Enfermagem em desastres e emergências climáticas
Postado em 11/10/2026
Enchentes, ondas de calor, secas e deslizamentos exigem do Enfermeiro preparo antes, durante e depois do evento. Veja como se organiza essa atuação.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA enfermagem atua em todas as fases do ciclo de um desastre: prevenção e preparação, resposta e recuperação. No Brasil, a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei nº 12.608/2012) organiza essas ações, e o Decreto nº 7.616/2011 criou a Força Nacional do SUS para apoiar emergências em saúde pública, inclusive desastres. O Enfermeiro participa de planos de contingência, faz triagem de múltiplas vítimas, organiza o cuidado em abrigos, mantém tratamentos contínuos, vigia doenças relacionadas a água e vetores e oferece primeiros cuidados psicológicos.
O ciclo do desastre e o papel da enfermagem
A Lei nº 12.608/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC), abrange ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. Internacionalmente, o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres (2015 a 2030) também enfatiza a preparação dos sistemas de saúde. O Conselho Internacional de Enfermeiros publicou competências essenciais em enfermagem em desastres, que vão da preparação pessoal à liderança em resposta.
| Fase | Ações de enfermagem |
|---|---|
| Prevenção e preparação | Mapear pessoas vulneráveis no território (acamados, dependentes de oxigênio ou diálise, gestantes, pessoas idosas que vivem sós), participar de simulados e planos de contingência, manter estoques estratégicos |
| Resposta | Triagem de múltiplas vítimas, atendimento inicial, organização de fluxos em hospitais e abrigos, continuidade de tratamentos, vacinação de bloqueio quando indicada |
| Recuperação | Vigilância de agravos tardios, retomada dos serviços, acompanhamento em saúde mental, reconstrução da rede |
Triagem de múltiplas vítimas
Em acidentes com grande número de vítimas, o objetivo muda: fazer o melhor para o maior número de pessoas com os recursos disponíveis. Métodos como o START (Simple Triage and Rapid Treatment) classificam as vítimas em poucos segundos por cores, a partir da capacidade de andar, da respiração, da perfusão e do nível de consciência. O Enfermeiro precisa conhecer o método adotado pelo serviço e treinar com a equipe, porque a triagem em desastre é diferente da classificação de risco do pronto-socorro.
Emergências climáticas: riscos específicos
- Ondas de calor: pessoas idosas, crianças pequenas, gestantes, trabalhadores ao ar livre e pessoas com doenças crônicas têm maior risco. Oriente hidratação, ambientes ventilados e atenção a sinais de exaustão e insolação. Revise com a equipe medicamentos que interferem na hidratação e na regulação térmica.
- Enchentes: aumentam o risco de leptospirose, doenças diarreicas, hepatite A, acidentes com animais peçonhentos e ferimentos. Oriente sobre água para consumo, limpeza segura das casas e procura de atendimento em caso de febre após contato com água de enchente. Verifique a situação vacinal antitetânica de quem sofreu ferimentos.
- Secas e queimadas: pioram doenças respiratórias e afetam o acesso à água e aos alimentos.
- Arboviroses: mudanças de temperatura e chuva favorecem mosquitos vetores. A vigilância e a orientação da comunidade são contínuas.
Abrigos, doenças crônicas e saúde mental
Nos abrigos, o Enfermeiro organiza o acolhimento em saúde: identifica pessoas com doenças crônicas e garante a continuidade dos medicamentos, rastreia sintomas de doenças transmissíveis, orienta higiene e manejo de alimentos e atenta para riscos de violência contra mulheres, crianças e pessoas idosas. Dispositivos médicos, como concentradores de oxigênio e equipamentos que dependem de energia elétrica, exigem planejamento específico.
O sofrimento psíquico é esperado após um desastre. Os Primeiros Cuidados Psicológicos, propostos pela OMS, orientam observar, escutar e conectar: oferecer segurança e conforto, escutar sem forçar o relato, atender necessidades básicas e ligar a pessoa a informações e serviços. A maioria das pessoas se recupera com apoio. Quem apresenta sofrimento intenso ou persistente deve ser encaminhado à rede de atenção psicossocial.
Perguntas frequentes
Como participar da Força Nacional do SUS?
O Ministério da Saúde abre chamadas para cadastro de profissionais voluntários. Acompanhe os canais oficiais do ministério.
Qual a diferença entre triagem em desastre e classificação de risco?
A classificação de risco organiza a fila em serviço com recursos disponíveis. A triagem em desastre prioriza quem tem mais chance de sobreviver com intervenção imediata, quando os recursos são insuficientes.
O que fazer com pacientes em uso contínuo de medicamentos durante uma enchente?
Identifique quem perdeu medicamentos ou receitas, articule a reposição com a farmácia e a equipe médica e priorize medicamentos de uso contínuo, como os de doenças cardiovasculares, diabetes, epilepsia e saúde mental.
Atendimento de urgência, triagem e gestão de crise no MBA em Enfermagem em Emergência do Grupo Nobre.
Referências
- Brasil. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.
- Brasil. Decreto nº 7.616, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e institui a Força Nacional do SUS.
- United Nations Office for Disaster Risk Reduction. Sendai Framework for Disaster Risk Reduction 2015-2030. Geneva: UNISDR; 2015.
- International Council of Nurses. Core competencies in disaster nursing: version 2.0. Geneva: ICN; 2019.
- World Health Organization, War Trauma Foundation, World Vision International. Psychological first aid: guide for field workers. Geneva: WHO; 2011.
