Como o Enfermeiro ensina a amamentar: plano de orientação
Postado em 11/10/2026
Saber o que é uma boa pega é diferente de conseguir ensinar uma mãe cansada, insegura e com dor. Veja como transformar o conhecimento técnico em orientação que funciona.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaPara ensinar a amamentar, o Enfermeiro primeiro observa uma mamada, depois corrige um ponto de cada vez, demonstra com as mãos da própria mãe e confirma o aprendizado pedindo que ela repita. Os pontos centrais são posição (bebê com corpo próximo, de frente para a mama, cabeça e corpo alinhados), pega (boca bem aberta, lábio inferior virado para fora, queixo tocando a mama, mais aréola visível acima da boca do que abaixo) e sinais de boa mamada, como sucções lentas e profundas com deglutição audível. A orientação inclui ainda ordenha manual, armazenamento do leite e reconhecimento precoce de dificuldades. As recomendações oficiais são aleitamento exclusivo até os 6 meses e continuado até 2 anos ou mais.
Ensinar é diferente de informar
Muitas mães recebem folhetos e listas de recomendações, mas desistem diante da primeira fissura ou da sensação de que o leite não é suficiente. A diferença está na forma de orientar: escuta, observação da mamada real, linguagem simples e acompanhamento. Os benefícios do aleitamento e o manejo clínico dos problemas estão no post Aleitamento materno: o papel do Enfermeiro. Aqui o foco é o como ensinar.
Antes de corrigir qualquer coisa, pergunte: como está sendo para você? O que te preocupa? Uma mãe que se sente julgada tende a não voltar. Elogie o que está certo antes de propor mudanças.
Plano de orientação passo a passo
- Observe uma mamada inteira. Sem interferir no início. Veja posição, pega, comportamento do bebê e expressão da mãe.
- Ajuste a posição da mãe. Costas apoiadas, ombros relaxados, pés apoiados. Desconforto da mãe leva a pega ruim.
- Ajuste a posição do bebê. Corpo bem próximo ao da mãe, barriga com barriga, cabeça e tronco alinhados, nariz na altura do mamilo, bebê apoiado e não só a cabeça.
- Ensine a pega. Esperar o bebê abrir bem a boca e trazê-lo à mama, não a mama ao bebê. Mostre os sinais de pega correta usando a mão da própria mãe.
- Mostre os sinais de boa mamada. Ritmo de sucções lentas e profundas com pausas, deglutição que se ouve, bochechas arredondadas, ausência de dor persistente e bebê que solta a mama satisfeito.
- Peça que ela repita. Na mamada seguinte, a mãe posiciona o bebê sozinha e você apenas observa.
- Combine o seguimento. Quando voltar, como pedir ajuda, onde fica o banco de leite ou a unidade de referência.
| Pega adequada | Sinais de pega inadequada |
|---|---|
| Boca bem aberta | Boca pouco aberta, apontando para frente |
| Lábio inferior virado para fora | Lábios voltados para dentro |
| Queixo tocando a mama | Queixo afastado da mama |
| Mais aréola visível acima da boca do que abaixo | Mais aréola visível abaixo da boca, ou só o mamilo na boca |
| Sem dor persistente | Dor, estalidos, bochechas encovadas, mamilo achatado ao final |
Ordenha manual e armazenamento
A ordenha ajuda no ingurgitamento, na volta ao trabalho e quando mãe e bebê estão separados. Ensine com demonstração em modelo de mama ou orientando a mão da mãe:
- Lavar bem as mãos, prender os cabelos e usar frasco de vidro com tampa plástica, previamente fervido.
- Massagear a mama com movimentos circulares, da base em direção à aréola.
- Posicionar polegar acima e indicador abaixo da aréola, pressionar em direção ao tórax e depois comprimir, em ritmo, mudando a posição dos dedos ao redor da aréola.
- Identificar o frasco com data e hora da primeira coleta.
Segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, o leite cru ordenhado pode ficar até 12 horas na geladeira e até 15 dias no congelador ou freezer. O leite congelado deve ser descongelado em banho-maria com o fogo desligado, nunca em micro-ondas, e não pode ser congelado de novo. Oriente oferecer o leite ordenhado em copinho, para não interferir na sucção ao seio.
Dificuldades que a mãe precisa reconhecer cedo
- Dor e fissura: quase sempre sinal de pega inadequada. Corrigir a pega é o primeiro passo.
- Mamas muito cheias, duras e doloridas: sinal de ingurgitamento. Mamadas frequentes e ordenha de alívio antes da mamada.
- Área vermelha, quente e dolorida com febre ou mal-estar: pode ser mastite e exige avaliação no mesmo dia.
- Sensação de pouco leite: avaliar ganho de peso, número de fraldas molhadas e frequência das mamadas antes de concluir que o leite é insuficiente.
- Bebê muito sonolento, com icterícia ou que não acorda para mamar: procurar o serviço de saúde.
A capacidade de conduzir esse tipo de orientação, da maternidade à atenção básica, é trabalhada no curso de Aleitamento Materno do Grupo Nobre, que reúne técnica, manejo das dificuldades e abordagem educativa.
Perguntas frequentes
Quanto tempo o leite ordenhado dura na geladeira?
Segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, o leite cru dura até 12 horas na geladeira e até 15 dias no congelador ou freezer.
É normal sentir dor para amamentar?
Pode haver sensibilidade nos primeiros dias, mas dor persistente ou fissuras indicam, na maioria das vezes, problema de pega e devem ser avaliadas.
Mamadeira atrapalha a amamentação?
Bicos artificiais podem interferir na sucção ao seio. Por isso, a orientação é oferecer o leite ordenhado em copinho.
Técnica, manejo das dificuldades e abordagem educativa com a família.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2015. (Cadernos de Atenção Básica, n. 23).
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde; 2019.
- World Health Organization, UNICEF. Breastfeeding counselling: a training course. Geneva: WHO; 1993.
- Fundação Oswaldo Cruz. Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. Orientações para ordenha e armazenamento do leite humano. Rio de Janeiro: Fiocruz.
- Victora CG, Bahl R, Barros AJD, França GVA, Horton S, Krasevec J, et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. Lancet. 2016;387(10017):475-90.
