Curativo a vácuo: troca do curativo e cuidados diários
Postado em 11/10/2026
O curativo a vácuo funciona bem quando a vedação se mantém, a espuma é trocada no tempo certo e a equipe sabe responder aos alarmes. Este é o lado prático da terapia por pressão negativa.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaCurativo a vácuo é o nome popular da terapia por pressão negativa (TPN). Na rotina, os cuidados centrais são manter a vedação, conferir pressão e modo programados, observar o volume e o aspecto do exsudato, responder aos alarmes e trocar a interface no intervalo previsto. Muitos fabricantes orientam troca a cada 48 a 72 horas, no mínimo três vezes por semana, e troca do curativo se a terapia ficar interrompida por mais de duas horas no dia. Sempre conte as peças de espuma colocadas e retiradas.
Curativo a vácuo e TPN são a mesma coisa
Sim. "Curativo a vácuo" é o termo que pacientes e boa parte das equipes usam para a terapia por pressão negativa. Indicações, contraindicações e mecanismo de ação estão explicados no post Terapia por pressão negativa: indicações e cuidados. Aqui o foco é a rotina: o que a equipe de enfermagem faz em cada turno e em cada troca.
Os componentes que você vai manusear
- Interface: espuma de poliuretano (poros maiores, mais usada em feridas com granulação), espuma de álcool polivinílico (mais densa, útil sobre estruturas delicadas) ou gaze específica.
- Filme adesivo: cria a vedação sobre a interface e parte da pele íntegra ao redor.
- Conector e tubo: ligam o curativo à unidade.
- Unidade de pressão e reservatório: geram a pressão programada e armazenam o exsudato. Existem modelos de grande porte, portáteis e descartáveis de uso único.
Troca do curativo passo a passo
- Prepare o paciente. Explique o procedimento e planeje a analgesia conforme prescrição e protocolo. A retirada da espuma pode doer, principalmente quando há granulação aderida.
- Desligue a unidade e clampeie o tubo. Aguarde alguns minutos para o exsudato do tubo escoar para o reservatório.
- Remova o filme com cuidado. Puxe na horizontal, rente à pele, usando removedor de adesivo quando a pele for frágil.
- Retire a espuma e conte as peças. Compare com o número registrado na troca anterior. Se a espuma aderir, umedeça com solução fisiológica e aguarde antes de puxar.
- Avalie a ferida. Meça, descreva tecido, exsudato, odor e pele perilesional, e registre. Fotografe conforme protocolo e com consentimento.
- Limpe e proteja. Limpe o leito e a pele ao redor e aplique película protetora na pele perilesional.
- Recorte e posicione a nova interface. Ajuste ao tamanho da ferida, sem encostar na pele íntegra e sem compactar. Conte e registre as peças.
- Vede e ligue. Aplique o filme sem tensão excessiva, faça o orifício para o conector e ligue a unidade na pressão e no modo prescritos. A espuma deve colapsar e o aparelho não pode alarmar vazamento.
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Cuidados em cada turno
| O que verificar | O que esperar | Quando agir |
|---|---|---|
| Unidade ligada e pressão | Valor e modo conforme prescrição | Qualquer diferença do prescrito |
| Espuma | Colapsada, firme ao toque | Espuma "inflada" indica perda de vácuo |
| Reservatório | Volume compatível com a ferida | Aumento súbito, sangue vivo ou aspecto entérico |
| Tubo | Sem dobras, clamp aberto | Alarme de obstrução |
| Pele ao redor | Íntegra, sem maceração | Bolhas, maceração, dor no filme |
| Paciente | Dor controlada, sem sinais sistêmicos | Febre, dor crescente, odor novo |
Alarmes e problemas comuns
- Vazamento: procure o ponto ouvindo um chiado ou passando a mão sobre o filme. Reforce com filme extra. Pregas de pele, região sacral e áreas próximas a dobras são as mais difíceis de vedar.
- Obstrução: confira clamps, dobras e se o reservatório está cheio. Exsudato espesso pode exigir avaliação da interface.
- Reservatório cheio: troque conforme instrução do fabricante e registre o volume.
- Bateria fraca: conecte à energia. Unidade desligada por tempo prolongado significa ferida fechada sem drenagem.
Se a terapia ficar interrompida além do tempo aceito pelo fabricante, a orientação usual é retirar o curativo e aplicar uma cobertura convencional até a nova instalação, e não simplesmente religar a unidade sobre uma espuma que ficou parada.
Perguntas frequentes
O paciente pode tomar banho com curativo a vácuo?
Depende do modelo. Muitas unidades podem ser desconectadas por curto período, com o curativo protegido. O tempo desligado conta no limite diário do fabricante.
Por que contar as peças de espuma?
Fragmentos esquecidos no leito da ferida causam infecção e retardam a cicatrização. A contagem na colocação e na retirada é medida simples de segurança.
Curativo a vácuo pode ser usado em casa?
Sim, com unidades portáteis ou descartáveis, desde que haja indicação, orientação do paciente e da família e serviço de referência para alarmes e trocas.
Montagem, troca, vedação e solução de alarmes em curativos a vácuo.
Referências
- Apelqvist J, Willy C, Fagerdahl AM, Fraccalvieri M, Malmsjö M, Piaggesi A, et al. EWMA Document: Negative Pressure Wound Therapy. Overview, challenges and perspectives. J Wound Care. 2017;26(Sup3):S1-S154.
- Norman G, Shi C, Goh EL, Murphy EMA, Reid A, Chiverton L, et al. Negative pressure wound therapy for surgical wounds healing by primary closure. Cochrane Database Syst Rev. 2022;(4):CD009261.
- Solventum. Wound Therapy Patient Passport. Orientações ao paciente em terapia por pressão negativa. Oxford Health NHS Foundation Trust; 2025.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787/2025. Atuação da equipe de enfermagem em lesões cutâneas.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Implementação do Processo de Enfermagem.
