Como elaborar POP e protocolos de enfermagem

Como elaborar POP e protocolos de enfermagem

Postado em 11/10/2026

POP que fica na gaveta não protege ninguém. Veja como escrever procedimentos e protocolos de enfermagem claros, baseados em evidências, dentro da competência legal e fáceis de usar no plantão.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO Procedimento Operacional Padrão (POP) descreve passo a passo como executar uma tarefa, enquanto o protocolo orienta condutas diante de uma situação clínica, com critérios de decisão e base em evidências. Ambos devem ter objetivo, abrangência, responsáveis, materiais, descrição das etapas, riscos, referências, controle de versão e assinaturas de elaboração e aprovação. A RDC Anvisa nº 63/2011 exige que os serviços de saúde tenham normas e rotinas técnicas escritas, atualizadas e acessíveis aos profissionais, e a Resolução Cofen nº 736/2024 associa o Processo de Enfermagem ao uso de protocolos institucionais.

POP e protocolo: qual a diferença

AspectoPOPProtocolo
FocoComo fazer uma tarefaO que fazer diante de uma situação clínica
ExemploCurativo de cateter venoso centralPrevenção de lesão por pressão
ConteúdoMateriais e sequência de passosCritérios de avaliação, condutas, fluxos e indicadores
BaseTécnica padronizada e normasEvidências científicas, diretrizes e legislação
RelaçãoPode ser anexo de um protocoloCostuma remeter a vários POPs

Estrutura recomendada

Padronize um modelo único para toda a instituição. Os campos mais usados são:

  1. Cabeçalho: nome da instituição, título, código, número da versão, data de elaboração e data da próxima revisão.
  2. Objetivo: o que o documento pretende garantir, em uma ou duas frases.
  3. Abrangência: unidades e públicos a que se aplica.
  4. Responsáveis: quem executa, por categoria profissional, respeitando a competência legal de cada uma.
  5. Definições: termos técnicos e siglas.
  6. Materiais: lista completa, para POPs de procedimento.
  7. Descrição: etapas numeradas, com verbos no infinitivo e uma ação por passo.
  8. Cuidados e riscos: pontos críticos, contraindicações e o que fazer em caso de intercorrência.
  9. Registro: o que deve ser documentado no prontuário.
  10. Indicadores: para protocolos, como será monitorada a adesão e o resultado.
  11. Referências: normas, diretrizes e artigos que sustentam o conteúdo.
  12. Controle: nomes e assinaturas de quem elaborou, revisou e aprovou, e histórico de alterações.

Passo a passo para elaborar

  1. Defina a prioridade: comece por procedimentos de maior risco, maior frequência ou com eventos adversos recentes.
  2. Forme um grupo: inclua Enfermeiros e Técnicos que executam o procedimento e, quando necessário, outras áreas, como controle de infecção, farmácia e medicina.
  3. Busque as evidências: normas do Ministério da Saúde, da Anvisa e do Cofen, diretrizes de sociedades científicas e literatura atualizada.
  4. Confira a competência legal: o documento não pode atribuir a uma categoria uma atividade que a lei ou as normas do Cofen não permitem.
  5. Escreva de forma simples: frases curtas, linguagem direta, fluxogramas quando ajudarem.
  6. Valide na prática: peça a profissionais que não participaram da redação para seguir o documento e apontar dúvidas.
  7. Aprove formalmente: pela gerência de enfermagem ou pelo Responsável Técnico e pelas instâncias previstas na instituição.
  8. Divulgue e treine: o documento deve estar acessível no local de uso, e a equipe deve ser capacitada, com registro.
  9. Revise periodicamente: defina um prazo de revisão e antecipe-o quando surgirem novas normas, novos produtos ou eventos adversos relacionados.

Erros comuns

  • Copiar POPs de outra instituição sem adaptar à realidade local de materiais, estrutura e equipe.
  • Textos longos e genéricos, que ninguém consulta no plantão.
  • Referências desatualizadas ou ausentes.
  • Documentos sem data, versão ou assinatura de aprovação.
  • Falta de treinamento e de verificação da adesão depois da publicação.
  • Documentos que descrevem a prática ideal, mas que a estrutura da unidade não permite cumprir, o que gera descrédito do POP e registros que não correspondem ao que foi feito.

Perguntas frequentes

Quem pode elaborar um POP de enfermagem?

A elaboração costuma ser coordenada por Enfermeiros, com participação da equipe que executa o procedimento. A aprovação cabe à gerência de enfermagem ou ao Responsável Técnico, conforme as regras da instituição.

Um POP pode ampliar a competência de uma categoria?

Não. O POP organiza a prática dentro dos limites da lei do exercício profissional e das normas do Cofen. Ele não autoriza o que a legislação não permite.

De quanto em quanto tempo devo revisar?

A instituição define o prazo no próprio documento. A revisão deve ser antecipada sempre que mudarem normas, produtos ou evidências.

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Referências

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 63, de 25 de novembro de 2011. Dispõe sobre os requisitos de boas práticas de funcionamento para os serviços de saúde.
  2. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 564/2017. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
  4. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Guia para construção de protocolos assistenciais de enfermagem. São Paulo: Coren-SP; 2015.
  5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde.
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