Testes do olhinho, orelhinha, coraçãozinho e linguinha
Postado em 11/10/2026
Além do teste do pezinho, a triagem neonatal brasileira inclui quatro avaliações que detectam precocemente alterações visuais, auditivas, cardíacas e da língua. O Enfermeiro garante que nenhum bebê saia da maternidade sem elas.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA triagem neonatal clínica reúne o teste do olhinho (reflexo vermelho), o teste da orelhinha (triagem auditiva), o teste do coraçãozinho (oximetria de pulso) e o teste da linguinha (avaliação do frênulo lingual). Todos devem ser feitos preferencialmente na maternidade, antes da alta. O teste da orelhinha é obrigatório pela Lei nº 12.303/2010 e o da linguinha pela Lei nº 13.002/2014. O teste do coraçãozinho foi incorporado ao SUS em 2014. O Enfermeiro organiza o fluxo, realiza os testes para os quais está capacitado, registra resultados na Caderneta da Criança e garante o encaminhamento dos alterados.
Visão geral dos quatro testes
| Teste | O que detecta | Quando | Como |
|---|---|---|---|
| Olhinho | Catarata congênita, glaucoma, retinoblastoma e outras opacidades | Antes da alta e repetido nas consultas dos primeiros anos | Oftalmoscópio direto em ambiente escurecido |
| Orelhinha | Perda auditiva congênita | Preferencialmente antes da alta | Emissões otoacústicas ou PEATE automático |
| Coraçãozinho | Cardiopatias congênitas críticas | Entre 24 e 48 horas de vida | Oximetria de pulso na mão direita e em um dos pés |
| Linguinha | Anquiloglossia que interfere na amamentação | Na maternidade, durante o exame do recém-nascido | Protocolo de Bristol |
Teste do olhinho (reflexo vermelho)
O teste do reflexo vermelho usa um oftalmoscópio direto, a cerca de 50 cm a 1 metro dos olhos do bebê, em sala na penumbra e sem colírio. O examinador observa se o reflexo está presente, se tem intensidade adequada e se é simétrico nos dois olhos. Reflexo ausente, assimétrico ou duvidoso exige encaminhamento ao oftalmologista. O documento científico da SBP de 2018 recomenda o teste antes da alta e sua repetição nas consultas de rotina, e cita as Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância, do Ministério da Saúde, que propõem a realização de duas a três vezes por ano nos três primeiros anos de vida.
Teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal)
A Lei nº 12.303/2010 tornou obrigatória a realização gratuita do exame de emissões otoacústicas evocadas em hospitais e maternidades. As Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal, do Ministério da Saúde (2012), orientam:
- Sem indicador de risco para deficiência auditiva: emissões otoacústicas evocadas. Se houver falha, reteste e, persistindo, avaliação com PEATE.
- Com indicador de risco (por exemplo, permanência em UTI neonatal, infecções congênitas, uso de ototóxicos, história familiar): PEATE automático, que também avalia a via auditiva neural.
O exame costuma ser feito por fonoaudiólogo. Cabe à enfermagem orientar a família, verificar a realização e garantir o agendamento do reteste.
Teste do coraçãozinho (oximetria de pulso)
Incorporado ao SUS pela Portaria SCTIE/MS nº 20/2014, o teste é feito em recém-nascidos com idade gestacional a partir de 35 semanas, estáveis, entre 24 e 48 horas de vida. Mede-se a saturação na mão direita (pré-ductal) e em um dos pés (pós-ductal). O manual da SBP atualizado em 2022 adota estes critérios:
- Negativo: saturação de 95% ou mais nas duas medidas e diferença de até 3% entre elas.
- Duvidoso: saturação entre 90% e 94% ou diferença de 4% ou mais. Repete-se após 1 hora, até duas vezes. Se persistir, o teste é considerado positivo.
- Positivo: saturação abaixo de 90% em qualquer medida. O bebê não recebe alta e passa por avaliação médica e ecocardiograma.
Use sensor neonatal adequado, aguarde leitura estável com boa curva de pulso e faça a medida com o bebê aquecido e tranquilo, de preferência acordado e sem chorar.
Teste da linguinha (frênulo lingual)
A Lei nº 13.002/2014 obriga a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em bebês nas maternidades. O Ministério da Saúde, em nota técnica de 2018, recomendou o Protocolo de Bristol, que avalia a aparência da ponta da língua, a fixação do frênulo na gengiva, a elevação e a projeção da língua. O objetivo é identificar anquiloglossia que comprometa a amamentação. A observação da mamada é parte essencial da avaliação, e a indicação de frenotomia é decisão de profissional habilitado após avaliação completa.
Perguntas frequentes
O teste do pezinho faz parte desses testes?
Ele integra a triagem neonatal, mas é um teste laboratorial em sangue seco, com regras próprias de coleta. A Lei nº 14.154/2021 ampliou o número de doenças rastreadas no SUS de forma escalonada.
Se o bebê teve alta sem o teste da orelhinha, o que fazer?
Encaminhar o quanto antes para o serviço de referência em triagem auditiva. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de intervenção eficaz.
Teste do coraçãozinho normal descarta cardiopatia?
Não. Ele rastreia cardiopatias críticas, mas não substitui o exame físico nem a avaliação de sopros e sinais clínicos.
Triagens, exame do recém-nascido e protocolos neonatais estão entre os conteúdos do MBA em UTI Neonatal e Pediátrica do Grupo Nobre.
Referências
- Brasil. Lei nº 12.303, de 2 de agosto de 2010. Dispõe sobre a obrigatoriedade de realização do exame denominado Emissões Otoacústicas Evocadas.
- Brasil. Lei nº 13.002, de 20 de junho de 2014. Obriga a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês.
- Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes de atenção da triagem auditiva neonatal. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
- Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes de atenção à saúde ocular na infância. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Grupo de Trabalho em Oftalmologia Pediátrica. Teste do reflexo vermelho. Documento Científico nº 1. SBP; 2018.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamentos Científicos de Cardiologia e Neonatologia. Manual de orientação sobre o teste do coraçãozinho (oximetria de pulso), atualização de agosto de 2022. Rio de Janeiro: SBP; 2022.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria SCTIE nº 20, de 10 de junho de 2014. Incorpora a oximetria de pulso (teste do coraçãozinho) a ser realizado de forma universal no SUS.
