Punção arterial guiada por ultrassom: técnica passo a passo
Postado em 11/10/2026
Pulso fraco, edema, obesidade e hipotensão tornam a punção arterial por palpação difícil. O ultrassom mostra a artéria, a agulha e as estruturas ao redor. Veja a técnica passo a passo.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaNa punção arterial guiada por ultrassom, o Enfermeiro usa transdutor linear de alta frequência para localizar a artéria, diferenciá-la das veias e acompanhar a ponta da agulha até a luz do vaso. Metanálises de ensaios clínicos mostram maior sucesso na primeira tentativa e menos complicações em comparação com a palpação, principalmente na artéria radial. A Resolução Cofen nº 703/2022 torna a punção arterial privativa do Enfermeiro e permite o uso do ultrassom, vedando laudo e diagnóstico nosológico. A técnica deve ser feita no contexto do Processo de Enfermagem.
Por que usar o ultrassom na punção arterial
A punção arterial é feita para coleta de gasometria ou para instalação de cateter de pressão arterial invasiva (PAI). Pela palpação, o profissional depende de um pulso perceptível e de reparos anatômicos. Quando o pulso está fraco ou a anatomia é diferente do esperado, as tentativas se repetem, com dor, hematoma e espasmo arterial. Ensaios clínicos e metanálises, como a de Gu e colaboradores (2016), mostram que a orientação por ultrassom aumenta o sucesso na primeira tentativa e reduz o número de punções e complicações, com benefício mais claro em pacientes com acesso difícil.
Como identificar a artéria na tela
| Característica | Artéria | Veia |
|---|---|---|
| Compressão leve | Mantém a forma | Colaba |
| Pulsação | Pulsátil | Sem pulsação própria |
| Parede | Mais espessa e regular | Mais fina |
| Doppler | Fluxo pulsátil, com picos sincronizados com o pulso | Fluxo contínuo, que varia com a respiração |
Na região do punho, a artéria radial costuma estar acompanhada de duas pequenas veias satélites. Antes de puncionar, meça a profundidade e o diâmetro da artéria e observe se há calcificação, trombo ou trajeto tortuoso. O ultrassom com Doppler também permite avaliar a artéria ulnar, informação útil porque o teste de Allen tem confiabilidade limitada.
Técnica passo a passo
- Prepare o material e o campo. Higienize as mãos, faça antissepsia da pele e use capa estéril no transdutor e gel estéril.
- Posicione o membro. Para a radial, punho em leve extensão, apoiado em coxim, sem hiperextensão excessiva, que pode achatar a artéria.
- Localize e centralize. Em corte transversal, coloque a artéria no centro da tela e ajuste profundidade e ganho.
- Escolha a abordagem. Fora do plano (transversal): a agulha aparece como um ponto brilhante, e o profissional precisa acompanhar a ponta. Dentro do plano (longitudinal): a agulha aparece inteira, mas é mais difícil manter artéria e agulha no mesmo feixe.
- Acompanhe a ponta da agulha. Na técnica fora do plano, avance a agulha em pequenos movimentos e deslize o transdutor junto, mantendo a ponta sempre visível até ela entrar na luz da artéria. Essa estratégia é descrita como posicionamento dinâmico da ponta da agulha.
- Confirme o acesso. Na gasometria, o refluxo pulsátil de sangue arterial. Na PAI, após a progressão do fio-guia ou do cateter, a curva de pressão no monitor.
- Finalize. Na gasometria, compressão do local pelo tempo previsto no protocolo. Na PAI, fixação do cateter, curativo e registro.
Contraindicações e cuidados
- Não puncione membro com fístula arteriovenosa para hemodiálise.
- Evite áreas com infecção, queimadura, lesão de pele ou cirurgia vascular prévia.
- Em uso de anticoagulantes ou com alteração de coagulação, siga o protocolo institucional e reforce a compressão.
- A artéria braquial não tem boa circulação colateral; prefira a radial sempre que possível, conforme o protocolo do serviço.
- Monitore a perfusão da mão após a punção e durante a permanência do cateter.
Perguntas frequentes
Técnica dentro ou fora do plano: qual é melhor?
Ambas são válidas. A fora do plano é mais usada em vasos pequenos e superficiais, como a radial, desde que o profissional acompanhe a ponta da agulha. A escolha depende do vaso e da experiência de quem punciona.
O ultrassom elimina o risco de complicações?
Não. Ele reduz tentativas e complicações, mas hematoma, espasmo, trombose e infecção continuam possíveis. Técnica asséptica e monitorização seguem indispensáveis.
Técnico de enfermagem pode fazer punção arterial guiada?
Não. A punção arterial é privativa do Enfermeiro, e a ultrassonografia, na equipe de enfermagem, também.
Técnica guiada por ultrassom, montagem do sistema de pressão e cuidados na habilitação do Grupo Nobre.
Referências
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 703/2022. Atualiza a norma para a execução, pelo Enfermeiro, da punção arterial. Brasília: Cofen; 2022.
- Gu WJ, Wu XD, Wang F, Ma ZL, Gu XP. Ultrasound guidance facilitates radial artery catheterization: a meta-analysis with trial sequential analysis of randomized controlled trials. Chest. 2016;149(1):166-179.
- Shiver S, Blaivas M, Lyon M. A prospective comparison of ultrasound-guided and blindly placed radial arterial catheters. Acad Emerg Med. 2006;13(12):1275-1279.
- Lamperti M, Biasucci DG, Disma N, et al. European Society of Anaesthesiology guidelines on peri-operative use of ultrasound-guided for vascular access (PERSEUS vascular access). Eur J Anaesthesiol. 2020;37(5):344-376.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679/2021. Ultrassonografia realizada por Enfermeiro. Brasília: Cofen; 2021.
