Postura profissional na enfermagem: ética e comportamento
Postado em 11/10/2026
Postura profissional é o conjunto de atitudes que faz a equipe, o paciente e a instituição confiarem em você. Boa parte dela está escrita no Código de Ética e nas normas do Cofen.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaNa enfermagem, postura profissional envolve cumprir o Código de Ética (Resolução Cofen nº 564/2017), manter sigilo sobre o que se sabe em razão do trabalho, chegar no horário para uma passagem de plantão segura, tratar colegas e pacientes com respeito e separar vida pessoal de vida profissional nas redes sociais. A Resolução Cofen nº 554/2017 proíbe expor a imagem de pacientes em redes sociais e grupos de mensagens. Atitudes do dia a dia, como o uso do celular e a forma de discordar, também contam.
O que é postura profissional, na prática
Postura não é formalidade nem frieza. É coerência entre o que o Enfermeiro sabe, o que faz e como se comporta. Ela aparece em pequenas escolhas: como você entra no quarto, como responde a uma família angustiada, como reage a um erro da equipe e o que publica no fim do plantão.
Este texto complementa o nosso guia sobre como se destacar na enfermagem, que trata de competências e carreira. Aqui o foco é o comportamento e as regras éticas que sustentam a confiança.
Ética e sigilo: a base de tudo
O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, aprovado pela Resolução Cofen nº 564/2017, organiza direitos, deveres e proibições. Alguns pontos ligados diretamente à postura:
- Sigilo (art. 52): manter sigilo sobre fato de que tenha conhecimento em razão da atividade profissional, mesmo quando o fato já é público ou após o falecimento da pessoa, com exceções previstas em lei, por ordem judicial ou com consentimento escrito.
- Informação e autonomia: o Código prevê o dever de esclarecer pessoa, família e coletividade sobre direitos, riscos e benefícios da assistência de enfermagem e de respeitar a autonomia da pessoa nas decisões sobre a própria saúde.
- Privacidade: respeitar o pudor, a privacidade e a intimidade da pessoa.
- Atualização (art. 55): aprimorar conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos e culturais.
Conversa de corredor sobre o diagnóstico de um paciente, comentário no elevador ou foto de prontuário enviada a uma colega "só para tirar dúvida" são exemplos comuns de quebra de sigilo.
Pontualidade, assiduidade e passagem de plantão
O Código de Ética não traz um artigo específico sobre pontualidade, mas o atraso tem efeito direto na segurança do paciente: o colega do turno anterior fica retido, a passagem de plantão é feita às pressas e informações se perdem. Por isso, chegar alguns minutos antes, trocar de roupa e já estar pronto no horário de início é parte da postura esperada.
A passagem de plantão estruturada, por exemplo com a técnica SBAR, depende de os dois Enfermeiros estarem presentes e atentos. Faltas devem ser comunicadas com antecedência à chefia, conforme o regulamento da instituição.
Relação com a equipe e com outros profissionais
- Discorde em privado, documente o essencial. Divergência de conduta com outro profissional se resolve com argumento técnico, longe do paciente, e com registro em prontuário quando afetar a assistência.
- Corrija sem humilhar. O Enfermeiro supervisiona técnicos e auxiliares; a orientação deve ser objetiva e respeitosa.
- Celular. Use em pausas, fora do campo de visão do paciente, e nunca durante procedimento ou preparo de medicação.
- Fofoca e grupos paralelos. Comentários sobre colegas e pacientes em grupos de mensagem costumam virar problema ético e trabalhista.
- Limites. Você tem direito de recusar tarefas fora da sua competência ou sem condições seguras, comunicando a chefia.
Redes sociais: o que o Cofen proíbe
A Resolução Cofen nº 554/2017 estabelece critérios para o comportamento dos profissionais de enfermagem nos meios de comunicação e nas mídias sociais. Entre as condutas vedadas estão:
- expor a imagem de pacientes em redes sociais e grupos sociais, como o WhatsApp;
- expor imagens da face ou do corpo de pacientes que não se destinem a finalidades acadêmicas;
- divulgar imagens de "antes e depois" para garantir resultados, salvo autorização expressa;
- publicar imagens de exames com identificação nominal do paciente;
- garantir, prometer ou insinuar bons resultados sem comprovação científica.
O Código de Ética também garante ao profissional o direito de se negar a ser filmado, fotografado e exposto em mídias sociais durante o trabalho (art. 21). Isso vale nos dois sentidos: não filme colegas sem autorização.
Perguntas frequentes
Posso postar foto com o paciente se ele autorizar?
A Resolução Cofen nº 554/2017 veda expor a imagem de pacientes em redes sociais, e a autorização expressa aparece como exceção apenas em situações específicas, como divulgação de técnica. Na dúvida, não publique e consulte a instituição e o Coren.
Atraso frequente pode gerar processo ético?
O Código de Ética não trata de pontualidade diretamente. O atraso tem consequências trabalhistas previstas no regulamento da instituição e, se causar dano ao paciente, pode ser analisado sob outros deveres éticos.
Posso me recusar a ser filmado no trabalho?
Sim. O art. 21 do Código de Ética garante o direito de negar-se a ser filmado, fotografado e exposto em mídias sociais durante o desempenho das atividades profissionais.
Ética, gestão de pessoas e conflitos na equipe são temas do MBA em Gerenciamento em Enfermagem.
Referências
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 564/2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 554/2017. Critérios norteadores das práticas de uso e de comportamento dos profissionais de enfermagem nos meios de comunicação de massa e mídias sociais.
- Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
- Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
