Varizes e trabalho em pé: prevenção para a enfermagem
Postado em 11/10/2026
Horas em pé, pouca pausa e calor favorecem pernas pesadas, inchaço e varizes. Veja como a doença venosa se desenvolve e quais medidas ajudam a prevenir e a aliviar os sintomas na rotina de plantão.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaFicar muito tempo em pé, parado, dificulta o retorno do sangue das pernas para o coração e está associado à doença venosa crônica, que inclui as varizes. Na enfermagem, a prevenção passa por movimentar a panturrilha durante o turno, fazer pausas com as pernas elevadas, controlar o peso, praticar atividade física e usar calçados confortáveis. Meias de compressão aliviam sintomas, mas o tipo e o grau devem ser indicados após avaliação. Dor, inchaço persistente, manchas na pele ou feridas no tornozelo exigem consulta.
Como o trabalho em pé afeta as veias
O sangue das pernas volta ao coração contra a gravidade, com a ajuda das válvulas venosas e da contração dos músculos da panturrilha, que funcionam como uma bomba. Quando a pessoa fica em pé e parada por longos períodos, essa bomba trabalha pouco, a pressão dentro das veias aumenta e, com o tempo, as válvulas podem perder a capacidade de fechar. O resultado é o refluxo, que dilata as veias e gera as varizes.
Estudos ocupacionais associam o trabalho prolongado em pé a maior ocorrência de varizes. Um estudo de coorte dinamarquês com acompanhamento de 12 anos encontrou associação entre ficar em pé a maior parte do tempo no trabalho e hospitalização por varizes. Outros fatores contribuem: histórico familiar, sexo feminino, gestações, idade, sobrepeso e sedentarismo.
Sinais e sintomas da doença venosa
- Sensação de peso e cansaço nas pernas, que piora ao fim do plantão.
- Inchaço nos tornozelos, que melhora com o repouso.
- Câimbras noturnas, formigamento e coceira.
- Pequenos vasos visíveis (telangiectasias) e veias dilatadas e tortuosas.
- Escurecimento da pele perto do tornozelo, endurecimento e, em fases avançadas, úlcera venosa.
A classificação CEAP, usada internacionalmente, organiza a doença venosa crônica por estágios clínicos, das telangiectasias às úlceras. A Enfermeira que trabalha com feridas conhece bem o fim dessa linha: a úlcera venosa. Prevenir no início é muito mais simples, e a mesma Enfermeira que orienta pacientes sobre cuidados com as pernas pode aplicar essas medidas a si mesma.
Prevenção no plantão
- Movimente a panturrilha. Ao ficar em pé no mesmo lugar, alterne subir na ponta dos pés e apoiar os calcanhares. Caminhar ativa a bomba muscular.
- Use as pausas para elevar as pernas. Alguns minutos com as pernas acima do nível do coração aliviam a pressão venosa.
- Escolha bem o calçado. Fechado, como exige a NR-32, confortável, com bom amortecimento e salto baixo.
- Hidrate-se. A desidratação aumenta a viscosidade do sangue e piora o desconforto.
- Pratique atividade física. Caminhada, bicicleta e natação fortalecem a panturrilha.
- Controle o peso e evite roupas muito apertadas na cintura e nas coxas.
- Após o plantão, um banho com água não muito quente e as pernas elevadas por alguns minutos ajudam.
Meias de compressão: quando e como
As meias de compressão graduada ajudam a reduzir sintomas como peso e inchaço em quem trabalha em pé. Elas existem em diferentes níveis de compressão e tamanhos, e o benefício depende da medida correta e do uso desde o início do dia. Diretrizes internacionais de doença venosa crônica, como a da European Society for Vascular Surgery, recomendam a compressão para alívio de sintomas, mas a escolha do grau deve considerar a avaliação clínica.
Perguntas frequentes
Varizes são só um problema estético?
Não. Fazem parte da doença venosa crônica, que pode evoluir com inchaço, alterações de pele e úlceras. A avaliação define o tratamento.
Qualquer meia de compressão serve?
Não. O nível de compressão e o tamanho precisam ser adequados. Meias mal ajustadas podem garrotear e causar desconforto.
Ficar sentado o plantão todo resolve?
Ficar sentado e imóvel por muito tempo também prejudica o retorno venoso. O ideal é alternar posições e caminhar.
Organização do trabalho e saúde ocupacional no MBA em Enfermagem do Trabalho.
Referências
- Tüchsen F, Hannerz H, Burr H, Krause N. Prolonged standing at work and hospitalisation due to varicose veins: a 12 year prospective study of the Danish population. Occup Environ Med. 2005;62(12):847-50.
- De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
- Eberhardt RT, Raffetto JD. Chronic venous insufficiency. Circulation. 2014;130(4):333-46.
- Brasil. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Art. 199.
- Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17): Ergonomia.
