Cuidados com estomias intestinais: guia para o Enfermeiro

Cuidados com estomias intestinais: guia para o Enfermeiro

Postado em 11/10/2026

Colostomia e ileostomia exigem avaliação sistemática do estoma, escolha correta do equipamento e educação para o autocuidado. Veja o que o Enfermeiro precisa dominar do pós-operatório à alta.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaEstomia intestinal é a exteriorização de um segmento do intestino na parede abdominal para eliminação de fezes: colostomia quando envolve o cólon e ileostomia quando envolve o íleo. O cuidado de enfermagem inclui avaliar diariamente a cor, o tamanho e a altura do estoma, proteger a pele periestomal, escolher e trocar corretamente o equipamento coletor e ensinar o autocuidado à pessoa e à família. No SUS, a Portaria SAS/MS nº 400/2009 organiza os serviços que fornecem bolsas e adjuvantes e orientam o autocuidado, e o Decreto nº 5.296/2004 inclui a ostomia entre as formas de deficiência física.

Colostomia e ileostomia: o que muda no cuidado

As estomias intestinais podem ser temporárias ou definitivas e são confeccionadas em situações como câncer colorretal, doença inflamatória intestinal, trauma abdominal, obstrução e proteção de anastomoses. A localização do segmento exteriorizado define a consistência do efluente e, por consequência, o risco de lesão de pele e de desidratação.

AspectoColostomiaIleostomia
SegmentoCólon (ascendente, transverso, descendente ou sigmoide)Íleo terminal
EfluenteDe pastoso a formado, quanto mais distal no cólonLíquido a pastoso, contínuo, rico em enzimas digestivas
Risco para a peleMenor, mas presente em vazamentosAlto, pelo efluente corrosivo
Risco sistêmicoConstipação e obstrução por fibras em excessoDesidratação e perda de eletrólitos
Equipamento usualBolsa fechada ou drenávelBolsa drenável

A estomia pode ser terminal (uma boca) ou em alça (duas bocas, frequentemente temporária), informação que consta na descrição cirúrgica.

Avaliação do estoma e da pele periestomal

A avaliação faz parte da etapa de avaliação de enfermagem prevista no Processo de Enfermagem e deve ser registrada a cada troca e sempre que houver queixa. Observe:

  • Cor e umidade: o estoma saudável é vermelho vivo ou rosado, úmido e brilhante. Coloração pálida, arroxeada ou escurecida exige comunicação imediata à equipe cirúrgica, pois pode indicar isquemia.
  • Tamanho e formato: meça com guia de medida a cada troca no pós-operatório, porque o edema regride nas primeiras semanas e o diâmetro muda.
  • Altura (protrusão): estomas planos ou retraídos favorecem vazamento e podem exigir base convexa, conforme avaliação especializada.
  • Junção mucocutânea: verifique se a sutura entre a mucosa e a pele está íntegra.
  • Pele periestomal: deve estar íntegra, sem eritema, maceração ou erosão.
  • Efluente: registre volume, aspecto e frequência, com atenção redobrada ao débito elevado em ileostomias.

Troca do equipamento coletor passo a passo

  1. Reúna o material: bolsa compatível, guia de medida, tesoura curva, gaze ou tecido macio, água morna e os adjuvantes prescritos (pó, pasta, anel ou película protetora).
  2. Remova a base de cima para baixo, com delicadeza, segurando a pele. Removedor de adesivo reduz o trauma mecânico.
  3. Limpe a pele e o estoma com água morna, sem esfregar. Evite álcool, éter e produtos perfumados.
  4. Seque bem a pele ao redor; a base não adere em pele úmida.
  5. Meça o estoma e recorte a base no formato dele, deixando apenas a folga mínima indicada pelo fabricante. Abertura grande expõe a pele ao efluente; abertura justa demais pode ferir a mucosa.
  6. Aplique os adjuvantes, quando indicados, e cole a base de baixo para cima, pressionando por alguns instantes para aquecer o adesivo.
  7. Feche a bolsa drenável e registre a troca, o aspecto do estoma, da pele e do efluente.

Oriente esvaziar a bolsa drenável antes que fique pesada, para não forçar a base. O Guia de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia do Ministério da Saúde descreve bolsas fechadas, indicadas para colostomias com poucas eliminações diárias e descartadas após o uso, e bolsas drenáveis de uma ou duas peças.

Complicações: reconhecer cedo

As complicações podem ser precoces ou tardias. Entre as precoces estão edema, sangramento, isquemia e necrose, retração e descolamento mucocutâneo. Entre as tardias, hérnia paraestomal, prolapso, estenose e alterações da pele periestomal, como dermatite irritativa por contato com efluente, lesão por trauma mecânico na remoção da bolsa e foliculite. A dermatite periestomal costuma ser consequência de vazamento, recorte inadequado ou troca frequente demais, e a correção da causa é parte essencial do tratamento.

Perguntas frequentes

Pessoa ostomizada tem direito a bolsa pelo SUS?

Sim. Os equipamentos coletores e adjuvantes são fornecidos pelos Serviços de Atenção à Saúde das Pessoas Ostomizadas, organizados pela Portaria SAS/MS nº 400/2009. O cadastro é feito no serviço de referência do município ou da região.

Ostomia é considerada deficiência?

Sim. O Decreto nº 5.296/2004, no artigo 5º, inclui a ostomia entre as formas de deficiência física, o que garante acesso a direitos previstos para pessoas com deficiência.

De quanto em quanto tempo trocar a base?

Não há intervalo único. A troca depende do tipo de equipamento, do efluente, da integridade da pele e de sinais de descolamento. Trocar sem necessidade aumenta o trauma da pele; esperar demais com vazamento também lesa. Siga a avaliação individual e a orientação do fabricante.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria nº 400, de 16 de novembro de 2009. Estabelece Diretrizes Nacionais para a Atenção à Saúde das Pessoas Ostomizadas no âmbito do SUS.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília: Ministério da Saúde; 2021.
  3. Brasil. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº 10.048/2000 e nº 10.098/2000.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787/2025. Atuação da equipe de enfermagem em lesões cutâneas.
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