Saúde do homem: política nacional e papel da enfermagem
Postado em 11/10/2026
Homens procuram menos os serviços de saúde e chegam mais tarde. Entenda o que propõe a política nacional e como o Enfermeiro pode aproximar esse público do cuidado.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), instituída pela Portaria nº 1.944/2009, busca facilitar o acesso dos homens às ações de saúde, com prioridade para a atenção primária. O Enfermeiro atua no acolhimento, na consulta de enfermagem com foco em doenças crônicas, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental e prevenção de violências e acidentes, e no pré-natal do parceiro. Sobre o câncer de próstata, a orientação deve ser informada e compartilhada: o exame em homens sem sintomas não é rotina indiscriminada.
O que propõe a PNAISH
A Portaria nº 1.944, de 27 de agosto de 2009, instituiu a PNAISH no SUS. Entre seus objetivos estão:
- Promover mudança de paradigmas sobre como os homens percebem o cuidado com a própria saúde e a da família.
- Captar precocemente a população masculina para a prevenção de doenças cardiovasculares e cânceres.
- Fortalecer a atenção primária, com prioridade para a Estratégia Saúde da Família.
- Promover ações em saúde sexual e reprodutiva, incluindo infertilidade e contracepção masculina.
- Prevenir infecções sexualmente transmissíveis e HIV.
- Considerar homens indígenas, negros, quilombolas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, trabalhadores rurais, com deficiência, em situação de risco e privados de liberdade.
O documento original da política fez um recorte estratégico da população masculina de 25 a 59 anos, deixando claro que não se trata de restrição de público, e sim de estratégia metodológica.
Masculinidades e barreiras ao cuidado
A literatura sobre saúde do homem aponta que modelos de masculinidade baseados em força, invulnerabilidade e autossuficiência afastam os homens dos serviços. A busca por ajuda pode ser vista como sinal de fraqueza, e sintomas são ignorados até ficarem graves. Somam-se barreiras práticas: horário de funcionamento das UBS coincidente com o horário de trabalho, ambiente percebido como feminino e pouca oferta de ações dirigidas a eles.
O Enfermeiro pode reduzir essas barreiras com acolhimento sem julgamento, oferta de horários alternativos quando a gestão permite, comunicação direta e objetiva e aproveitamento de cada contato com o serviço, como uma vacinação ou um curativo, para avaliar a saúde de forma mais ampla.
Consulta de enfermagem: o que não pode faltar
| Área | Foco da avaliação |
|---|---|
| Doenças crônicas | Pressão arterial, glicemia conforme protocolo, peso e circunferência abdominal, tabagismo, uso de álcool, atividade física |
| Saúde sexual e reprodutiva | Práticas sexuais, prevenção de IST, testagem, planejamento reprodutivo, disfunções |
| Saúde mental | Sinais de depressão, ansiedade, uso de substâncias e risco de suicídio, que no homem muitas vezes aparecem como irritabilidade ou isolamento |
| Violências e acidentes | Acidentes de trânsito e de trabalho, envolvimento com violências, uso de equipamentos de proteção |
| Vacinação | Calendário do adulto atualizado |
Pré-natal do parceiro
O Ministério da Saúde propõe o pré-natal do parceiro como porta de entrada do homem na atenção primária. Durante o pré-natal da gestante, o parceiro é convidado a fazer consulta, exames e testes rápidos, atualizar a vacinação e participar das atividades educativas. A estratégia, detalhada em guia específico do Ministério da Saúde, reforça a paternidade ativa e permite identificar e tratar precocemente condições como sífilis, HIV e hepatites, com benefício também para a gestante e o bebê.
O Enfermeiro que conduz o pré-natal de risco habitual é peça-chave: o convite feito na primeira consulta da gestante costuma ser o momento mais efetivo para captar o parceiro.
Câncer de próstata: informar sem alarmar
As campanhas de novembro aumentaram a procura por exames, mas a recomendação técnica é mais cuidadosa do que a mensagem popular. Para homens sem sintomas, o Ministério da Saúde, por meio do INCA, não recomenda o rastreamento populacional organizado do câncer de próstata, porque os possíveis danos, como sobrediagnóstico e complicações de tratamentos desnecessários, podem superar os benefícios. Homens com sintomas urinários ou outras queixas devem ser avaliados. Quando um homem sem sintomas pede o exame, a decisão deve ser compartilhada, com explicação clara de benefícios e riscos. A solicitação e a interpretação seguem o protocolo do serviço e a avaliação médica.
Novembro também é uma boa oportunidade para falar de outros temas que afetam muito os homens, como doenças cardiovasculares, saúde mental, álcool e acidentes.
Perguntas frequentes
O que é o pré-natal do parceiro?
É uma estratégia do Ministério da Saúde que convida o parceiro da gestante a fazer consultas, exames, testes rápidos e vacinação durante o pré-natal, além de participar das atividades educativas.
Todo homem acima de 50 anos deve fazer PSA?
Para homens sem sintomas, o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional. Quem tem dúvida deve conversar com a equipe para uma decisão informada.
Qual o papel do Enfermeiro no Novembro Azul?
Organizar ações de saúde integral do homem, com informação correta sobre a próstata e foco também em doenças cardiovasculares, saúde mental e prevenção de violências.
Políticas de saúde, ciclos de vida e gestão do cuidado na pós em Saúde Pública com ênfase em Saúde da Família.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.944, de 27 de agosto de 2009. Institui a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem.
- Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: princípios e diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde; 2009.
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia do pré-natal do parceiro para profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
- Courtenay WH. Constructions of masculinity and their influence on men's well-being: a theory of gender and health. Soc Sci Med. 2000;50(10):1385-401.
- Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
