Processo de Enfermagem: o que mudou com a Resolução 736/2024

Processo de Enfermagem: o que mudou com a Resolução 736/2024

Postado em 11/10/2026

A Resolução Cofen nº 736/2024 substituiu a antiga norma de 2009 e mudou nomes de etapas, ênfases e responsabilidades. Veja o que mudou e como o gestor pode organizar a implantação.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024, revogou a Resolução nº 358/2009 e passou a regular a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental em que ocorre o cuidado de enfermagem. O PE agora tem cinco etapas: Avaliação de Enfermagem, Diagnóstico de Enfermagem, Planejamento de Enfermagem, Implementação de Enfermagem e Evolução de Enfermagem. O diagnóstico e a prescrição de enfermagem são privativos do Enfermeiro, e Técnicos e Auxiliares participam sob supervisão, com anotações e execução dos cuidados prescritos. Tudo deve ser registrado no prontuário, físico ou eletrônico.

SAE e Processo de Enfermagem: como ficou

Na norma de 2009, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) era descrita como a organização do trabalho profissional quanto ao método, ao pessoal e aos instrumentos, e o Processo de Enfermagem era o método que operacionalizava o cuidado. A Resolução nº 736/2024 concentra o texto no próprio Processo de Enfermagem e determina que ele seja realizado de modo deliberado e sistemático em todo contexto socioambiental, ou seja, em hospitais, atenção primária, domicílio, ambulatórios e demais cenários. Na prática, a organização do serviço continua necessária para que o PE aconteça, mas o foco normativo passou a ser o método e o seu registro. Muitas instituições ainda usam a sigla SAE no dia a dia, o que não é um problema, desde que o PE completo seja realizado e documentado.

As cinco etapas: antes e depois

Resolução nº 358/2009Resolução nº 736/2024O que envolve
Coleta de dados (Histórico de Enfermagem)Avaliação de EnfermagemColeta de dados subjetivos e objetivos, entrevista, exame físico e uso de escalas e instrumentos
Diagnóstico de EnfermagemDiagnóstico de EnfermagemJulgamento clínico sobre respostas da pessoa, família ou coletividade, privativo do Enfermeiro
Planejamento de EnfermagemPlanejamento de EnfermagemDefinição de prioridades, resultados esperados e prescrição de enfermagem
ImplementaçãoImplementação de EnfermagemExecução das intervenções prescritas pela equipe
Avaliação de EnfermagemEvolução de EnfermagemAnálise dos resultados alcançados e revisão do plano

A mudança de nome mais importante está na primeira e na última etapa. A etapa inicial passou a se chamar Avaliação de Enfermagem, e a etapa final, que antes era a avaliação, passou a ser a Evolução de Enfermagem. Revise impressos, sistemas eletrônicos e POPs para adotar a nomenclatura atual.

Quem faz o quê

  • Enfermeiro: realiza e registra todas as etapas e tem responsabilidade privativa pelo Diagnóstico e pela Prescrição de Enfermagem.
  • Técnicos e Auxiliares de Enfermagem: participam sob supervisão e orientação do Enfermeiro, executando os cuidados prescritos, checando a prescrição e registrando as anotações de enfermagem.
  • Instituição: deve oferecer condições para que o PE seja realizado, como impressos ou sistema eletrônico, tempo de trabalho compatível e educação permanente.

A resolução também valoriza a prática baseada em evidências, os protocolos institucionais e o uso de sistemas de linguagem padronizada. A norma não impõe uma classificação específica, então a instituição pode adotar taxonomias reconhecidas, como NANDA-I, CIPE, NIC e NOC, de acordo com o seu contexto.

Como o gestor pode implantar ou revisar o PE

  1. Diagnóstico inicial: audite uma amostra de prontuários e verifique quais etapas estão registradas e com que qualidade.
  2. Escolha do referencial: defina o modelo teórico e a taxonomia, com participação dos Enfermeiros assistenciais.
  3. Instrumentos: adapte os formulários ou o sistema eletrônico às cinco etapas e às características de cada unidade.
  4. Capacitação: treine Enfermeiros em raciocínio clínico e registro, e a equipe técnica em anotações e checagem.
  5. Tempo de trabalho: considere o tempo do PE no dimensionamento, porque registro de qualidade exige horas de Enfermeiro.
  6. Monitoramento: acompanhe um indicador de processo, como percentual de prontuários com as cinco etapas registradas.

Perguntas frequentes

A SAE deixou de existir?

A Resolução nº 736/2024 não usa a SAE como na norma anterior e concentra-se no Processo de Enfermagem. A organização do serviço continua sendo responsabilidade da gestão para que o PE seja viável.

O PE é obrigatório fora do hospital?

Sim. A norma determina que o PE seja realizado em todo contexto socioambiental em que ocorre o cuidado de enfermagem, incluindo atenção primária e domicílio.

Técnico de Enfermagem pode fazer diagnóstico de enfermagem?

Não. O Diagnóstico e a Prescrição de Enfermagem são privativos do Enfermeiro.

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Referências

  1. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem.
  2. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 358, de 15 de outubro de 2009 (revogada). Sistematização da Assistência de Enfermagem e implementação do Processo de Enfermagem.
  3. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
  4. Herdman TH, Kamitsuru S, Lopes CT, organizadoras. Diagnósticos de enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2021-2023. Porto Alegre: Artmed; 2021.
  5. Kurcgant P, coordenadora. Gerenciamento em enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016.
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