Enfermeiro na Estratégia Saúde da Família: atribuições e rotina

Enfermeiro na Estratégia Saúde da Família: atribuições e rotina

Postado em 11/10/2026

Consulta, gestão da equipe, território e coordenação do cuidado: o que a Política Nacional de Atenção Básica atribui ao Enfermeiro da Saúde da Família.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaNa Estratégia Saúde da Família, o Enfermeiro integra a equipe mínima com médico, técnico ou auxiliar de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Segundo a PNAB (Portaria nº 2.436/2017), ele realiza consulta de enfermagem em todos os ciclos de vida, solicita exames e prescreve medicamentos conforme protocolos, faz acolhimento com classificação de risco, elabora planos de cuidado para condições crônicas e planeja, supervisiona e avalia o trabalho da equipe de enfermagem e dos agentes. A base legal está na Lei nº 7.498/1986.

A equipe de Saúde da Família

A Política Nacional de Atenção Básica, aprovada pela Portaria nº 2.436/2017, define que a equipe de Saúde da Família (eSF) é composta, no mínimo, por médico, preferencialmente especialista em medicina de família e comunidade, Enfermeiro, preferencialmente especialista em saúde da família, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Agentes de combate às endemias e profissionais de saúde bucal podem integrar a equipe.

A PNAB recomenda uma população adscrita de 2.000 a 3.500 pessoas por equipe, com possibilidade de ajuste conforme a vulnerabilidade do território. Os profissionais da eSF cumprem carga horária de 40 horas semanais.

Atribuições específicas do Enfermeiro na PNAB

  • Atenção à saúde de indivíduos e famílias na UBS, no domicílio e em espaços comunitários, em todos os ciclos de vida.
  • Consulta de enfermagem, procedimentos, solicitação de exames complementares e prescrição de medicamentos conforme protocolos, diretrizes clínicas ou normas técnicas.
  • Acolhimento com escuta qualificada e classificação de risco, realizados ou supervisionados.
  • Estratificação de risco e plano de cuidados para pessoas com condições crônicas, junto com a equipe.
  • Atividades em grupo e encaminhamentos conforme os fluxos da rede.
  • Planejamento, gerenciamento e avaliação das ações de técnicos e auxiliares de enfermagem, ACS e ACE.
  • Implantação e atualização de rotinas, protocolos e fluxos da área de enfermagem na UBS.

Consulta de enfermagem: o núcleo do trabalho

A consulta de enfermagem é atividade privativa do Enfermeiro, prevista na Lei nº 7.498/1986, e deve seguir o Processo de Enfermagem. Na Saúde da Família, ela aparece em praticamente todas as linhas de cuidado:

Linha de cuidadoExemplos de atuação do Enfermeiro
Saúde da mulherPré-natal de risco habitual, coleta de citopatológico, planejamento reprodutivo, puerpério
Saúde da criançaPuericultura, crescimento e desenvolvimento, aleitamento, vacinação
Condições crônicasAcompanhamento de hipertensão e diabetes, avaliação do pé diabético, adesão ao tratamento
Doenças transmissíveisTuberculose, hanseníase, infecções sexualmente transmissíveis, conforme protocolos do Ministério da Saúde
Pessoa idosaAvaliação multidimensional, prevenção de quedas, revisão de medicamentos com a equipe

A prescrição de medicamentos pelo Enfermeiro na atenção básica depende de protocolo aprovado pelo gestor ou de programa de saúde pública, como prevê a Lei nº 7.498/1986. O tema é aprofundado no post Prescrição de medicamentos pelo Enfermeiro.

Território, visita domiciliar e gestão

O trabalho na Saúde da Família parte do território. O Enfermeiro participa da territorialização, do cadastro das famílias e da identificação de grupos e situações de risco, em conjunto com os ACS. A visita domiciliar é planejada com objetivo claro, como acompanhar pessoa acamada, puérpera e recém-nascido, ou pessoa em tratamento supervisionado.

Além da clínica, o Enfermeiro costuma assumir a coordenação da unidade ou a gestão do processo de trabalho da equipe: escalas, sala de vacina, farmácia, materiais, indicadores e reuniões de equipe. Essa dupla função, clínica e gerencial, é uma das marcas da profissão na atenção primária e exige organização da agenda para que a consulta não seja engolida pelas tarefas administrativas.

Perguntas frequentes

O Enfermeiro da ESF pode solicitar exames?

Sim, conforme protocolos, diretrizes clínicas ou normas técnicas estabelecidas pelo gestor, como prevê a PNAB.

Quem coordena a UBS?

A PNAB prevê a figura do gerente de atenção básica, que pode ser profissional de nível superior. Em muitas unidades essa função é exercida por Enfermeiros, conforme a organização do município.

É obrigatório ter especialização para trabalhar na ESF?

Não é obrigatório, mas a PNAB indica preferência por Enfermeiro especialista em saúde da família, e a formação ajuda em seleções e na prática.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica.
  2. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736/2024. Implementação do Processo de Enfermagem.
  4. Starfield B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde; 2002.
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