Laserterapia em feridas: contraindicações e biossegurança
Postado em 11/10/2026
O laser de baixa potência é seguro quando bem indicado e bem aplicado. Saiba quando não usar, quais cuidados exigem atenção redobrada e como proteger paciente e profissional.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaNa laserterapia de baixa potência aplicada a feridas, os principais cuidados de segurança são proteger os olhos com óculos específicos para o comprimento de onda do aparelho, evitar irradiar diretamente áreas de tumor conhecido ou suspeito, avaliar com cautela gestantes, pessoas com fotossensibilidade e áreas com sangramento ativo, e manter a higiene da ponteira entre atendimentos. O equipamento deve ter potência conferida e uso registrado em prontuário. A laserterapia é adjuvante: não substitui o tratamento da causa, da infecção ou da isquemia. Pela Resolução Cofen nº 787/2025, o Enfermeiro precisa estar capacitado para indicar e prescrever o laser.
Por que falar de segurança em uma terapia de baixa potência
A fotobiomodulação tem perfil de efeitos adversos favorável. O posicionamento da World Association for Photobiomodulation Therapy (WALT), de 2022, relata poucos efeitos adversos significativos ao longo de duas décadas de uso para mucosite oral em pacientes oncológicos. Mas baixa potência não significa risco zero. O feixe de laser pode lesar a retina, a aplicação sobre tumores ainda gera incerteza e a técnica inadequada pode transmitir microrganismos de um paciente para outro.
Contraindicações e precauções
As listas variam entre fabricantes, protocolos institucionais e autores. Os pontos abaixo reúnem os cuidados mais citados e devem ser conferidos no manual do seu equipamento e no protocolo do serviço.
| Situação | Conduta recomendada | Motivo |
|---|---|---|
| Olhos | Nunca direcionar o feixe aos olhos; óculos para paciente e profissional | Risco de lesão ocular pelo feixe |
| Tumor conhecido ou suspeito no local | Não irradiar diretamente a área do tumor | Incerteza sobre o efeito da luz sobre células tumorais, apontada pela WALT |
| Lesão sem diagnóstico definido | Investigar antes de tratar, especialmente feridas atípicas que não cicatrizam | Risco de tratar como ferida comum uma lesão neoplásica |
| Gestação | Evitar irradiação sobre abdome e região pélvica | Ausência de estudos de segurança nessa população |
| Fotossensibilidade e medicamentos fotossensibilizantes | Avaliar risco e discutir com a equipe | Possibilidade de reação cutânea à luz |
| Sangramento ativo no leito | Controlar o sangramento antes de aplicar | Efeito sobre a microcirculação |
| Alteração de sensibilidade, pele muito pigmentada ou tatuada | Atenção redobrada à dose e ao aquecimento | Maior absorção de luz e menor percepção de calor |
Em pacientes oncológicos, a laserterapia é usada para manejar efeitos colaterais do tratamento, como mucosite e radiodermite. Revisões sistemáticas, como a de Bensadoun e colaboradores, analisaram a segurança desse uso, e o consenso da WALT considera a fotobiomodulação segura nesse contexto quando aplicada fora da área tumoral, com vigilância. Nesses casos, a decisão deve ser compartilhada com a equipe oncológica.
Biossegurança no atendimento
- Proteção ocular. Óculos de proteção para o paciente e para o profissional, escolhidos de acordo com o comprimento de onda do aparelho. O parecer do Coren-RJ sobre laser de baixa potência em feridas destaca esse ponto, e a série de normas IEC 60825 trata da segurança de produtos a laser.
- Ambiente. Sinalize a sala durante o uso, evite superfícies refletoras no campo do feixe e só acione o laser com a ponteira posicionada no alvo.
- Higiene da ponteira. Use barreira descartável transparente, como filme de PVC, quando indicado pelo fabricante, e faça a limpeza e a desinfecção entre atendimentos com produto compatível com o equipamento.
- Preparo do leito. Limpe a ferida e remova restos de cobertura e pomadas antes da aplicação, que podem absorver ou refletir a luz.
- Precauções padrão. Higiene das mãos, luvas e demais equipamentos de proteção individual conforme o risco.
- Equipamento. Use aparelho regularizado na Anvisa, com manutenção em dia, e confira periodicamente a potência emitida, como recomenda a WALT.
Perguntas frequentes
Óculos de sol servem como proteção?
Não. A proteção deve ser específica para o comprimento de onda do equipamento, conforme o manual do fabricante.
Posso aplicar laser em ferida infectada?
A infecção deve ser abordada com limpeza, desbridamento quando indicado, coberturas adequadas e avaliação médica quando há sinais de disseminação. O laser pode integrar o plano como adjuvante, conforme protocolo, mas não trata a infecção sozinho.
Paciente com marca-passo pode receber laser?
As orientações variam entre fabricantes. Consulte o manual do aparelho, evite irradiar diretamente sobre o dispositivo implantado e siga o protocolo institucional.
Contraindicações, dosimetria e biossegurança com prática supervisionada na Habilitação em Laserterapia Avançada do Grupo Nobre.
Referências
- Robijns J, Nair RG, Lodewijckx J, et al. Photobiomodulation therapy in management of cancer therapy-induced side effects: WALT position paper 2022. Front Oncol. 2022;12:927685.
- Bensadoun RJ, Epstein JB, Nair RG, et al. Safety and efficacy of photobiomodulation therapy in oncology: a systematic review. Cancer Med. 2020;9(22):8279-8300.
- Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro. Parecer CTGAE nº 001/2016. Competência do enfermeiro para o tratamento de feridas utilizando o laser de baixa potência. Rio de Janeiro: Coren-RJ; 2016.
- International Electrotechnical Commission. IEC TR 60825-8:2006. Safety of laser products, Part 8: Guidelines for the safe use of laser beams on humans. Geneva: IEC; 2006.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787, de 21 de agosto de 2025. Regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas.
