HPV: vacinação no SUS e prevenção do câncer

HPV: vacinação no SUS e prevenção do câncer

Postado em 11/10/2026

A vacina contra o HPV é uma das ferramentas mais eficazes de prevenção do câncer do colo do útero. Em 2024 o esquema mudou para dose única, e a enfermagem precisa dominar as regras para não perder oportunidades.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaNo SUS, a vacina HPV quadrivalente (HPV4) é aplicada em dose única em meninas e meninos de 9 a 14 anos. O Ministério da Saúde fez estratégias de resgate para adolescentes de 15 a 19 anos não vacinados. Pela Nota Técnica Conjunta nº 101/2024, imunocomprometidos de 9 a 45 anos recebem três doses (0, 2 e 6 meses), vítimas de violência sexual recebem duas doses dos 9 aos 14 anos e três doses dos 15 aos 45 anos, e usuários de PrEP de 15 a 45 anos não vacinados recebem três doses. A vacina não substitui o rastreamento do câncer do colo do útero.

HPV: por que prevenir

O papilomavírus humano (HPV) é uma infecção sexualmente transmissível muito frequente. A maioria das infecções é eliminada pelo organismo, mas a infecção persistente por tipos de alto risco oncogênico, especialmente os tipos 16 e 18, é a causa necessária do câncer do colo do útero e está associada a cânceres de ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. Os tipos 6 e 11 causam a maior parte das verrugas anogenitais.

A Organização Mundial da Saúde lançou em 2020 a estratégia global para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública, apoiada em três pilares: vacinação de meninas, rastreamento com teste de alto desempenho e tratamento das lesões e do câncer.

Esquemas da vacina HPV4 no SUS

A vacina usada no Programa Nacional de Imunizações é a quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Em 2024, o Brasil adotou a dose única para a faixa etária de rotina, seguindo a recomendação da OMS de 2022. Os esquemas vigentes, conforme a Nota Técnica Conjunta nº 101/2024 do Ministério da Saúde, são:

PúblicoIdadeEsquema
Meninas e meninos9 a 14 anosDose única
Imunocomprometidos (pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados)9 a 45 anos3 doses (0, 2 e 6 meses)
Vítimas de violência sexual9 a 14 anos2 doses (0 e 6 meses)
Vítimas de violência sexual15 a 45 anos3 doses (0, 2 e 6 meses)
Usuários de PrEP não vacinados15 a 45 anos3 doses (0, 2 e 6 meses)

Usuários de PrEP com esquema incompleto devem completar as três doses, e quem já completou o esquema não recebe novas doses. Além disso, o Ministério da Saúde promoveu estratégias de resgate para adolescentes de 15 a 19 anos que não se vacinaram na idade recomendada. Como o resgate tem prazo definido por nota técnica, confira a orientação vigente no seu município.

Vacina e rastreamento: um não substitui o outro

A vacina previne a infecção pelos tipos contidos nela, mas não trata infecções já existentes e não cobre todos os tipos oncogênicos. Por isso, mulheres vacinadas continuam no programa de rastreamento do câncer do colo do útero, conforme a faixa etária e o método definidos pelas diretrizes vigentes do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Na consulta de enfermagem, vale aproveitar o contato com a mãe ou responsável para verificar a vacinação dos filhos e, com a adolescente, para conversar sobre prevenção combinada: vacina, preservativo e, no futuro, rastreamento.

Como a enfermagem aumenta a cobertura

  • Vacinar na escola: ações de vacinação escolar, em parceria com o Programa Saúde na Escola, alcançam adolescentes que não vão à unidade.
  • Checar a caderneta em todo contato: consulta de puericultura de irmãos, atendimento de demanda espontânea, renovação de receitas.
  • Incluir os meninos: a vacina também protege contra cânceres e verrugas no sexo masculino e reduz a transmissão.
  • Responder dúvidas com dados: segurança da vacina, eventos adversos esperados (dor no local, síncope em adolescentes) e ausência de relação com início precoce da vida sexual.
  • Não esquecer os grupos especiais: pessoas vivendo com HIV, transplantados, pacientes em tratamento oncológico, usuários de PrEP e vítimas de violência sexual.

Perguntas frequentes

Quem tomou uma dose antes de 2024 precisa completar o esquema?

Para a faixa de 9 a 14 anos imunocompetente, a dose única é considerada esquema completo. Grupos especiais seguem os esquemas próprios da nota técnica.

Mulher adulta pode tomar a vacina no SUS?

Apenas nos grupos previstos, como imunocomprometidas, vítimas de violência sexual e usuárias de PrEP, nas idades definidas. Fora deles, a vacina está disponível na rede privada.

A vacina trata lesões causadas pelo HPV?

Não. A vacina é preventiva. Lesões precursoras são diagnosticadas pelo rastreamento e tratadas conforme as diretrizes.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 101/2024-CGICI/DPNI/SVSA/MS. Atualização das recomendações da vacinação contra HPV. Brasília: Ministério da Saúde; 2024.
  2. World Health Organization. Human papillomavirus vaccines: WHO position paper, December 2022. Wkly Epidemiol Rec. 2022;97(50).
  3. World Health Organization. Global strategy to accelerate the elimination of cervical cancer as a public health problem. Geneva: WHO; 2020.
  4. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. 2ª ed. Rio de Janeiro: INCA; 2016.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Calendário Técnico Nacional de Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde.
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