Acreditação hospitalar ONA e o papel da enfermagem
Postado em 11/10/2026
A enfermagem é a maior força de trabalho dos serviços de saúde e está presente em quase todos os processos avaliados na acreditação. Entenda a metodologia da ONA e como a equipe pode se preparar.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA acreditação é uma avaliação externa e voluntária que verifica se um serviço de saúde atende a padrões de qualidade e segurança. No Brasil, a Organização Nacional de Acreditação (ONA), criada em 1999, define três níveis: Acreditado (nível 1, foco em segurança), Acreditado Pleno (nível 2, gestão integrada) e Acreditado com Excelência (nível 3, excelência em gestão). Os certificados dos níveis 1 e 2 valem dois anos, e o do nível 3, três anos, com visitas de manutenção. A enfermagem participa diretamente com protocolos, registros, indicadores, gestão de riscos e educação permanente.
O que é acreditação
Acreditação é um processo em que uma instituição avaliadora externa verifica se o serviço cumpre padrões previamente definidos. Diferentemente do licenciamento sanitário, que é obrigatório, a acreditação é uma escolha da instituição, que busca demonstrar a qualidade do seu cuidado e organizar melhor os seus processos. No Brasil, a metodologia mais difundida é a da ONA, cujo manual foi construído a partir do modelo da Organização Pan-Americana da Saúde. Também existem metodologias internacionais aplicadas no país, como a da Joint Commission International.
Na ONA, a avaliação é feita por instituições acreditadoras credenciadas, e a certificação considera a organização de forma integral, e não apenas um setor isolado.
Os três níveis da ONA
| Nível | Princípio | Validade do certificado |
|---|---|---|
| 1: Acreditado | Segurança do paciente em todas as áreas de atividade, incluindo estrutura e assistência | 2 anos, com visitas de manutenção |
| 2: Acreditado Pleno | Gestão integrada, com processos fluindo e comunicação entre as áreas | 2 anos, com visitas de manutenção |
| 3: Acreditado com Excelência | Excelência em gestão, cultura de melhoria contínua e maturidade institucional | 3 anos, com visitas de manutenção |
Os níveis são cumulativos: para chegar ao nível 2, o serviço precisa cumprir os requisitos de segurança do nível 1, e assim por diante.
O certificado não é o objetivo final. O ganho real para a enfermagem está no caminho até ele: processos padronizados, papéis definidos, registros consistentes e uma cultura em que falhas são notificadas e analisadas. Por outro lado, quando a preparação se limita a produzir documentos para a visita, o esforço se perde logo depois da certificação.
Onde a enfermagem aparece na avaliação
Os avaliadores percorrem as unidades, entrevistam profissionais, consultam prontuários e verificam se o que está escrito nos documentos acontece na prática. A enfermagem é observada em praticamente todos os pontos:
- Protocolos de segurança: identificação do paciente, prevenção de quedas e de lesão por pressão, higiene das mãos, segurança na administração de medicamentos e cirurgia segura.
- Processo de Enfermagem: registros completos, com avaliação, diagnóstico, prescrição e evolução de enfermagem.
- Gestão de riscos: notificação de incidentes, análise de causas e planos de ação.
- Indicadores: coleta, análise crítica e uso dos resultados para melhorar o cuidado.
- Pessoas: dimensionamento, capacitação registrada, avaliação de competências e integração de novos profissionais.
- Documentação: POPs atualizados, aprovados e disponíveis para consulta pela equipe.
- Interação entre áreas: passagem de plantão, transferências internas e comunicação com farmácia, laboratório e outras equipes.
Como preparar a equipe de enfermagem
- Faça um diagnóstico com base no manual da metodologia escolhida e identifique as lacunas.
- Priorize os requisitos de segurança, que são a base de todos os níveis.
- Revise e padronize documentos: POPs, protocolos e impressos com versão, data e responsável.
- Treine a equipe para explicar o que faz: o avaliador pergunta ao profissional como ele age, e não apenas onde está o POP.
- Faça auditorias internas e simulações de visita, com devolutiva para as unidades.
- Mantenha o ritmo depois da certificação: as visitas de manutenção verificam se as práticas continuam.
Perguntas frequentes
A acreditação ONA é obrigatória?
Não. É voluntária. O que é obrigatório são os requisitos sanitários, como licença de funcionamento e as exigências da Anvisa e da vigilância local.
Quem faz a avaliação?
Instituições acreditadoras credenciadas pela ONA, com avaliadores que visitam o serviço e verificam o cumprimento dos padrões.
Qual o papel do Técnico de Enfermagem na acreditação?
Ele executa boa parte dos protocolos de segurança e é frequentemente entrevistado pelos avaliadores. Precisa conhecer os POPs da sua unidade e saber explicar como os aplica.
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Referências
- Organização Nacional de Acreditação. Manual para organizações prestadoras de serviços de saúde. São Paulo: ONA.
- Organização Nacional de Acreditação. Histórico e metodologia ONA (resumo institucional). São Paulo: ONA.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente.
- Kurcgant P, coordenadora. Gerenciamento em enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016.
