Pré-eclâmpsia: sinais de alerta e cuidados de enfermagem

Pré-eclâmpsia: sinais de alerta e cuidados de enfermagem

Postado em 11/10/2026

A pré-eclâmpsia pode evoluir em poucas horas. Saber reconhecer os sinais de alerta e organizar a monitorização é uma das contribuições mais importantes da enfermagem para a segurança materna.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaPré-eclâmpsia é a hipertensão (pressão sistólica de 140 mmHg ou mais e/ou diastólica de 90 mmHg ou mais) que surge após a 20ª semana em gestante antes normotensa, acompanhada de proteinúria ou, na ausência dela, de sinais de lesão de órgão-alvo ou comprometimento placentário. Pressão de 160 x 110 mmHg ou mais, cefaleia persistente, escotomas, dor epigástrica ou no hipocôndrio direito e hiper-reflexia indicam gravidade ou iminência de eclâmpsia. O Enfermeiro afere corretamente a pressão, identifica os sinais, aciona a equipe médica e monitora a gestante durante o uso de sulfato de magnésio prescrito.

O que é e como se diagnostica

A pré-eclâmpsia faz parte das síndromes hipertensivas da gestação, ao lado da hipertensão crônica, da hipertensão gestacional e da pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica. O diagnóstico combina hipertensão de início após a 20ª semana com pelo menos um dos critérios abaixo:

  • Proteinúria: 300 mg ou mais em urina de 24 horas ou relação proteína/creatinina em amostra isolada de 0,3 ou mais. A fita urinária pode ser usada quando os outros métodos não estão disponíveis, com menor precisão.
  • Lesão de órgão-alvo: plaquetopenia, alteração de função hepática ou renal, edema agudo de pulmão, sintomas neurológicos ou visuais.
  • Comprometimento placentário: restrição de crescimento fetal ou alterações na dopplervelocimetria.

Edema isolado não define pré-eclâmpsia, e a ausência de proteinúria não afasta o diagnóstico.

Sinais de alerta que a enfermagem precisa reconhecer

SinalPor que importa
Pressão igual ou maior que 160 x 110 mmHgHipertensão grave, com risco de acidente vascular cerebral; exige tratamento imediato
Cefaleia persistente, escotomas, fotofobia, fosfenasSinais de iminência de eclâmpsia
Dor epigástrica ou no hipocôndrio direito, náuseas e vômitosPossível acometimento hepático ou síndrome HELLP
Hiper-reflexiaIrritabilidade do sistema nervoso central
Dispneia, redução da diuresePossível edema pulmonar ou lesão renal
Redução da movimentação fetalPossível comprometimento da vitalidade fetal

Prevenção e rastreamento no pré-natal

A consulta de pré-natal é o momento de identificar fatores de risco, como pré-eclâmpsia em gestação anterior, hipertensão crônica, diabetes, doença renal, obesidade, gestação múltipla e primeira gestação. A Nota Técnica Conjunta nº 251/2024 do Ministério da Saúde recomenda suplementação de cálcio para todas as gestantes a partir da 12ª semana até o parto, para prevenção dos distúrbios hipertensivos. Para gestantes de alto risco, o ácido acetilsalicílico em baixa dose pode ser indicado pelo médico, conforme protocolo. Em todas as consultas, a aferição da pressão arterial com técnica adequada é o principal instrumento de detecção.

Cuidados de enfermagem na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade

  1. Acione a equipe médica imediatamente e siga o protocolo institucional de emergência hipertensiva.
  2. Posicione a gestante em decúbito lateral ou semissentada, em ambiente tranquilo e com grades elevadas.
  3. Garanta acesso venoso calibroso e coleta dos exames solicitados, como hemograma com plaquetas, função renal e hepática.
  4. Administre os medicamentos prescritos (anti-hipertensivo e sulfato de magnésio) em bomba de infusão, com dupla checagem.
  5. Monitore durante o sulfato de magnésio: reflexo patelar, frequência respiratória, diurese por sonda vesical e nível de consciência, nos intervalos e limites definidos no protocolo. Mantenha gluconato de cálcio disponível como antídoto, conforme prescrição.
  6. Avalie a vitalidade fetal conforme a idade gestacional e o protocolo.
  7. Registre sinais vitais, balanço hídrico e intercorrências, e comunique alterações sem demora.

Na crise convulsiva, a prioridade é proteger a gestante de lesões, manter as vias aéreas pérvias, lateralizar, oferecer oxigênio e chamar a equipe, sem tentar conter os movimentos.

Perguntas frequentes

Pré-eclâmpsia pode surgir depois do parto?

Sim. A síndrome pode se manifestar ou se agravar no puerpério, por isso a puérpera precisa conhecer os sinais de alerta e ter a pressão monitorada.

Toda gestante com pressão alta tem pré-eclâmpsia?

Não. A hipertensão pode ser crônica ou gestacional. A pré-eclâmpsia é definida pela associação com proteinúria, lesão de órgão-alvo ou comprometimento placentário após a 20ª semana.

Quem pode administrar sulfato de magnésio?

A equipe de enfermagem administra mediante prescrição médica, sob supervisão do Enfermeiro, com monitorização rigorosa conforme protocolo.

Preparo para emergências obstétricas

Reconhecimento e manejo da pré-eclâmpsia, eclâmpsia e outras urgências na Habilitação em Emergências Obstétricas do Grupo Nobre.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco. Brasília: Ministério da Saúde; 2022.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 251/2024-COEMM/CGESMU/DGCI/SAPS/MS e CGAN/DEPPROS/SAPS/MS. Suplementação de cálcio na gestação.
  3. World Health Organization. WHO recommendations for prevention and treatment of pre-eclampsia and eclampsia. Geneva: WHO; 2011.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. (Cadernos de Atenção Básica, n. 32).
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