Sedação na UTI e escala RASS: guia para o Enfermeiro

Sedação na UTI e escala RASS: guia para o Enfermeiro

Postado em 11/10/2026

Sedar demais prolonga a ventilação mecânica e aumenta o delirium; sedar de menos expõe o paciente a dor, agitação e retirada de dispositivos. A escala RASS ajuda a equipe a acertar o alvo.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA Richmond Agitation-Sedation Scale (RASS) classifica o paciente de +4 (combativo) a -5 (não despertável), passando por 0 (alerta e calmo). A aplicação tem três etapas: observar, chamar pelo nome e, se não houver resposta, estimular fisicamente. As diretrizes da Society of Critical Care Medicine (PADIS 2018 e a atualização de 2025) orientam tratar a dor primeiro, manter sedação leve na maioria dos pacientes em ventilação mecânica e evitar benzodiazepínicos como primeira escolha. Na atualização de 2025, a dexmedetomidina passou a ser sugerida em relação ao propofol para manter sedação leve, com atenção ao risco de bradicardia.

A escala RASS

EscoreTermoDescrição
+4CombativoViolento, perigo imediato para a equipe
+3Muito agitadoPuxa ou remove tubos e cateteres, agressivo
+2AgitadoMovimentos frequentes sem propósito, briga com o ventilador
+1InquietoAnsioso, mas sem movimentos agressivos
0Alerta e calmoTranquilo e atento
-1SonolentoDesperta ao chamado e mantém contato visual por mais de 10 segundos
-2Sedação leveDesperta brevemente ao chamado, com contato visual por menos de 10 segundos
-3Sedação moderadaMovimento ou abertura ocular ao chamado, sem contato visual
-4Sedação profundaSem resposta à voz, mas com movimento ou abertura ocular ao estímulo físico
-5Não despertávelSem resposta à voz nem ao estímulo físico

Como aplicar em três passos

  1. Observe o paciente por alguns segundos. Se estiver alerta, inquieto ou agitado, pontue de 0 a +4.
  2. Se não estiver alerta, chame pelo nome e peça que abra os olhos e olhe para você. Repita uma vez, se preciso. A duração do contato visual define -1, -2 ou -3.
  3. Se não houver resposta à voz, estimule fisicamente, sacudindo o ombro ou pressionando o esterno. Qualquer movimento indica -4; nenhuma resposta, -5.

A RASS foi publicada por Sessler e colaboradores em 2002 e validada em pacientes de UTI, com boa confiabilidade entre avaliadores. Ela também é a primeira etapa do CAM-ICU, ferramenta de rastreio de delirium.

Analgesia primeiro, sedação leve depois

A diretriz PADIS de 2018 consolidou a abordagem de "analgesia primeiro": muitos pacientes agitados estão, na verdade, com dor. Antes de aumentar o sedativo, avalie a dor com escalas validadas para quem não se comunica, como a Behavioral Pain Scale (BPS) ou a Critical-Care Pain Observation Tool (CPOT), e trate conforme prescrição.

Para a maioria dos adultos em ventilação mecânica, a recomendação é manter sedação leve, em vez de profunda, porque isso está associado a menos tempo de ventilação e de internação na UTI. A meta de RASS é individual: um paciente em posição prona ou com hipertensão intracraniana, por exemplo, pode precisar de sedação mais profunda.

O que mudou na atualização de 2025

Em 2025, a Society of Critical Care Medicine publicou uma atualização focada da diretriz PADIS, que passou a incluir a ansiedade. Os principais pontos:

  • Dexmedetomidina sugerida em relação ao propofol para manter sedação leve em adultos ventilados, com possível redução de delirium, mas com maior risco de bradicardia.
  • Insuficiência de evidências para recomendar benzodiazepínicos no manejo da ansiedade; ferramentas validadas e medidas não farmacológicas, como música, podem ser consideradas.
  • Mobilização ampliada sugerida em relação ao cuidado usual.
  • Melatonina sugerida para melhorar o sono.

Todas são recomendações condicionais, que devem ser adaptadas ao paciente e incorporadas aos protocolos da unidade.

Perguntas frequentes

Qual é o RASS ideal na UTI?

Não há valor único. Para a maioria dos pacientes ventilados, busca-se sedação leve, perto de 0. A meta é individual e definida pela equipe.

RASS e Ramsay medem a mesma coisa?

Ambas avaliam sedação, mas a RASS também gradua a agitação e foi validada para uso na UTI, sendo a mais citada nas diretrizes atuais.

Posso aplicar a RASS em paciente sem ventilação mecânica?

Sim. A escala é usada em pacientes críticos com ou sem ventilação mecânica.

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Referências

  1. Sessler CN, Gosnell MS, Grap MJ, et al. The Richmond Agitation-Sedation Scale: validity and reliability in adult intensive care unit patients. Am J Respir Crit Care Med. 2002;166(10):1338-44.
  2. Ely EW, Truman B, Shintani A, et al. Monitoring sedation status over time in ICU patients: reliability and validity of the Richmond Agitation-Sedation Scale (RASS). JAMA. 2003;289(22):2983-91.
  3. Devlin JW, Skrobik Y, Gélinas C, et al. Clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Crit Care Med. 2018;46(9):e825-e873.
  4. Lewis K, Balas MC, Stollings JL, et al. A focused update to the clinical practice guidelines for the prevention and management of pain, anxiety, agitation/sedation, delirium, immobility, and sleep disruption in adult patients in the ICU. Crit Care Med. 2025;53(3):e711-e727.
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