidas não farmacológicas

Postado em 11/10/2026

O recém-nascido sente dor, mas não consegue dizer. Reconhecer seus sinais com escalas validadas e prevenir o sofrimento em cada procedimento é responsabilidade diária da equipe de enfermagem.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA dor no recém-nascido é avaliada por escalas que combinam sinais comportamentais e fisiológicos, como a NIPS, para dor aguda em procedimentos, e a PIPP, que considera a idade gestacional e é muito usada em prematuros. Antes de procedimentos dolorosos, a enfermagem deve aplicar medidas não farmacológicas com evidência: amamentação, contato pele a pele, sucção não nutritiva, solução adocicada oral conforme protocolo, contenção facilitada e redução de estímulos. A dor deve ser avaliada antes, durante e depois do procedimento e registrada no prontuário. Analgesia farmacológica depende de prescrição.

Por que a dor neonatal importa

Durante muito tempo se acreditou que o recém-nascido não sentia dor ou não se lembrava dela. Hoje se sabe que as vias nociceptivas estão funcionais desde o período fetal e que os mecanismos de inibição da dor ainda são imaturos, o que torna o recém-nascido, e especialmente o prematuro, mais sensível. Na UTI neonatal, um bebê pode passar por muitos procedimentos dolorosos por dia, como punções de calcanhar, punções venosas, aspiração e remoção de adesivos. A exposição repetida sem controle está associada a instabilidade fisiológica e a alterações no desenvolvimento.

A Academia Americana de Pediatria recomenda que cada serviço tenha um programa de prevenção da dor, com avaliação rotineira, redução do número de procedimentos e uso sistemático de medidas não farmacológicas e farmacológicas.

Sinais de dor no recém-nascido

  • Comportamentais: fronte saliente, olhos espremidos, sulco nasolabial aprofundado, boca aberta ou estirada, choro, agitação de membros, rigidez ou, ao contrário, flacidez e retraimento.
  • Fisiológicos: aumento da frequência cardíaca, queda da saturação, alterações do padrão respiratório, sudorese palmar.

Atenção: prematuros extremos e bebês graves podem ter resposta comportamental pobre. A ausência de choro não significa ausência de dor.

Escalas mais usadas

EscalaO que avaliaUso principal
NIPS (Neonatal Infant Pain Scale)Expressão facial, choro, respiração, braços, pernas e estado de alertaDor aguda em procedimentos, recém-nascidos a termo e prematuros
PIPP e PIPP-R (Premature Infant Pain Profile)Idade gestacional, estado comportamental, frequência cardíaca, saturação e três expressões faciaisDor aguda, especialmente em prematuros
N-PASSDor e sedação, com ajuste para idade gestacionalDor prolongada e bebês em ventilação ou sedação
EDINExpressão facial, movimentos, sono, contato com a enfermagem e consolabilidadeDor prolongada

O serviço deve escolher as escalas, treinar toda a equipe e definir no protocolo a frequência de avaliação e os pontos de corte que levam a intervenção. A NIPS, por exemplo, varia de 0 a 7, e pontuações mais altas indicam mais dor.

Medidas não farmacológicas com evidência

  1. Amamentação durante o procedimento: combina contato, sucção e sabor doce e é uma das estratégias mais eficazes em bebês que mamam.
  2. Contato pele a pele: a revisão Cochrane de Johnston e colaboradores (2017) concluiu que o contato pele a pele reduz indicadores de dor em procedimentos isolados, como punção de calcanhar.
  3. Solução adocicada oral: a revisão Cochrane de Stevens e colaboradores (2016) mostrou que a sacarose reduz indicadores de dor em procedimentos isolados. O volume, a concentração e o intervalo seguem o protocolo do serviço, e a solução é oferecida cerca de 2 minutos antes do procedimento.
  4. Sucção não nutritiva: chupeta ou dedo enluvado, de preferência associada à solução adocicada.
  5. Contenção facilitada e enrolamento: manter o bebê em flexão, com mãos próximas à face, ajuda na autorregulação.
  6. Redução de estímulos: luz baixa, silêncio e agrupamento de cuidados.

Essas medidas se somam. Para procedimentos mais invasivos ou dor contínua, a equipe médica avalia analgesia farmacológica, e a enfermagem monitora resposta e efeitos adversos.

Perguntas frequentes

Prematuro sente mais dor que o bebê a termo?

O prematuro tem mecanismos de inibição da dor mais imaturos e tende a ser mais sensível, embora muitas vezes demonstre menos sinais comportamentais.

A solução adocicada pode ser usada em todos os procedimentos?

Ela tem evidência para procedimentos isolados e de curta duração. O uso repetido e o volume total devem seguir o protocolo institucional.

Quem pode aplicar as escalas de dor?

Toda a equipe de enfermagem treinada pode aplicar as escalas. O Enfermeiro interpreta os resultados no Processo de Enfermagem e planeja as intervenções.

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Referências

  1. Committee on Fetus and Newborn and Section on Anesthesiology and Pain Medicine. Prevention and management of procedural pain in the neonate: an update. Pediatrics. 2016;137(2):e20154271.
  2. Stevens B, Yamada J, Ohlsson A, Haliburton S, Shorkey A. Sucrose for analgesia in newborn infants undergoing painful procedures. Cochrane Database Syst Rev. 2016;7:CD001069.
  3. Johnston C, Campbell-Yeo M, Disher T, et al. Skin-to-skin care for procedural pain in neonates. Cochrane Database Syst Rev. 2017;2:CD008435.
  4. Lawrence J, Alcock D, McGrath P, Kay J, MacMurray SB, Dulberg C. The development of a tool to assess neonatal pain. Neonatal Netw. 1993;12(6):59-66.
  5. Stevens B, Johnston C, Petryshen P, Taddio A. Premature Infant Pain Profile: development and initial validation. Clin J Pain. 1996;12(1):13-22.
  6. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção humanizada ao recém-nascido: Método Canguru: manual técnico. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2017.
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